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Letícia Gonçalves

Bolsonarismo supera petismo no ES, mas Lula bate um milhão de votos no 2º turno

Se dependesse apenas dos eleitores do estado, Flávio Bolsonaro teria sido eleito presidente da República. O desempenho de Lula, entretanto, melhorou em comparação ao primeiro turno de 2026 e em relação a 2022

Publicado em 26 de Outubro de 2026 às 16:15

Públicado em 

26 out 2026 às 16:15
Letícia Gonçalves

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Manifestantes participam de último ato pela reeleição de Lula na véspera do 2º turno
Manifestantes participam de último ato pela reeleição de Lula na véspera do 2º turno Divulgação/PT
Lula (PT) venceu no país no domingo (25), foi reeleito e vai exercer a Presidência da República pela quarta vez, um feito histórico. No Espírito Santo, entretanto, o petista perdeu, foi superado por Flávio Bolsonaro (PL): 56,37% contra 43,63%, 13 pontos percentuais de diferença. 

Mas Lula cresceu no estado, tanto em relação ao resultado de 2022 quanto em comparação com o primeiro turno da eleição de 2026.

O presidente, desta vez, ultrapassou a marca de um milhão de votos no Espírito Santo, mais precisamente 1.001.965. No primeiro turno, foram 850.028 (37,76%).

Flávio, por sua vez, foi escolhido por 1.294.504 eleitores do Espírito Santo no domingo (25).


E mais: comparando-se o resultado do primeiro turno, Flávio ganhou mais 61.310 votos no estado, ao passo que Lula conquistou mais 151.937 eleitores.

Isso não diminuiu o fato de que o bolsonarismo segue mais forte que o petismo por aqui, mas mostra que, apesar de todos os pesares, o movimento pró-Lula está vivo.

A manifestação que atravessou a Terceira Ponte no sábado (24) ilustra isso.  

Em 2022, Lula recebeu 926.767 votos no estado, o que representou 41,96%. Os 43,63% de agora, portanto, são ligeiramente maiores. Jair Bolsonaro (PL), naquele ano, superou o petista entre os capixabas, foi escolhido por 1.282.145 eleitores (58,04%).
 
O presidente, que completa 81 anos na terça-feira (27), vai exercer seu último mandato a partir de janeiro de 2027. 

O desafio dos petistas e da esquerda como um todo no Brasil é não perder tração sem a figura de seu principal líder. Aliás, o próprio Lula não se esforçou para consolidar um herdeiro político competitivo.

No Espírito Santo, o cenário é ainda mais complicado, já que o PT perdeu força nos últimos pleitos, tanto nas eleições gerais quanto nas disputas municipais.

Hoje, não há nenhum prefeito do Partido dos Trabalhadores no estado. Em 2024, nem ao segundo turno o partido chegou em Vitória e Cariacica, o que havia conseguido em 2020.
 
A sigla teve algumas vitórias em 2026, sim: reelegeu Jack Rocha para a Câmara dos Deputados, que bateu o recorde de mulher mais votada do estado na história para a Casa, além de ter sido a segunda mais votada entre os candidatos e candidatas para a cadeira em Brasília. 

O deputado estadual João Coser, presidente estadual do PT, foi eleito deputado federal.

Na Assembleia, o partido conquistou três cadeiras, com Açucena, Karla Coser e Júlio da Fetaes.

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Na corrida pelo Palácio Anchieta, os petistas lançaram o deputado federal Helder Salomão, que ficou em terceiro lugar, com 15,32% dos votos (323.483). 

E, muito provavelmente, foram os votos que migraram dele para Ricardo Ferraço (MDB) no segundo turno que provocaram a reação do emedebista na corrida, embora essa injeção de ânimo não tenha sido suficiente para impedir a vitória de Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Os eleitores do presidente se engajaram mais na campanha no segundo turno, inclusive por aqui. 

Mérito da mudança da estratégia nas redes, capitaneada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e dos conselhos da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG). 

A coordenação nacional da campanha de Lula mudou no segundo turno. Nacionalmente, o ex-governador do Ceará Camilo Santana entrou em cena. No Espírito Santo, Helder passou a coordenar os trabalhos.

"Nossa meta era crescer para algo entre 43% e 45% dos votos, ficamos em quase 44%. Trabalhamos para reduzir a abstenção e conseguimos

Helder Salomão (PT) Deputado federal

Em entrevista à coluna nesta segunda-feira (26), Helder afirmou que o crescimento de Lula no país e no Espírito Santo pode ser creditado a dois extremos da faixa etária: jovens e pessoas idosas.

Ele avaliou que o governo Lula precisa mudar o jeito de governar e de se comunicar. "Lula já disse que vai reforçar o digital".

Em todo o Brasil, o presidente teve 10.376.694 de votos a mais no segundo turno em relação à primeira etapa do pleito.

Flávio teve 3.721.538 a mais em relação ao próprio desempenho.

PRORROGAÇÃO DA VOTAÇÃO

A prorrogação da votação, das 17h às 19h, causou confusão, mas, no fim das contas, não influenciou o resultado. 

Na maioria das seções eleitorais nem foi possível estender o período de votação, uma vez que o "expediente" já havia sido encerrado e as urnas estavam fechadas quando a ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin chegou.

Levantamento do G1 com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que apenas 35.521 votos foram registrados após as 17h de domingo.

Flávio e Lula haviam pedido a prorrogação, mas o TSE não respondeu nada e Zanin concedeu o pedido muito em cima da hora, sem viabilidade para a aplicação da medida.

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Letícia Gonçalves

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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