Na coluna anterior, destacamos o primeiro grande desafio de Lorenzo Pazolini (Rep) como governador eleito do Espírito Santo: construir uma sólida ponte e uma boa interlocução
com o próximo governo Lula (PT), que tomará posse um dia antes dele, em
janeiro.
Aqui trazemos o segundo desafio político de Pazolini – que poderia
muito bem ser considerado o primeiro, pela ordem –, por ser até mais imediato:
fazer base parlamentar na Assembleia Legislativa.
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Começando nesta segunda-feira (26), day-after da vitória eleitoral, o governador eleito e sua equipe
precisam construir uma base política para governar, a qual hoje, a princípio,
ele não tem. Isso incluindo prefeitos e, principalmente, deputados estaduais
eleitos.
Vale lembrar: dos 30 deputados eleitos no último dia 4, os
quais tomarão posse no dia 1º de fevereiro, só oito (mais ou menos 1/4) foram
eleitos por partidos da coligação de Pazolini, sendo seis do PL (a maior
bancada) e só dois da legenda do ex-prefeito, o Republicanos: Pablo Muribeca e
Davi Esmael.
Enquanto isso, 18 dos 30 (ou seja, 60%) se elegeram por
siglas da coligação do atual governador, Ricardo Ferraço (MDB). Os outros
quatro foram eleitos por partidos de esquerda e apoiaram Helder Salomão (PT) no
primeiro turno.
O novato Davi Esmael e o reeleito Pablo Muribeca certamente
estarão na base de Pazolini. São aliados pessoais. Agora, dentro da própria
bancada do PL, há alguns asteriscos. O agora decano da bancada, Capitão
Assumção, já declarou aqui que pretende se manter independente. Como vereador,
Dárcio Bracarense foi crítico a Pazolini na Câmara de Vitória.
De todo modo, constituir maioria parlamentar não há de ser
tão difícil para Pazolini. “Na real”, a maioria dos deputados estaduais se
comporta como os membros do “Centrão”, em Brasília: vai de acordo com a direção
do vento do poder no Estado. Muitos dos que apoiaram Ricardo, atentos à nova
direção do vento, não hão de ter grande dificuldade em se acomodar na base do
governador entrante.
É o “magnetismo do poder”, que gera uma atração quase
natural.
Mas hoje isso ainda não existe.
Na certa, este é “mais um trabalho” para o presidente
estadual do Republicanos, Erick Musso, principal articulador político da
exitosa campanha de Pazolini.
Deputado estadual por oito anos, entre 2015 e 2022, seis
deles como presidente da Assembleia, Erick tem experiência no ofício. Sabe bem
como funciona a mente da maioria dos deputados estaduais e o que é preciso para
os aproximar do governo estadual.
Na manhã desta segunda-feira (26), em entrevista à rádio CBN
Vitória, Pazolini confirmou uma “previsão” já feita aqui na coluna, mas que
dispensava “bola de cristal”: Erick estará em sua equipe de transição. Só não
confirmou a posição: se ele será ou não o coordenador. Mas estará na equipe.
Articulação com os
prefeitos
Em paralelo, Pazolini & companhia também precisarão
começar a se articular com os atuais prefeitos do Espírito Santo, estado que
tem 78 municípios. Desse total, quase todos (mais de 70) estiveram com Ricardo
no processo eleitoral, especialmente no primeiro turno.
Considerando apenas os dez municípios mais populosos, desde
o comecinho mesmo, Pazolini só pôde contar com o apoio de uma prefeita: exatamente
a sua sucessora em Vitória, Cris Samorini (PP). Mas não é como se tivesse feito
grande diferença... Cris declarou apoio ao sucessor, mas não participou
pessoalmente da campanha e da propaganda dele.
Já no segundo turno, Pazolini pôde contar com a chegada do
prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos (PSD), cuja esposa, a médica Lívia
Vasconcelos (PSD), já passa a ser cotada para participar do secretariado do
próximo governo – especula-se que talvez até como secretária estadual de Saúde.
É uma situação diferente da anterior. Para governar sem
percalços, o chefe do Executivo precisa de maioria na Assembleia. Do Poder
Legislativo, depende sua “governabilidade” e a aprovação de seus projetos.
Já no caso dos prefeitos, a questão na verdade se inbverte:
são os prefeitos que dependem muito mais do Governo do Estado e de uma boa relação
com o Executivo Estadual.
Mas é claro que, politicamente, para ter sucesso no governo,
ampliar sua popularidade, e até pensando desde já na reeleição em 2030, é
importante que o governador eleito tenha uma boa rede de aliados e parceiros
espalhados pelos municípios.
Ainda durante o segundo turno, Pazolini chegou a fazer uma
promessa grandiosa: “Farei o governo mais municipalista da história do Espírito
Santo”. Aceno, é claro, para a “prefeitada”.
Já nas primeiras entrevistas concedidas nesta segunda-feira
(26) aos veículos da Rede Gazeta, o governador eleito também assegurou que buscará
abrir diálogo e governar em parceria com todos os governantes municipais (muitos
dos quais, reitere-se, apoiaram Ricardo contra ele).
Pazolini fez até um paralelo: à CBN Vitória, disse que, em
2020, foi eleito prefeito de Vitória com o apoio de apenas três dos 85 líderes
comunitários da cidade. Uma vez eleito, segundo ele, passou a se reunir
periodicamente e a ouvir as demandas de todos eles. (Em 2024, o então prefeito
teve muito mais apoios e reelegeu-se quase com uma mão nas costas)
O governador eleito deu a entender, assim, que buscará
repetir essa dinâmica, mas em escala maior, com os prefeitos do Espírito Santo.
Mas será muito interessante observar como se dará exatamente
a relação, considerando que muitos prefeitos, inclusive da Grande Vitória, foram
adversários dele no pleito, têm mais dois anos e pouco nos cargos e podem ter
até aspirações relacionadas à próxima disputa estadual.
Entre eles, podemos destacar o de Cariacica, Euclério Sampaio
(MDB), e, principalmente, o de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB).
A conferir, então.
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