Renato Casagrande (PSB) em entrevista à Rádio CBN VitóriaCrédito: Adalberto Cordeiro
O partido do governador reeleito Renato Casagrande, PSB, não vai ficar com apenas uma secretaria na gestão que começa no dia 1º. Além de Jacqueline Moraes, atual vice-governadora, que vai comandar a pasta de Mulheres, outro espaço vai ser destinado à sigla.
Restam Turismo, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia a terem os titulares anunciados.
Na Secretaria de Trabalho e Assistência Social (Setades), Cyntia Figueira Grillo vai permanecer no posto, como previsto.
Ela é filiada ao PSB, mas não integra a cota partidária. "Ela é mais um quadro técnico, filiou-se depois de virar secretária, não é uma indicação do partido", frisou um socialista de alta patente.
Logo, mesmo com a confirmação do nome dela, nesta terça, essa vaga não entra nas contas do PSB, assim como as de Fábio Damasceno (Mobilidade e Infraestrutura) e Nara Borgo (Direitos Humanos), que não seriam "socialistas raiz".
Meio Ambiente está na esfera de influência do vice-governador eleito Ricardo Ferraço (PSDB), que vai coordenar essa área, além de Agricultura e Desenvolvimento.
Tem o Turismo, que pode acabar, entretanto, com o deputado estadual Renzo Vasconcelos (PSC). Ele vai ficar sem mandato a partir de 1º de fevereiro, já que recebeu uma votação expressiva para deputado federal, mas, devido ao desempenho da chapa do Partido Social Cristão, não foi eleito.
A engenharia para abrigar aliados é complicada, uma vez que o governador foi reeleito com uma ampla aliança partidária. E a fatura está sendo cobrada.
Mas Casagrande é conhecido por ser um homem de partido e, em entrevista à coluna, já minimizou o espaço dos socialistas na gestão. Ele ressaltou que não é porque uma pessoa é filiada que, necessariamente, ela simboliza o atendimento a um pleito da sigla ao ocupar um cargo.
O fato é que dois correligionários e aliados do governador vão ficar sem mandato a partir de fevereiro: os deputados estaduais Bruno Lamas, que não foi reeleito, e Freitas, que tentou, sem sucesso, uma vaga na Câmara dos Deputados.
Essa oportunidade, entretanto, passou, já que o espaço foi entregue ao PT.
Lamas comandou a Setades até 2020, quando voltou ao mandato na Assembleia. Foi substituído por Cyntia Grillo.
Casagrande afirmou, na CBN Vitória, que vai terminar de anunciar a equipe até quinta-feira (29).
E AS NOVIDADES?
Em relação aos 22 nomes anunciados até agora por Casagrande para compor o primeiro escalão, surgiram poucas novidades. A maior parte é formada por secretários reconduzidos aos cargos que ocupam.
Alguns não estão na atual gestão, mas são velhos conhecidos dos capixabas, como o próprio Ricardo Ferraço, que vai acumular a vice-governadoria com a chefia do Desenvolvimento Econômico; o ex-secretário de Agricultura Enio Bergoli, que vai voltar ao posto, e o ex-secretário de Segurança Pública, de Ações Estratégicas e de Justiça André Garcia, futuro chefe da Sejus, de novo.
Jacqueline Moraes tentou se eleger deputada federal e não conseguiu. Em vez de vice, a partir de janeiro vai chefiar a Secretaria da Mulher, a ser criada. Não é uma novidade no nome, mas na função, sim.
O ex-deputado estadual José Carlos Nunes da Silva, que vai chefiar Esportes por indicação do PT, também nunca foi secretário.
Em vez de médico, é economista e administrador. Em vez de militante do serviço público, foi CEO de uma grande Organização Social (entidade privada) por cerca de nove anos. Mas tem predicados elogiados, inclusive, por Nésio.
"É um governo renovado. Vai acumular o que a gente fez de bom, mas a gente sabe que tem que dar um passo adiante. É natural que, numa reeleição, a base permanece a mesma. Mesmo quem continua tem que entrar com energia nova", avaliou o governador.
"Vou entrar como se estivesse entrando no primeiro dia do meu primeiro governo, em 2011. Com vontade de trabalhar, inovar, energia pra fazer as mudanças, aumentar a eficiência e aumentar a prestação de serviço. Estamos mudando 40% da equipe de primeiro escalão", calculou.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.