O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o governador Ricardo Ferraço (MDB) dispararam vários petardos um contra o outro, mas nada com potencial para provocar uma grande reviravolta na reta final do pleito.
Aliás, a equipe do candidato do Republicanos só confirmou que ele iria participar do debate às 20h15, pouco antes de o ex-prefeito chegar à Rede Gazeta. O debate começou às 22h30.
Se Pazolini não tivesse aparecido, esta coluna destacaria que o ex-prefeito privou os eleitores da possibilidade de comparar diretamente os dois candidatos em uma fase decisiva do processo eleitoral.
Ele passaria até uma imagem de arrogância, imbuída do clima de "já ganhou", considerando que foi o candidato mais votado no primeiro turno, com ampla vantagem.
A ausência dele poderia ocorrer por razões pragmáticas, para não ficar sob a mira de um adversário que não tem nada a perder.
Mas o ex-prefeito decidiu prestigiar o debate e ficar frente a frente com Ricardo.
Mais ou menos. Pazolini não olhou diretamente para o governador em nenhum momento. Os dois puderam caminhar livremente pelo estúdio da TV Gazeta e ficaram bem próximos, mas o republicano preferiu evitar o contato visual com o adversário.
Ricardo é quem precisava ter um desempenho excepcional ou torcer por um tropeço colossal do adversário, já que largou atrás na corrida. No fim das contas, ninguém foi muuuito mal e ninguém foi muito bem.
O governador pareceu mais "solto" que nos debates anteriores. Creio que o fato de poder caminhar e gesticular mais livremente o ajudou.
Já o ex-prefeito de Vitória, apesar de depois do primeiro bloco também ter dado vários passos pelo estúdio, teve uma postura corporal mais estática, mecânica. Talvez faça isso para manter a concentração. Ele estava atento a todas as palavras proferidas pelo adversário.
Entre os temas abordados e farpas disparadas pelos dois, não houve nenhuma novidade. Em comparação com os debates realizados no primeiro turno, contudo, este foi mais ácido.
Afinal, o dia da votação já é domingo (25). Foi uma espécie de "fale agora ou cale-se para sempre". Quem perder não precisa se calar de verdade (assim esperamos, numa democracia), mas tratou-se do momento final para convencer os eleitores a votar em um dos candidatos nesta eleição.
CHAMEM O RATINHO PARA FAZER DNA
Pazolini e Ricardo travaram uma espécie de briga pela paternidade de realizações da Prefeitura de Vitória e do governo estadual.
O emedebista acusou, por várias vezes, de "se apropriar do trabalho alheio", enquanto o republicano sustentou que foi o trabalho desenvolvido em Vitória que colaborou com o estado e não o contrário.
"POLÍTICO PROFISSIONAL" X "NÃO ENTENDE NADA"
Na maioria dos blocos com tema livre, foi Ricardo quem ditou os assuntos Ele decidia, no meio dos blocos: "agora vamos falar de educação", ou "saúde", por exemplo, e Pazolini seguia, inserindo farpas sobre outros tópicos no meio da conversa.
No primeiro bloco, entretanto, por ordem de sorteio, quem começou perguntando foi Pazolini e ele escolheu o tema segurança pública. Delegado da Polícia Civil, o ex-prefeito apresentou-se como um especialista na área e apontou o que considerou falta de conhecimento de Ricardo.
"O candidato não entende nada de segurança pública. Ele recebeu um papel, leu, treinou e decorou", disparou Pazolini.
O assunto voltou à baila no início do segundo bloco, pois o tema sorteado foi "facções criminosas". Ricardo aproveitou para dizer que o ex-prefeito "deixou a polícia há muitos anos" (Pazolini licenciou-se da Polícia Civil em 2018, quando foi eleito deputado estadual): "Você virou um político profissional".
No que o ex-prefeito retrucou: "Político profissional?! Quando eu nasci, o candidato já era vereador. Isso é política profissional".
Aqui, Pazolini aproveitou para citar algo que não tinha falado até agora na campanha, ressaltou que Ricardo não tem formação acadêmica.
"Eu trabalhei, me esforcei, estudei, prestei um concurso público (...) O candidato adversário não fez isso na sua vida. Busque saber qual é a formação do candidato. Mesmo vindo de uma família com muitas posses, mesmo vindo de uma família com muita condição, ele não quis se qualificar".
"Vejam quanto preconceito, quanta agressividade", retrucou o governador.