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Ultraliberal

Milei reúne gabinete, saúda papa e 'farma aura', mas não cumprimenta Lula

Presidente da Argentina tornou-se o único líder da América do Sul a não se manifestar sobre a vitória do petista

Publicado em 26 de Outubro de 2026 às 17:03

Agência FolhaPress

Publicado em 

26 out 2026 às 17:03
BUENOS AIRES, ARGENTINA - Desde a manhã desta segunda-feira (26), o presidente da Argentina, Javier Milei, reuniu-se com seu gabinete, apareceu no balcão da Casa Rosada para "farmar aura", recebeu a visita de uma liderança religiosa e comemorou a confirmação da visita do papa Leão 14 ao país no próximo mês.
Mas não cumprimentou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo triunfo sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições deste domingo (25) no Brasil.
Com isso, o ultraliberal tornou-se o único líder da América do Sul a não se manifestar sobre a vitória. A conta do argentino na rede social X, no entanto, é um termômetro da sua reação. Milei compartilha dezenas de mensagens por dia em seu perfil, e, desde a noite de domingo, já republicou uma na qual Lula é comparado com o ditador deposto Nicolás Maduro e outra que sugere irregularidades no pleito brasileiro, sem apresentar provas.
O presidente da Argentina, Javier Milei, em solenidade no Congresso Nacional
O presidente da Argentina, Javier Milei, já comparou Lula a ditador Reuters/ Folhapress
Nesta segunda (26), o assunto voltou a aparecer em seu perfil: "Para o esquerdista médio, não soa estranho: 1. Votar no mesmo candidato que os presos; e 2. Que, quando esse candidato vence, a moeda, a bolsa e os títulos soberanos são pulverizados", afirmou Juan Fernandez, deputado de Buenos Aires e correligionário de Milei, que teve o post republicado pelo presidente.
A imprensa argentina está em compasso de espera pelo seu posicionamento. A aparição do presidente no balcão da Casa Rosada, por exemplo, foi transmitida pelas emissoras como "a primeira após a vitória de Lula".
Ao lado de sua irmã, Karina, e da ministra de Capital Humano, Sandra Pettovello, o ultraliberal fez o movimento frenético com as mãos conhecido nas redes sociais como "six-seven", e jornais disseram que ele estava "farmando aura" -outra gíria adolescente usada para se referir a uma atitude descolada ou imponente.
Em seguida, Milei fez uma reunião com sua equipe de ministros, na qual foram abordados "diversos temas da agenda nacional e internacional, com atenção especial à situação econômica, ao contexto geopolítico global e às prioridades legislativas do governo", de acordo com comunicado oficial da Presidência.
Ele ainda recebeu a visita do canadense John Dunlap, príncipe da Ordem Soberana e Militar de Malta (uma instituição da Igreja Católica) e comemorou a confirmação da visita do papa Leão 14 à Argentina no próximo mês nas redes sociais: "ALEGRÍA ENORME...!!!", afirmou, em suas usuais letras maiúsculas.
O silêncio levou o deputado opositor Esteban Paulon a apresentar um projeto na Câmara para que a Presidência argentina, "no exercício de suas competências em matérias de relações exteriores", reconheça publicamente os resultados eleitorais brasileiros. "Reconhecer a derrota é atitude de gente decente", afirmou.
Políticos e partidos próximos a Milei também estão se descolando da atitude dele.
O ex-presidente Mauricio Macri, por exemplo, parabenizou Lula. "Que seu novo mandato traga prosperidade e crescimento para o seu país e também para a região", afirmou o direitista. O partido PRO (Proposta Republicana), principal aliado do A Liberdade Avança, de Milei, também se manifestou: "Parabenizamos Lula e expressamos nossa vocação de trabalhar para que o diálogo e a cooperação sejam o que caracteriza a relação bilateral".
A vitória do petista representa uma derrota para o ultraliberal, que viajou até o Brasil para apoiar Flávio Bolsonaro e fez de seu governo na Argentina um dos protagonistas das eleições do último domingo (25).
A um ano das eleições no país vizinho, marcadas para 24 de outubro de 2027, 57,6% dos argentinos desaprovam o governo Milei, de acordo com uma compilação de 11 pesquisas feita pelo jornal Clarín. A falta de opções na oposição, porém, ainda o mantém na frente com 42,2% das intenções de voto.

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