O principal dado da pesquisa Quaest para a Rede Gazeta, na véspera do segundo turno da eleição para governador, traz a melhor notícia de
todas para o candidato do Republicanos, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo
Pazolini. No cálculo dos votos válidos, o instituto apresenta Pazolini com 55%,
contra 45% do candidato do MDB, o atual governador, Ricardo Ferraço. É uma
vantagem de 10 pontos, diferença importante a menos de 24 horas da abertura das
seções eleitorais.
A sondagem, assim, consolida o favoritismo de Pazolini, carregado
por ele desde que saiu do primeiro turno, no dia 4, com 49,65% dos votos válidos
nas urnas, mais de 15 pontos à frente de Ricardo, que obteve 34,06%. Mas não
permite dizer que o jogo está encerrado.
Segundo a Quaest, para 86% dos 2.154 entrevistados, a escolha do voto é definitiva, enquanto 13% admitem mudar até o encontro com a urna. Entre os eleitores de Ricardo, 13% dizem que podem mudar. Entre os de Pazolini, são 12%.
Independentemente da intenção de voto, 59% acreditam que Pazolini
vencerá, enquanto 26% creem que será o atual governador.
Por outro lado, o levantamento contém sinais relevantes de
crescimento de Ricardo em alguns indicadores. Os mais importantes são a
intenção espontânea de voto e, principalmente, a estimulada.
Na espontânea, quando o entrevistado não tem acesso aos nomes
dos candidatos, Pazolini manteve os 35% de menções obtidos na pesquisa anterior
da série, no dia 14 de outubro. Já Ricardo cresceu 5 pontos, passando de 27%
para 32%. Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais
ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados na espontânea.
Já na estimulada, a campanha do atual governador encontra a
melhor notícia. A vantagem de Pazolini, que era de 9 pontos na rodada anterior,
agora se estreitou para apenas 4 pontos.
No dia 14 de outubro, Pazolini tinha 47% da intenção
estimulada, ante 38% de Ricardo. O ex-prefeito oscilou um pouco para baixo,
enquanto Ricardo oscilou um pouco para cima. Agora, Pazolini tem 45%, contra
41% de Ricardo. Considerando a margem de erro da sondagem, essa diferença de 4
pontos entre eles configura empate técnico na estimulada.
Neste ponto, o leitor pode se perguntar: ora, se há empate
técnico de 4 pontos na estimulada (45% a 41%), o que explica a vantagem de 10
pontos (55% a 45%) a favor de Pazolini quando se convertem os votos totais em
votos válidos? A resposta está na metodologia adotada pela Quaest.
De acordo com o instituto, “para estimar os votos válidos, a
Quaest utiliza um modelo de likely voters
(eleitores prováveis), que considera apenas os eleitores que têm alta chance
de, de fato, irem votar amanhã”. É a partir dessa ponderação que a Quaest
estima que Pazolini tem 55% em votos válidos, enquanto Ricardo tem 45%.
Como se verá a seguir, Ricardo cresceu muito, nos últimos
dez dias, entre idosos e eleitores que têm só o fundamental. São eleitores que
têm maior probabilidade de se absterem (ou seja, eleitores “não tão prováveis”,
considerando a metodologia de likely
voters da Quaest).
CRUZAMENTO DOS DADOS
Transfusão dos votos
de Helder para Ricardo praticamente se completa
Quando se analisam os dados segmentados, a primeira
constatação importante é a transferência quase integral dos eleitores de Helder
Salomão (PT) para Ricardo.
A esta altura do processo, 87% dos eleitores do petista migraram
para o atual governador, que não procurou o PT nem fez pedido explícito de voto
para esses eleitores, mas realizou alguns acenos – como ao dizer que é um
representante do “centro democrático”, em sabatina para A Gazeta e CBN Vitória.
No mesmo dia, a direção estadual do PT emitiu seu
posicionamento no segundo turno, orientando voto contra os aliados da família
Bolsonaro no Espírito Santo (no caso, Pazolini, que tem o apoio do PL e passou
a vincular sua imagem intensamente à de Flávio Bolsonaro na segunda etapa da
campanha).
Indo além, o presidente estadual do PT, João Coser, chegou a
declarar voto em Ricardo, após tratativas com o ex-governador Renato Casagrande
(PSB), principal apoiador de seu sucessor no cargo.
Evangélicos estão
dando a vitória a Pazolini
O cruzamento dos dados também revela que, desde a rodada
anterior, na intenção estimulada de voto, Ricardo teve crescimento importante
em vários segmentos do eleitorado, divididos por gênero, renda, escolaridade,
religião, identificação política etc. Nos últimos dez dias, Pazolini teve crescimento
expressivo somente entre evangélicos.
