Criticar o governo
Renato Casagrande (PSB) é a estratégia óbvia de um candidato de oposição. Mas Guerino não apenas imprimiu críticas pontuais como fez questão de ressaltar que o governo "é socialista". O partido de Casagrande tem socialista no nome.
E ainda mencionou "o comunista Nésio" para se referir ao secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, que é filiado ao PCdoB.
Ou seja, além de apontar o que considera falhas do governo, Guerino quer se mostrar como o opositor dos "socialistas" ou "comunistas", entoando um mantra bolsonarista que apela ao medo da "ameaça comunista" para angariar adeptos.
O quanto o PSB ou outras siglas são socialistas ou comunistas e o que significa isso são apenas detalhes.
Guerino se apresentou como conservador, descartou votar no ex-presidente
Lula (PT) para a Presidência da República e elogiou o presidente
Jair Bolsonaro (PL).
O ex-prefeito aposta, assim, no conservadorismo do eleitor do Espírito Santo. A jogada pode ser arriscada porque do lado bolsonarista há um pré-candidato mais evidente, o ex-deputado federal
Carlos Manato (PL).
Manato apareceu com 11% das intenções de voto em pesquisa Ipec divulgada em maio.
Guerino, com 5%.
Outro petista e também pré-candidato ao governo do estado, o senador
Fabiano Contarato recebeu 11% das menções, empatado com Manato.
Mas Guerino não quer apenas falar do governo Casagrande. Ele ressaltou, por várias vezes, a gestão que fez em Linhares. Eleito prefeito cinco vezes, é de se supor que a administração dele foi bem avaliada pelos moradores da cidade.
Para contrapor o fato de ser mais conhecido na região Norte do que na Grande Vitória, o ex-prefeito avaliou que "o case de sucesso" de Linhares vai abrir as portas para ele na região metropolitana.
Outro ponto que chama a atenção na entrevista é a defesa enfática do governo
Paulo Hartung (sem partido). Guerino é aliado do ex-governador, mas diz que não foi incentivado por ele a disputar.
No PSD, além do ex-prefeito de Linhares, estão outros aliados históricos de Hartung, como o ex-secretário da Casa Civil José Carlos da Fonseca Júnior e o ex-vice-governador César Colnago.
Guerino, por sua vez, pontuou que as vagas de vice e de candidato ao Senado na chapa vão ficar em aberto, para que esses espaços sejam oferecidos a outros partidos.
A bem da verdade, quando Colnago disse à coluna, em primeira mão, no dia 9 de maio, que iria "potencialmente" disputar o Senado, ele frisou que tinha até julho para viabilizar a empreitada.
Voltando ao governo Casagrande, o ex-prefeito de Linhares diz que a gestão é mal avaliada, o que apontam pesquisas às quais ele teve acesso e conversas com as pessoas nas ruas.
As críticas à gestão, não apenas partindo de Guerino, devem se acirrar durante a campanha e esse percentual pode cair.
Mas Casagrande, hoje, leva vantagem. Ele apareceu com 42% das intenções estimuladas de voto no Ipec. Tem a máquina na mão e a visibilidade que o cargo proporciona.
Guerino, por outro lado, não perde nada ao concorrer ao Palácio. Em Linhares já atingiu, cinco vezes, o cargo mais alto do Executivo municipal. Deixou na cadeira um aliado, Bruno Marianelli (Republicanos), que era vice-prefeito.
Foi deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa.
Já até gravou peça de propaganda subindo as escadas do Palácio Anchieta. Afinal, para onde mais poderia tentar ir?