Este é um espaço para falar de Política: notícias, opiniões, bastidores, principalmente do que ocorre no Espírito Santo. A colunista ingressou na Rede Gazeta em 2006, atuou na Rádio CBN Vitória/Gazeta Online e migrou para a editoria de Política de A Gazeta em 2012, em que trabalhou como repórter e editora-adjunta

Nelson Junior minimiza Bolsonaro "distante dos princípios cristãos": "Não é evangélico"

Candidato ao Senado no ES, que é pastor, comentou frases como as em que o presidente diz preferir um filho morto a um homossexual ou que Jesus teria uma pistola. Ainda assim, Nelson diz que vai votar em Bolsonaro

Vitória
Publicado em 15/09/2022 às 23h23
Nelson Júnior, candidato ao Senado pelo Avante
Nelson Junior, candidato ao Senado pelo Avante, em entrevista para a coluna. Crédito: Fernando Madeira

Candidato ao Senado pelo Espírito Santo, Nelson Junior (Avante) disputa pela primeira vez uma eleição. Pastor e criador no movimento Eu Escolhi Esperar, que prega a abstinência sexual até o casamento, ele também é palestrante e escritor. No estado, apoia o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede) para o governo. Já quanto à Presidência da República, afirmou, em em entrevista à coluna transmitida ao vivo nesta quinta-feira (15), que vai votar em Jair Bolsonaro (PL).

"Dos candidatos que nós temos, o que está mais alinhado às coisas que eu defendo é o Jair Bolsonaro". O Avante, nacionalmente, está no palanque do ex-presidente Lula (PT).

Como o candidato ao Senado é pastor, a coluna fez uma consulta teológica para saber se seguintes frases de Bolsonaro estão de acordo com a doutrina cristã:

- "Seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo". (Em entrevista à Revista Playboy, em 2011)

- "(O Brasil só vai melhorar )quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. Fazendo o trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil, começando com o (então presidente da República) FHC. Não deixar pra fora, não, matando. Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente". (Em entrevista à TV Bandeirantes, em 1999)

- "Não sou coveiro, tá?" (Em entrevista coletiva, em 2020, em meio à pandemia de Covid-19 ao ouvir a pergunta "Presidente, hoje tiveram mais de 300 mortes ...")

- "Ele (Jesus Cristo) não comprou pistola porque não tinha naquela época". (Em 2022, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada)

Nelson Junior minimizou tudo isso, mas fez questão de ressaltar que o presidente da República não é evangélico.

"Considero que são opiniões pessoais e todos nós emitimos as nossas. O Bolsonaro é uma pessoa que sempre se declarou cristão, mas não é evangélico. Muitas delas ele se arrepende, corrigiu, tem tentado acertar. A Bíblia até diz, no Evangelho lá, em Tiago, que a língua é como fogo, uma fagulha incendeia toda a floresta. E um provérbio diz que a palavra lançada não volta atrás. Todos nós cometemos nossos equívocos nas nossas falas", contemporizou.

"Eu já falei coisas que eu não devia e voltei atrás. As pessoas votam nele mesmo sabendo que ele tem essa maneira peculiar de se comunicar", respondeu Nelson Junior, à coluna.

"Algumas pessoas se ofendem, algumas pessoas celebram. Encaro com muita tranquilidade", afirmou. O candidato do Avante admitiu, entretanto, que "a comunicação (de Bolsonaro) ficou distante dos princípios cristãos":

"Entendo que o ser humano tem sua forma de se expressar e, nesse caso aí, a comunicação ficou distante dos princípios cristãos, mas nós sabemos que o Bolsonaro apesar de defender e crer nos valores cristãos, como ele sempre fala, ele não é evangélico, não frequenta uma igreja".

Assim, Nelson Junior se perfila ao bolsonarismo, mas tenta manter uma distância de segurança. O presidente é o segundo nas pesquisas de intenção de voto na corrida pelo Palácio do Planalto, mas o mais rejeitado pelos eleitores.

A retórica do candidato do Avante difere bastante da de Bolsonaro. Não é permeada por palavrões nem por agressividade.

Nas redes sociais, ele divulga principalmente, conteúdos de páginas pró-bolsonaristas e de direita. E se refere à ex-ministra da Mulher Damares Alves como amiga.

Nelson Junior não ataca diretamente os críticos do presidente, mas usa subterfúgios para que seus seguidores o façam. Certa vez publicou, por exemplo, uma notícia, sem adjetivação de qualquer espécie, informando que o youtuber Felipe Neto estava em depressão. Foi um chamariz para comentários desprovidos de compaixão.

SILAS MALAFAIA

Outro pastor, Silas Malafaia, apoia o ex-senador Magno Malta (PL) na corrida pelo Senado no Espírito Santo. E usou as redes sociais para criticar Nelson Junior no mês passado.

“Estou vendo gente que nem sabe onde está o nariz na política, que chegou agora, pensando que é alguma coisa, que nunca se posicionou, e que gosta de ensinar os outros a aprender a esperar, mas ele não espera”, disse Malafaia, em um vídeo.

Questionado sobre Malafaia, Nelson Junior disse que o vídeo do pastor até o ajudou, de certa forma, ao divulgar a candidatura dele. E afirmou que respeita a liberdade de expressão.

Já sobre as posturas que pretende adotar caso seja eleito senador, o candidato disse que não seria a favor de retroceder em relação às atuais possibilidades de realização de aborto legal – nos casos de estupro, risco à vida da gestante e se o feto for anencefalo – e que é a favor da redução da maioridade penal.

Quanto à criminalização da homofobia, o que já foi feito pelo Supremo Tribunal Federal devido à omissão do Congresso, Nelson Junior disse que o Supremo tem que definir o que é homofobia e afirmou que pastores têm sido processados por se recursarem a celebrar casamentos religiososs entre pessoas do mesmo sexo.

Pessoas, religiosas ou não, têm sido enquadradas por homofobia por motivos bem menos bíblicos, digamos assim. O apresentador Gilberto Barros, por exemplo, foi condenado por afirmar, durante programa transmitido no YouTube, que agrediria e vomitaria caso dois homens se beijassem na sua frente.

Nelson Junior garantiu que, se eleito, o Escolhi Esperar não vai ser uma bandeira dele como parlamentar. E avaliou que, como representante do estado do Espírito Santo, ele não poderia se fiar em apenas um tema.

AS ENTREVISTAS

Há nove candidatos ao Senado no Espírito Santo. Desses, foram convidados para conceder entrevistas à coluna os filiados a partidos que têm ao menos cinco representantes no Congresso Nacional. Rose de Freitas (MDB), Erick Musso (Republicanos) e Nelson Junior (Avante) já participaram.

Nesta sexta-feira (16), é a vez de Gilberto Campos (PSol). A entrevista começa às 19h, tem duração de meia hora, e é transmitida ao vivo no site e nas redes sociais de A Gazeta.

Magno Malta (PL) também foi convidado, mas informou que compromissos de campanha pré-agendados o impediriam de comparecer. 

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