Aliás, o recorte por religião mostra uma evidente divisão. Entre católicos, Ricardo virou o jogo, tornando-se o preferido dos que professam essa religião: no dia 14 de outubro, o governador perdia para Pazolini entre os católicos por 9 pontos: o ex-prefeito o derrotava nesse grupo por 47% a 38%. Agora, a situação se inverteu, e é Ricardo quem ganha por 9 pontos: 49% a 40%.
Os católicos são 48% dos entrevistados pela Quaest.
Em contrapartida, entre evangélicos, Pazolini já predominava
e agora ampliou sua diferença (provável efeito do bolsonarismo). No dia 14, sua
vantagem era de 18 pontos (50% a 32%); agora, subiu para 28 pontos (57% a 29%).
Os evangélicos correspondem a 35% dos entrevistados.
Ricardo cresce entre
homens e mulheres
No recorte por gênero, entre as mulheres, os dois seguem
tecnicamente empatados, mas Ricardo cresceu e agora está numericamente à frente
de Pazolini: 43% a 42% a favor do governador.
Entre os homens, Pazolini segue numericamente à frente, mas a
vantagem do ex-prefeito caiu pela metade, de 16 para 8 pontos. Agora, o ex-prefeito
tem 47%, contra 39% do governador. Nesse estrato, a margem de erro é de 4
pontos percentuais para mais ou para menos. Assim, no limite da margem de erro,
ambos estão tecnicamente empatados também entre os homens.
Mulheres são 53% dos entrevistados; homens, 47%.
Candidato do MDB
cresce entre idosos
Na estratificação por idade, a oscilação mais importante se
observou entre os idosos (60 anos ou mais), grupo em que houve uma inversão a
favor de Ricardo. Há dez dias, o governador perdia por 10 pontos: tinha 35% da
intenção estimulada, contra 45% de Pazolini. Agora, o atual incumbente vence
nesse grupo por 6 pontos: 46% a 40%.
Os dois estão tecnicamente empatados entre os idosos, que
25% dos entrevistados.
Ricardo cresce entre
quem só tem o fundamental
No caso da escolaridade, a diferença principal se deu entre
eleitores que só têm o ensino fundamental (44% dos entrevistados). No dia 14,
Pazolini tinha vantagem de 16 pontos: 51% a 35%. Agora, os dois estão
numericamente empatados, cada um com 41%.
Governador melhora
entre quem tem renda média
No caso da divisão por renda, houve um estreitamento da vantagem
de Pazolini entre os que ganham de 2 a 5 salários mínimos (46% dos
entrevistados). Na rodada anterior, o ex-prefeito vencia por 15 pontos: 50% a
35%. Agora, os dois estão tecnicamente empatados: 45% a 42% a favor de Pazolini.
Ricardo agora lidera
entre pessoas pretas
Na segmentação por cor da pele, Ricardo reduziu um pouco a distância
de Pazolini entre brancos e pardos.
Mas o principal movimento foi observado entre as pessoas
pretas (12% dos entrevistados). Há dez dias, nesse nicho, o governador estava 7
pontos atrás do ex-prefeito. Agora, invertendo a situação, está 14 pontos à
frente (49% a 35%), ganhando fora da margem de erro dentro desse grupo.
Governador se
consolida como candidato preferido pela esquerda
Finalmente, na divisão por autodeclaração política, não
houve variações dignas de nota entre independentes e bolsonaristas. Enre bolsonaristas (16% do total), Pazolini segue dominando amplamente. Entre
eleitores de direita não bolsonarista (24% do total), o ex-prefeito aumentou um pouco sua vantagem.
Mas os movimentos mais consideráveis se deram entre
eleitores de esquerda, em favor de Ricardo. Entre os de esquerda não lulista
(13% dos entrevistados), o atual governador ampliou sua vantagem, que já era
grande, de 53 para 67 pontos. Agora, tem 79% da intenção estimulada, ante 12%
de Pazolini.
Mais importante ainda: Ricardo consolidou-se como o
candidato dos lulistas (16% da amostragem). Entre esses eleitores, no dia 14, a
vantagem do governador era de 35 pontos. Agora, dilatou-se para 71 pontos, ou seja,
dobrou.
Ricardo agora é a opção de voto de 82% dos lulistas, contra 11% que dizem que votarão em Pazolini.
Eleições 2026
Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral
A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral no Espírito Santo, contratada pela TV Gazeta, foi realizada nos dias 23 e 24 de outubro, com 2.154 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-04365/2026.
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