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Letícia Gonçalves

Quem foi derrotado junto com Ricardo Ferraço no ES em 2026

Governador não sofreu uma derrota acachapante no segundo turno, mas, de qualquer forma, perdeu. O maior derrotado é o ex-governador Renato Casagrande (PSB)), mas não apenas ele

Publicado em 26 de Outubro de 2026 às 06:05

Públicado em 

26 out 2026 às 06:05
Letícia Gonçalves

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Máscaras de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande
Máscaras de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande Rodrigo Zaca/Divulgação
A derrota de Ricardo Ferraço (MDB) é também a derrota do ex-governador Renato Casagrande (PSB) no Espírito Santo. O socialista foi o principal apoiador e, ao fim e ao cabo, quem "bancou" politicamente a candidatura do emedebista. 

Não seria exagero dizer que Casagrande perdeu na mesma proporção que Ricardo, apesar de que o socialista, ao contrário do aliado, vai ter mandato no ano que vem, já que foi eleito senador.

Ricardo quase foi derrotado já no primeiro turno, uma vez que o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) alcançou 49,65% dos votos na primeira etapa do pleito.


Como consequência, para ser reeleito o governador teria que provocar uma virada histórica e inédita: vencer no segundo turno superando os 15,59 pontos percentuais de vantagem do adversário.

A campanha de Ricardo melhorou no segundo turno, ele herdou votos do petista Helder Salomão, que ficou em terceiro lugar no dia 4 de outubro, e se aproximou de Pazolini na corrida, mas não foi o suficiente. O placar foi de 52,17% a 47,83%.

A diferença de 4,34 pontos percentuais mostra que a derrota não foi acachapante, muito ao contrário. Na prática, porém, o fato é que Ricardo Ferraço não será mais o governador a partir de 6 de janeiro de 2027.

Na cabeça de muitos apoiadores e talvez até de alguns adversários, certamente vai pairar uma dúvida: "E se?"

ARNALDINHO BORGO

E se Casagrande tivesse escolhido outro aliado para apoiar como candidato ao Palácio Anchieta? Será que o grupo casagrandista seguiria no poder? O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), tentou ao máximo ser o ungido, mas foi preterido.

Nunca saberemos o desfecho dessa realidade alternativa.

Arnaldinho apoiou Ricardo em Vila Velha. No primeiro turno, porém, o emedebista teve apenas metade dos votos de Pazolini na cidade (54,03% a 27,13%); no segundo, reduziu a diferença, mas Pazolini ainda foi o vencedor, com 54,40% contra 45,60%. Ou seja, por tabela, Arnaldinho também foi um dos que perderam junto com Ricardo Ferraço.

Aliás, se o emedebista tivesse sido reeleito, não poderia concorrer novamente ao mesmo cargo em 2030, o que seria, em tese, uma oportunidade para o prefeito de Vila Velha ser o candidato governista.

Nada impede, claro, que o tucano concorra daqui a quatro anos, mas teria que fazer isso como oposição, enquanto Pazolini teria a máquina na mão.

WEVERSON E VIDIGAL

Na Serra, Ricardo contou com o apoio do prefeito Weverson Meireles e do ex-prefeito Sérgio Vidigal, ambos do PDT. No primeiro turno, o governador teve apenas metade dos votos de Pazolini lá (52,87% a 26,89%); no segundo, o desempenho foi muito melhor. 

Ricardo chegou a 48,56% dos votos na Serra, mas ainda assim perdeu para Pazolini, que marcou 51,44%.

A derrota na Serra, assim como em Vila Velha, fez muita diferença porque esses municípios são os dois maiores colégios eleitorais do estado.

Weverson e Vidigal, vitoriosos no pleito de 2024 (o atual prefeito, como candidato e o agora ex-mandatário como apoiador dele) não conseguiram transferir capital político suficiente para ajudar Ricardo.

MDB

O MDB, partido de Ricardo, passou por um longo período de barata-voa nos últimos anos no estado. Ganhou um nível de organização e pacificação sob a presidência do governador e, depois, do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, mas tende a se enfraquecer novamente agora que não vai mais estar no centro do poder estadual.

O partido nem participou da disputa por vagas na Câmara dos Deputados, não lançou chapa. Mas elegeu dois deputados estaduais, Mazinho dos Anjos e Vandinho Leite.

PSB

O PSB de Casagrande, tradicionalmente, fortalece-se no estado quando Casagrande está no poder. Logo, pode se enfraquecer também, apesar de ter eleito três deputados estaduais (Dary Pagung, Janete de Sá e Victor Coelho).

Saímos de cabeça erguida, com orgulho do legado que deixamos para os capixabas

Renato Casagrande (PSB) Ex-governador do ES


O ex-governador comandou o Palácio Anchieta por três mandatos. Venceu em 2010, perdeu em 2014, venceu novamente em 2018 e em 2022.

Casagrande segue vivo no jogo, não é impossível, por exemplo, que ele concorra ao Palácio Anchieta em 2030, enquanto terá garantidos mais quatro anos de mandato em Brasília (o mandato de senador é de oito anos), mas o resultado da disputa de 2026 pelo Executivo estadual é um duro revés.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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