Renato Casagrande concede entrevista após ser diplomado como governador eleito do Espírito Santo pelo TRECrédito: Carlos Alberto Silva
Após diversas rodadas de reuniões, o governador Renato Casagrande (PSB) ofereceu ao PT, aliado que apoiou o socialista desde o primeiro turno, a subsecretaria de Agricultura e o comando da Secretaria de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades). Esses espaços foram bem recebidos e são dados como certos.
A sigla, contudo, tenta emplacar um nome também na Secretaria de Esportes, mas é improvável que consiga. Cada partido aliado deve ficar com apenas uma secretaria. Mas isso não encerra os pleitos dos petistas.
Há autarquias e órgãos públicos em jogo, como a Ceasa, o Iema e o Incaper. São postos de segundo escalão, mas o PT tem o plano de estar na ponta que atende mais diretamente à sociedade. Casagrande não ofereceu nada disso, mas a legenda segue negociando espaços.
"Não estamos pedindo emprego a Casagrande. Queremos participar do governo para exercer influência nas políticas públicas. O PT precisa fazer parte do conselho político do Renato", avalia um integrante do partido.
Por falar em política, o partido se movimenta ainda em relação à eleição para a presidência da Assembleia Legislativa, que vai ocorrer no dia 1º de fevereiro.
O deputado estadual eleito João Coser (PT), ex-prefeito de Vitória, está no páreo, embora não verbalize isso publicamente. E os petistas querem o apoio do Palácio Anchieta a ele. Inclusive, já externaram isso ao governador.
"O João é um bom nome. E a postura dele na campanha tem que ser reconhecida. Ele subiu no palanque de Casagrande junto com Luiz Paulo (Vellozo Lucas) e Luciano Rezende", argumenta um integrante do alto escalão petista. Luiz Paulo e Luciano são ex-prefeitos de Vitória, antigos adversários de Coser.
A mão do Palácio pode pesar, mas não resolve tudo. Contra João Coser, justamente por ser do PT, há uma rejeição por parte dos deputados mais bolsonaristas.
A partir de fevereiro, a bancada do PL, partido que antagonizou a sigla do presidente eleito Lula em 2022, vai ser a maior da Assembleia, com cinco cadeiras.
Em relação à eleição, há mais tempo para a realização de costuras políticas. O próximo governo, capitaneado por Casagrande, entretanto, começa em dez dias.
O PT tem que definir os nomes que vai apresentar para compor a gestão estadual.
Em relação à subsecretaria de Agricultura, está sacramentada a ida de Julio da Fetaes (Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Espírito Santo), que foi candidato a deputado estadual pelo partido e não foi eleito.
O futuro secretário de Agricultura já foi anunciado: Enio Bergoli, que não tem filiação partidária. Ele, assim, vai ser o superior imediato do indicado do PT. Enio é apontado como um quadro técnico e é próximo do vice-governador eleito Ricardo Ferraço (PSDB).
Ricardo, aliás, vai ser secretário de Desenvolvimento e coordenar, também, as áreas de Agricultura e Meio Ambiente.
Para a Setades, o PT ainda não definiu um nome. São cotados: a ex-presidente do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases) e assistente social Ana Petronetto; o ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim Carlos Casteglione; a ex-secretária de Educação de Cariacica Célia Tavares e a ex-subsecretária estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Fernanda Sousa.
Historicamente, o PT é mais ligado à área de atuação da Setades. O atual mandato de Casagrande, porém, não conta com participação do partido. Logo que o governador assumiu, em 2019, o escolhido para a pasta foi o deputado estadual Bruno Lamas (PSB) que, em 2020, retornou à Assembleia.
Desde então, quem comanda a secretaria é Cyntia Figueira Grillo, que é formada em Administração e pós-graduada em Gestão Estratégica.
ESPORTES
Na secretaria de Esportes, os petistas gostariam de emplacar o ex-deputado estadual Nunes, que coordenou a campanha vitoriosa da presidente estadual do partido, Jack Rocha, à Câmara dos Deputados.
Mas aí dificilmente rolaria. O partido não deve ficar com duas secretarias. Hoje, a pasta de Esportes é comandada por Junior Abreu, do PDT. E é cobiçada por um socialista, o deputado estadual Freitas, que vai ficar sem mandato a partir de fevereiro.
O APOIO DO PT
Dirigentes locais do Partido dos Trabalhadores não cansam de lembrar que o partido abriu mão de lançar o senador Fabiano Contarato ao governo para apoiar Casagrande.
E ressaltam que o socialista foi o único governador eleito apoiador de Lula a vencer num estado que deu vitória a Bolsonaro. Para isso, o PT local fez vista grossa para o voto "CasaNaro".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.