A derrota de Ricardo Ferraço (MDB) é também a derrota do ex-governador Renato Casagrande (PSB) no Espírito Santo. O socialista foi o principal apoiador e, ao fim e ao cabo, quem "bancou" politicamente a candidatura do emedebista.
Não seria exagero dizer que Casagrande perdeu na mesma proporção que Ricardo, apesar de que o socialista, ao contrário do aliado, vai ter mandato no ano que vem, já que foi eleito senador.
Ricardo quase foi derrotado já no primeiro turno, uma vez que o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) alcançou 49,65% dos votos na primeira etapa do pleito.
Como consequência, para ser reeleito o governador teria que provocar uma virada histórica e inédita: vencer no segundo turno superando os 15,59 pontos percentuais de vantagem do adversário.
A campanha de Ricardo melhorou no segundo turno, ele herdou votos do petista Helder Salomão, que ficou em terceiro lugar no dia 4 de outubro, e se aproximou de Pazolini na corrida, mas não foi o suficiente. O placar foi de 52,17% a 47,83%.
Na cabeça de muitos apoiadores e talvez até de alguns adversários, certamente vai pairar uma dúvida: "E se?"
ARNALDINHO BORGO
E se Casagrande tivesse escolhido outro aliado para apoiar como candidato ao Palácio Anchieta? Será que o grupo casagrandista seguiria no poder? O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), tentou ao máximo ser o ungido, mas foi preterido.
Nunca saberemos o desfecho dessa realidade alternativa.
Arnaldinho apoiou Ricardo em Vila Velha. No primeiro turno, porém, o emedebista teve apenas metade dos votos de Pazolini na cidade (54,03% a 27,13%); no segundo, reduziu a diferença, mas Pazolini ainda foi o vencedor, com 54,40% contra 45,60%. Ou seja, por tabela, Arnaldinho também foi um dos que perderam junto com Ricardo Ferraço.
Aliás, se o emedebista tivesse sido reeleito, não poderia concorrer novamente ao mesmo cargo em 2030, o que seria, em tese, uma oportunidade para o prefeito de Vila Velha ser o candidato governista.
Nada impede, claro, que o tucano concorra daqui a quatro anos, mas teria que fazer isso como oposição, enquanto Pazolini teria a máquina na mão.
WEVERSON E VIDIGAL
Na Serra, Ricardo contou com o apoio do prefeito Weverson Meireles e do ex-prefeito Sérgio Vidigal, ambos do PDT. No primeiro turno, o governador teve apenas metade dos votos de Pazolini lá (52,87% a 26,89%); no segundo, o desempenho foi muito melhor.
Ricardo chegou a 48,56% dos votos na Serra, mas ainda assim perdeu para Pazolini, que marcou 51,44%.
A derrota na Serra, assim como em Vila Velha, fez muita diferença porque esses municípios são os dois maiores colégios eleitorais do estado.
Weverson e Vidigal, vitoriosos no pleito de 2024 (o atual prefeito, como candidato e o agora ex-mandatário como apoiador dele) não conseguiram transferir capital político suficiente para ajudar Ricardo.
MDB
O MDB, partido de Ricardo, passou por um longo período de barata-voa nos últimos anos no estado. Ganhou um nível de organização e pacificação sob a presidência do governador e, depois, do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, mas tende a se enfraquecer novamente agora que não vai mais estar no centro do poder estadual.
O partido nem participou da disputa por vagas na Câmara dos Deputados, não lançou chapa. Mas elegeu dois deputados estaduais, Mazinho dos Anjos e Vandinho Leite.
PSB
O PSB de Casagrande, tradicionalmente, fortalece-se no estado quando Casagrande está no poder. Logo, pode se enfraquecer também, apesar de ter eleito três deputados estaduais (Dary Pagung, Janete de Sá e Victor Coelho).