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Eleições 2026

Por que Casagrande anunciou apoio a Ricardo 10 meses antes da eleição

Governador afirmou nesta quinta-feira (18), desta vez com todas as letras, que endossa o vice-governador na corrida pelo Palácio Anchieta. Veja o contexto dessa declaração e a análise da coluna

Públicado em 

18 dez 2025 às 19:13
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Renato Casagrande e Ricardo Ferraço
Renato Casagrande e Ricardo Ferraço Crédito: Cid Gomes/Governo ES
Ao declarar, nesta quinta-feira (18), que apoia o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) como pré-candidato ao Palácio Anchieta, o governador Renato Casagrande (PSB) não surpreendeu ninguém. Mas o que o levou a isso? E por que agora?
O registro de candidaturas vai ser realizado apenas em meados de julho/agosto de 2026. A eleição, em outubro.
Desde o final do ano passado, porém, Ricardo é mencionado pelo próprio Casagrande como "o candidato natural" à sucessão, embora o socialista tenha dado aval a movimentos de outros aliados que estavam de olho no mesmo cargo.
A maioria, entretanto, decidiu endossar o vice-governador na corrida, com exceção do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), que segue no páreo.
Após a coletiva na qual endossou o nome do vice-governador, Casagrande concedeu entrevista à coluna.
"Eu comecei as consultas (a aliados) e elas apontaram que o nome mais adequado para este momento é o nome do Ricardo. Então não tinha razão para eu protelar isso", afirmou o governador.
"Quanto mais você protela, mais você gera dúvida na cabeça dos aliados"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
"Mesmo que a gente não tenha campanha agora, não tenha eleição agora, o grupo já fica sabendo, o movimento político fica sabendo que a gente tem nome e que o nome do Ricardo é o que mais se encaixou neste momento. Temos tempo para continuar conversando com os demais aliados, mesmo aqueles que ainda não concordam, que estão com outro projeto", completou.
Por "outro projeto", leia-se Arnaldinho.
"O Arnaldinho eu vou continuar tratando com ele, conversando com ele, para a gente poder tentar unificar todo mundo em torno de um único movimento", ressaltou Casagrande.
O anúncio, na prática e simbolicamente, fortalece Ricardo e escanteia o prefeito de Vila Velha, apesar das palavras de conciliação destinadas ao político canela verde.
Tanto Casagrande quanto Ricardo, na conversa com a coluna, afirmaram que o prefeito vai ser "muito bem-vindo" se decidir se juntar ao projeto eleitoral do vice-governador.
Poucas horas após essas declarações, contudo, Arnaldinho foi às redes sociais dizer que "a decisão será do povo, no dia 4 de outubro". 
Ele ainda evocou o nome de um dos principais adversários de Casagrande e Ricardo, o ex-governador Paulo Hartung (PSD), ou seja, pesou o clima.
Mas voltemos ao timing escolhido por Casagrande para avalizar Ricardo Ferraço.
Nos bastidores, a opção pelo vice-governador já era dada como certa há tempos, mas alguns sinais trocados emitidos pelo próprio governador ensejavam dúvidas. 
Em entrevista à reportagem de A Gazeta no final de outubro, por exemplo, Casagrande afirmou: "Hoje temos dois nomes, Ricardo e Arnaldinho".
Já naquele momento, Ricardo tinha a preferência da maioria dos casagrandistas. A inclusão do prefeito de Vila Velha na frase, na percepção da coluna, foi mais um afago, um gesto de diplomacia em prol do aliado, mas teve gente que se empolgou, imaginando que o jogo poderia virar.
Agora, está nitidamente claro que o governador e seus principais conselheiros escolheram um lado.
As pessoas consultadas por Casagrande antes de tal decisão, de acordo com ele mesmo, foram "prefeitos, deputados e lideranças partidárias".
"Algumas foram consultadas, outras informadas", pontuou.
O "CANDIDATO NATURAL"
Ok. Entendemos que o anúncio desta quinta serve para dissipar dúvidas e jogar um balde de água fria nas pretensões de Arnaldinho Borgo.
Mas por que Ricardo conquistou a preferência dos casagrandistas?
Não é à toa que o vice-governador sempre foi considerado "o candidato natural". Isso se deve, principalmente, ao cargo que ele ocupa.
Casagrande ainda não confirmou publicamente, mas deve ser candidato ao Senado em 2026. Nesse caso, vai ter que renunciar ao atual mandato e aí Ricardo vai assumir o comando do Executivo até dezembro do ano que vem.
É um cenário em que o emedebista já estaria na cadeira e seria candidato à reeleição. Via de regra, quem ocupa um cargo tem a preferência para disputar mais um mandato.
Além disso, a caneta na mão e a visibilidade proporcionada a meses da eleição dariam a Ricardo vantagens na corrida.
Casagrande também elencou características do próprio Ricardo como credenciais para a candidatura. 
Descreveu o vice-governador como alguém que tem "ajudado a consolidar entregas do governo", "trabalhado politicamente" e, principalmente, um nome que passa "segurança" para garantir "continuidade com aperfeiçoamento".
Em tempo: a entrevista coletiva convocada no Palácio Anchieta para a tarde desta quinta-feira foi, oficialmente, para apresentação de um balanço das ações da administração estadual.
Isso foi feito, mas um subterfúgio óbvio foi utilizado para dar vazão ao anúncio pré-eleitoral: a primeira pergunta foi sobre o assunto e, desta vez, em vez de desconversar, o governador respondeu.
Depois, à coluna, Casagrande afirmou que a conduta do governo não vai mudar devido ao anúncio. 
"A única coisa que vai mudar é que você não vai me perguntar mais sobre isso", brincou Casagrande.
"Nós não estamos em campanha", reforçou.
Mas, cabe frisar: no final do ano passado, Casagrande já havia listado possíveis candidatos. 
E em janeiro de 2025 um dos principais adversários do grupo dele, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), começava a percorrer municípios do interior com intenções eleitorais.
Na prática, a eleição de 2026 começou assim que o resultado das urnas do pleito de 2024 foi divulgado, embora nem todos tenham se atentado para isso. 
Agora, as coisas ficaram apenas mais interessantes.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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