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Vitor Vogas

O segundo grande desafio político de Pazolini como governador

Aqui trazemos o segundo desafio político de Pazolini – que poderia muito bem ser considerado o primeiro, pela ordem –, por ser até mais imediato: fazer base parlamentar na Assembleia Legislativa e com os prefeitos do ES

Publicado em 26 de Outubro de 2026 às 16:57

Públicado em 

26 out 2026 às 16:57
Vitor Vogas

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Vitor Vogas Vitor Vogas
Comemoração dos eleitores no comitê de Lorenzo Pazolini, governador eleito no ES
Comemoração dos eleitores no comitê de Lorenzo Pazolini, governador eleito no ES Fernando Madeira

Na coluna anterior, destacamos o primeiro grande desafio de Lorenzo Pazolini (Rep) como governador eleito do Espírito Santo: construir uma sólida ponte e uma boa interlocução com o próximo governo Lula (PT), que tomará posse um dia antes dele, em janeiro.


Aqui trazemos o segundo desafio político de Pazolini – que poderia muito bem ser considerado o primeiro, pela ordem –, por ser até mais imediato: fazer base parlamentar na Assembleia Legislativa.


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Começando nesta segunda-feira (26), day-after da vitória eleitoral, o governador eleito e sua equipe precisam construir uma base política para governar, a qual hoje, a princípio, ele não tem. Isso incluindo prefeitos e, principalmente, deputados estaduais eleitos.


Vale lembrar: dos 30 deputados eleitos no último dia 4, os quais tomarão posse no dia 1º de fevereiro, só oito (mais ou menos 1/4) foram eleitos por partidos da coligação de Pazolini, sendo seis do PL (a maior bancada) e só dois da legenda do ex-prefeito, o Republicanos: Pablo Muribeca e Davi Esmael.


Enquanto isso, 18 dos 30 (ou seja, 60%) se elegeram por siglas da coligação do atual governador, Ricardo Ferraço (MDB). Os outros quatro foram eleitos por partidos de esquerda e apoiaram Helder Salomão (PT) no primeiro turno.


O novato Davi Esmael e o reeleito Pablo Muribeca certamente estarão na base de Pazolini. São aliados pessoais. Agora, dentro da própria bancada do PL, há alguns asteriscos. O agora decano da bancada, Capitão Assumção, já declarou aqui que pretende se manter independente. Como vereador, Dárcio Bracarense foi crítico a Pazolini na Câmara de Vitória.


De todo modo, constituir maioria parlamentar não há de ser tão difícil para Pazolini. “Na real”, a maioria dos deputados estaduais se comporta como os membros do “Centrão”, em Brasília: vai de acordo com a direção do vento do poder no Estado. Muitos dos que apoiaram Ricardo, atentos à nova direção do vento, não hão de ter grande dificuldade em se acomodar na base do governador entrante.


É o “magnetismo do poder”, que gera uma atração quase natural.


Mas hoje isso ainda não existe.


Na certa, este é “mais um trabalho” para o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, principal articulador político da exitosa campanha de Pazolini.


Deputado estadual por oito anos, entre 2015 e 2022, seis deles como presidente da Assembleia, Erick tem experiência no ofício. Sabe bem como funciona a mente da maioria dos deputados estaduais e o que é preciso para os aproximar do governo estadual.


Na manhã desta segunda-feira (26), em entrevista à rádio CBN Vitória, Pazolini confirmou uma “previsão” já feita aqui na coluna, mas que dispensava “bola de cristal”: Erick estará em sua equipe de transição. Só não confirmou a posição: se ele será ou não o coordenador. Mas estará na equipe.  

Articulação com os prefeitos

Em paralelo, Pazolini & companhia também precisarão começar a se articular com os atuais prefeitos do Espírito Santo, estado que tem 78 municípios. Desse total, quase todos (mais de 70) estiveram com Ricardo no processo eleitoral, especialmente no primeiro turno.


Considerando apenas os dez municípios mais populosos, desde o comecinho mesmo, Pazolini só pôde contar com o apoio de uma prefeita: exatamente a sua sucessora em Vitória, Cris Samorini (PP). Mas não é como se tivesse feito grande diferença... Cris declarou apoio ao sucessor, mas não participou pessoalmente da campanha e da propaganda dele.


Já no segundo turno, Pazolini pôde contar com a chegada do prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos (PSD), cuja esposa, a médica Lívia Vasconcelos (PSD), já passa a ser cotada para participar do secretariado do próximo governo – especula-se que talvez até como secretária estadual de Saúde.


É uma situação diferente da anterior. Para governar sem percalços, o chefe do Executivo precisa de maioria na Assembleia. Do Poder Legislativo, depende sua “governabilidade” e a aprovação de seus projetos.


Já no caso dos prefeitos, a questão na verdade se inbverte: são os prefeitos que dependem muito mais do Governo do Estado e de uma boa relação com o Executivo Estadual.


Mas é claro que, politicamente, para ter sucesso no governo, ampliar sua popularidade, e até pensando desde já na reeleição em 2030, é importante que o governador eleito tenha uma boa rede de aliados e parceiros espalhados pelos municípios.


Ainda durante o segundo turno, Pazolini chegou a fazer uma promessa grandiosa: “Farei o governo mais municipalista da história do Espírito Santo”. Aceno, é claro, para a “prefeitada”.


Já nas primeiras entrevistas concedidas nesta segunda-feira (26) aos veículos da Rede Gazeta, o governador eleito também assegurou que buscará abrir diálogo e governar em parceria com todos os governantes municipais (muitos dos quais, reitere-se, apoiaram Ricardo contra ele).


Pazolini fez até um paralelo: à CBN Vitória, disse que, em 2020, foi eleito prefeito de Vitória com o apoio de apenas três dos 85 líderes comunitários da cidade. Uma vez eleito, segundo ele, passou a se reunir periodicamente e a ouvir as demandas de todos eles. (Em 2024, o então prefeito teve muito mais apoios e reelegeu-se quase com uma mão nas costas)


O governador eleito deu a entender, assim, que buscará repetir essa dinâmica, mas em escala maior, com os prefeitos do Espírito Santo.


Mas será muito interessante observar como se dará exatamente a relação, considerando que muitos prefeitos, inclusive da Grande Vitória, foram adversários dele no pleito, têm mais dois anos e pouco nos cargos e podem ter até aspirações relacionadas à próxima disputa estadual.


Entre eles, podemos destacar o de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), e, principalmente, o de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB).


A conferir, então. 

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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