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Pós-eleição

Sem mandato em 2023, Majeski diz que vai voltar a dar aulas, até como DT

Deputado estadual foi o mais votado em 2018 para a Assembleia. Em 2022, tentou a Câmara dos Deputados e não foi eleito. "Não há espaço para a política séria", afirmou à coluna. Mas ressaltou que a despedia é um "até breve"

Publicado em 23 de Dezembro de 2022 às 02:10

Públicado em 

23 dez 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Deputado estadual Sergio Majeski
Deputado estadual Sergio Majeski Crédito: Ana Salles/Ales
Sergio Majeski, professor de Geografia popular entre alunos do ensino médio da rede particular, foi eleito pela primeira vez como deputado estadual no Espírito Santo em 2014, com 12.007 votos. A campanha vitoriosa foi feita, principalmente, nas redes sociais e no boca a boca entre estudantes e professores. 
Em 2018, Majeski foi o mais votado para a Assembleia, multiplicou os votos e foi a escolha de 47.015 eleitores. No primeiro mandato, eleito pelo PSDB, foi um crítico do governo Paulo Hartung (MDB), apesar de os tucanos integrarem a gestão estadual com o vice César Colnago.
No segundo mandato, filiado ao PSB do governador Renato Casagrande, a postura não mudou em relação ao Poder Executivo. O deputado diz que é independente. Está de volta ao PSDB que, mais uma vez, vai ocupar a vice-governadoria, com Ricardo Ferraço.
Mas, a partir de 1º de fevereiro de 2023, Majeski vai ficar sem mandato.
O único plano é voltar a dar aulas. Ele é mestre em Educação. Pretende se inscrever em processos de seleção para ser contratado por designação temporária no governo estadual e também entrou em contato com escolas e faculdades particulares.
Não recebeu convite para integrar a administração estadual e tampouco a de alguma prefeitura.
Majeski tentou, em 2022, uma cadeira na Câmara dos Deputados e não obteve sucesso. Recebeu 40.124 votos, ou seja, menos do que alcançou na eleição passada.
Proferiu o último discurso no plenário da Assembleia na quarta-feira (21). Já na quinta (22), participou da última votação, numa sessão híbrida, de forma virtual. Votou contra o reajuste concedido a deputados estaduais, governador, vice e secretários.
Em conversa com a coluna, na segunda (19),  ele afirmou que está "juntando os cacos" e fez algumas reflexões.
Considerou as eleições frustrantes não apenas por não ter vencido o pleito, mas pelos critérios adotados pelos eleitores. Também contou os bastidores da negociação que o levou a apoiar a reeleição de Renato Casagrande (PSB) no segundo turno e, para variar, fez uma queixa sobre a gestão estadual.
"Também fiquei frustrado pelo resultado da minha candidatura, mas o que me espantou é que eu ouvia de um apoiador 'ah, não consigo conquistar votos para você porque as pessoas te identificam muito com a esquerda'. Enquanto isso, outro apoiador dizia que os eleitores me identificavam com a direita, por ser do PSDB, e isso dificultava as coisas", contou.
"A polarização mostrou que, para quem pensa a política mais séria, mais nobre, o espaço foi reduzido. "Quatro dos dez deputados federais foram eleitos apenas por questões ideológicas. Os dois do PT (Jack Rocha e Helder Salomão), o Gilvan (PL) e o Evair (PP)", avaliou.
"Gosto do Helder e acho que ele merecia ser reeleito. Mas 120 poucos mil votos?", questionou Majeski. Helder foi o mais votado entre os candidatos à Câmara. O deputado estadual credita parte do desempenho dele nas urnas se deve ao fato de ser um candidato bastante ligado ao PT do presidente da República eleito Lula.
Já Gilvan da Federal e Evair de Melo são representantes do bolsonarismo.
"O vice-prefeito de Vila Velha (Victor Linhalis, deputado federal eleito pelo Podemos) ganhou usando a máquina da prefeitura. A mesma coisa aconteceu com Messias Donato (deputado federal eleito pelo Republicanos), que contou com a Prefeitura de Cariacica", complementou.
"Não faço parte de movimentos radicais nem uso máquina do estado ou prefeitura. Então é decepcionante. Elegeram Magno Malta (ao Senado, pelo PL)! Tudo bem que não tinha muita opção, mas dez mil vezes melhor a Rose que o Magno", cravou.
"Votei no Lula porque considerei uma desgraça menor, mas não acho que o PT tem competência para colocar o país nos trilhos. Parece que vai ser um governo populista", disparou. Na juventude, Majeski foi filiado ao PT, mas hoje tem muitas críticas à legenda.
O PSDB fechou com Casagrande desde o primeiro turno, tanto que indicou Ricardo como vice na chapa. Majeski, entretanto, não pediu votos para nenhum dos candidatos ao governo naquele período.
Chegou a se aproximar de um adversário do governador, o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD). "Mas aquele discurso bolsonarista do Guerino atrapalhou ele", ressaltou o deputado.
No segundo turno, o governador pediu o apoio de Majeski, que gravou um vídeo pedindo votos para o socialista. A outra opção era  o o ex-deputado federal bolsonarista Carlos Manato (PL).
"Eu pedi contrapartida para apoiar o governador, numa conversa no Palácio em que também estava o Davi Diniz (secretário da Casa Civil)", revelou.
