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Letícia Gonçalves

Os prós e os contras do abraço de Pazolini a Flávio Bolsonaro no ES

Pesquisa Quaest mostra que 44% dos eleitores gostariam que o governador a ser eleito fosse aliado do candidato do PL à Presidência da República

Publicado em 15 de Outubro de 2026 às 16:19

Públicado em 

15 out 2026 às 16:19
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Flávio Bolsonaro e Lorenzo Pazolini se abraçam em evento do PL em Vitória (18/07/2026)
Flávio Bolsonaro e Lorenzo Pazolini se abraçam em evento do PL em Vitória, em julho Fernando Madeira
O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) foi o candidato mais votado para o governo do Espírito Santo no primeiro turno (49,65%). Chegou lá sem nem mencionar voluntariamente, durante a campanha oficial, o nome do candidato a presidente da República apoiado por ele, o senador do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro (PL).

A estratégia deu certo, considerando o resultado do pleito, afinal, Pazolini quase foi eleito já no último dia 4.

No segundo turno, o ex-prefeito deu uma guinada. Fez material de campanha com fotos ao lado de Flávio, gravou vídeo com o candidato do PL em Brasília e vai até recebê-lo em Vitória, no próximo sábado (17).

Será que isso tudo é uma boa ideia? 

Um dado da pesquisa Quaest publicada na quarta-feira (14) indica que a resposta é sim. 

Em agosto, em meio ao primeiro turno, 32% dos entrevistados disseram que gostariam que o governador a ser eleito fosse aliado de Flávio.

Esse percentual cresceu para 44% agora.

Ao passo que houve uma queda vertiginosa dos eleitores que preferem um governador independente em relação aos candidatos ao Palácio do Planalto.

Esses eram 41% em agosto e passaram para 21%.
Isso quer dizer que a relação candidato a governador-candidato a presidente é tudo que importa no pleito estadual? Não.

Mas é uma notícia ruim para o governador Ricardo Ferraço (MDB), adversário de Pazolini, uma vez que o emedebista se apresenta como independente.

Ricardo não declarou apoio a nenhum candidato à Presidência no primeiro turno e, no segundo, não escolheu publicamente entre Flávio e o presidente Lula (PT).

A postura "em cima do muro" pode ter causado prejuízo a ele na primeira etapa do pleito, embora outras questões também tenham pesado, como já listei aqui.

O próprio governador avaliou, no dia 5, que houve a "nacionalização" da decisão do voto do eleitor na disputa pelo Palácio Anchieta.

Essa nacionalização pode aumentar no segundo turno, a julgar pela estratégia de Pazolini e pela predisposição dos eleitores.

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Um adendo: 28% dos entrevistados na pesquisa gostariam que o futuro governador fosse aliado de Lula.

Isso não é possível, já que nem Pazolini nem Ricardo atendem a esse requisito. 

O PT teve candidato ao Palácio Anchieta, o deputado federal Helder Salomão, que ficou em terceiro lugar, com 15,32% dos votos (323.483).

A orientação do Partido dos Trabalhadores é não votar no candidato apoiado por Flávio. É uma espécie de "não-voto" em Pazolini, sem encorajar o voto nulo ou a abstenção, o que, indiretamente, favorece Ricardo.

A Quaest mostrou que 63% dos eleitores de Helder devem migrar para Ricardo e 18%, para Pazolini.

O fortalecimento da associação entre o republicano e o candidato do PL à Presidência deve afastar ainda mais os eleitores do PT do palanque do ex-prefeito. 

Então, é uma faca de dois gumes, mas o percentual dos eleitores pró-Flávio é maior que o dos pró-Lula, uma conta que a campanha de Pazolini certamente já fez.

A VANTAGEM DE PAZOLINI

De qualquer forma, os percentuais de intenção de voto registrados pela pesquisa Quaest de quarta-feira indicam que Ricardo até reagiu, mas não o suficiente para virar o jogo.

O ex-prefeito de Vitória segue com uma vantagem significativa na corrida.

As intenções estimuladas de voto são de 47% para Pazolini e 38% para Ricardo. 

Um cálculo de votos válidos, feito pela coluna e não pela Quaest, mostra que Pazolini tem 55,29% e Ricardo, 44,71%.

A conta para se chegar à projeção de votos válidos foi feita excluindo votos brancos, nulos, indecisos e quem não pretende ir às urnas.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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