"Havia dois projetos meus em tramitação na Assembleia e eu pedi apoio a essas propostas. Um projeto era para ampliar o tempo que os professores dedicam ao planejamento das aulas (a proporção desse tempo em relação às aulas em si) e um que pedia para parar de impedir que professores ficassem sem o bônus desempenho por estarem em licença por motivo de saúde, entre outras situações", narrou Majeski.
"Ele (Casagrande) concordou com os projetos. O do bônus já foi aprovado, não exatamente como eu queria, mas foi um avanço. Agora o professor que sofrer um acidente de trabalho ou tiver que se ausentar devido à morte de um familiar de primeiro grau não vai perder a bonificação", explicou.
O projeto sobre a carga horária a ser dedicada pelos professores para planejar aulas, entretanto, não andou. O deputado estadual reclama que, antes do segundo turno, era prontamente atendido por Davi Diniz. Agora, é ignorado.
"Eu também pedi para aumentar o salário dos professores, porque vou voltar a dar aula"
Sergio Majeski (PSDB) - Deputado estadual
"O governador falou 'se eu me reeleger, você vem trabalhar com a gente'. Mas nunca mais falou nada", pontuou o parlamentar.
O fato de Majeski ter contado tudo isso à coluna denota um pouco do perfil dele. 
No discurso realizado na Assembleia nesta quarta sobrou até para os colegas de plenário: "Fui perseguido pelo Ministério Público. E talvez um ou dois deputados, nesse período de perseguição, tenham me defendido".
O deputado do PSDB foi alvo de uma denúncia do MPES por ter ingressado com ações na Justiça com o auxílio de um advogado que trabalhava no gabinete dele. O Tribunal de Justiça entendeu, entretanto, que os processos tinham relação com o mandato do tucano e, logo, ele não havia feito nada errado. A denúncia foi rejeitada pela Corte.
No discurso, ele ainda agradeceu a seus assessores, aos servidores do Legislativo estadual e aos eleitores. E mandou um recado:  "Devo retornar à política partidária e eletiva em breve".
UMA ANÁLISE
Não apenas Majeski se despediu da Assembleia nesta quarta, na última sessão ordinária da atual legislatura. Por que a coluna escreve justamente sobre ele?
É que o "caso Majeski" ajuda a ilustrar um pouco o que foi a eleição de 2022. O fator ideológico claramente pesou nas escolhas dos eleitores para o parlamento.
Como o tucano não era nem Lula nem Bolsonaro de carteirinha, não conseguiu capitalizar politicamente. Pode ser, entretanto, um exagero dizer que Helder, Jack, Gilvan e Evair foram eleitos "apenas" por isso.
Afinal, eles também têm suas bases eleitorais e movimentações, que vêm de antes dos fenômenos bolsonarista e antibolsonarista.
Majeski também não tem um grupo político para chamar de seu. Mesmo filiado a partidos da base governista nas gestões de Hartung e Casagrande, não se enturmou com a base aliada na Assembleia. Nem mesmo posições de destaque nas comissões da própria Casa ele angariou.
A atuação do deputado foi voltada, principalmente, a temas ligados à área da Educação e ele não se furtava a criticar e a cobrar o governo a respeito.
É esse o papel de um parlamentar. 
Também ser arvorava publicamente de ser contra "o toma lá, dá cá", a negociação para emplacar apadrinhados em cargos comissionados no Legislativo e no Executivo.
"O parlamentar não é eleito para fazer oposição ou para trabalhar pelo governo. Em oito anos, fui independente. Não é fácil ser o político que eu sou, ser coerente. Ninguém é unanimidade, não tive a intenção de ser. Até quem não gosta de mim tem que concordar que eu primei pela coerência, pela transparência e pela fidelidade aos meus ideais, sem toma lá, dá cá e acordos espúrios", bradou, na tribuna da Casa nesta quarta.
Ok. Mas são justamente os autoelogios que fazem muita gente torcer o nariz para o deputado estadual, principalmente os próprios colegas de plenário. Não raro, surge algum para reclamar que Majeski "pensa que só ele sabe das coisas" e quer ser "professor dos demais deputados".
"Esses dias eu postei a seguinte frase: 'Muitas pessoas vão espalhar que você é difícil de lidar porque não conseguem te manipular'. Eles dizem que não sei negociar. Eu negocio, mas negociar, para mim, é discutir projeto, saber os detalhes das propostas. Negociar, para eles, é apoiar o governo sem discutir e ganhar alguma coisinha, um cargo, uma emenda. Negociar é como fiz no caso do projeto do bônus desempenho, que não saiu exatamente como eu queria e nem como o governo estava colocando", rebateu Majeski, ao ser questionado sobre o perfil desagregador que muitos veem nele.
"Dizem que eu sou uma pessoa difícil por causa disso. Fácil ninguém é. Mas o que incomodava deputados e governos é que eu não agia da forma tradicional", complementou.
O fato é que parte da política tradicional também já perdeu a vez. Gilvan, por exemplo, certamente foi eleito deputado federal mais devido a publicações em redes sociais e por ter adotado o bolsonarismo radical como método do que por seu desempenho como vereador de Vitória.
O mesmo se pode dizer do jovem Lucas Polese, alçado à Assembleia Legislativa devido ao ativismo bolsonarista na internet.
Um vídeo de impacto, cheio de chavões e não necessariamente de verdades fideliza mais o eleitor do que o de uma sessão, por vezes chata, da Assembleia em que um deputado faz seu trabalho adequadamente.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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