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Letícia Gonçalves

As intrigas que precederam deserções do palanque de Ricardo

Partidos e lideranças políticas soltaram a mão do governador, após a constatada vantagem do adversário dele, Lorenzo Pazolini

Publicado em 15 de Outubro de 2026 às 05:00

Públicado em 

15 out 2026 às 05:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
O candidato ao governo do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, compareceu ao debate, mas Lorenzo Pazolini não
O candidato ao governo do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, compareceu ao debate, mas Lorenzo Pazolini não Fernando Madeira

O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) teve 49,65% dos votos no último dia 4 na disputa pelo governo do Espírito Santo e quase venceu o governador Ricardo Ferraço (MDB) já no primeiro turno. Agora, em meio à campanha da segunda etapa do pleito, várias lideranças políticas soltaram a mão de Ricardo e declararam apoio a Pazolini.


Parece que abandonaram o barco sem pudores quando a situação ficou difícil, apenas para garantir um lugar ao lado do pretenso vencedor. E é, em parte, isso mesmo.

Mas há também outras histórias por trás desta história. 


Os partidos União Brasil e Podemos, que estão na coligação de Ricardo, já migraram para o palanque adversário. Fizeram isso sob o subterfúgio de que a decisão foi das direções nacionais das respectivas siglas.

Só que o presidente estadual do União, o deputado estadual Marcelo Santos, desde meados do primeiro turno já acumulava alguns atritos com a base ricardista e, principalmente, casagrandista.

O mesmo se pode dizer do deputado federal Da Vitória, presidente estadual do PP, que integra a superfederação União Progressista. 

O PP ainda não trocou de time oficialmente, mas na última sexta-feira (9) Da Vitória apareceu, com Marcelo Santos, ao lado de Pazolini em um café da manhã. Posaram para foto e tudo. 
Da Vitória, Marcelo Santos, Erick Musso e Lorenzo Pazolini
Da Vitória, Marcelo Santos, Erick Musso e Lorenzo Pazolini Instagram/@lorenzopazolini


O principal apoiador do emedebista é o ex-governador Renato Casagrande (PSB). Marcelo, Da Vitória e Gilson não gostaram de constatar o que consideraram favorecimento de Casagrande em prol de outros candidatos a deputado federal, notadamente da ex-secretária estadual de Governo Emanuela Pedroso, a Manu (PSB).

Ela foi eleita. Os três também. E agora estes estão com um certo ar de revanche, não confessado publicamente, mas patente para quem acompanha o passo a passo do entrevero.

Ainda no primeiro turno, Da Vitória e Gilson Daniel deixaram o ex-governador de lado. Casagrande foi candidato a senador e se elegeu, mas os dois deputados federais fizeram campanha para um adversário dele, o também deputado federal Evair de Melo (Republicanos), que foi eleito e quase superou a votação do socialista.

Até o resultado das urnas de domingo (4), contudo, ainda não havia sobrado para Ricardo.

Depois que Pazolini superou a votação do governador é que a debandada foi tomando forma. Algo que vai além dos três deputados aqui citados.

Em Vila Velha, ocorreu um fenômeno curioso. O prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) trabalhou ostensivamente pela reeleição de Ricardo no primeiro turno. No segundo, está silente. 

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Mas vereadores que outrora integraram a base do prefeito e são de partidos da coligação de Ricardo agora estão com Pazolini. É o caso de Renzo Mendes (Podemos) e Anadelso Pereira (PSDB).

Carol Caldeira é do DC, sigla que não se juntou formalmente ao palanque do governador em nenhum momento. No segundo turno, a vereadora de Vila Velha também declarou apoio ao ex-prefeito de Vitória.

Os três têm em comum o fato de terem saído das urnas com um resultado tímido. Estão chateados com a falta de apoio de Arnaldinho no pleito. Renzo foi candidato a deputado federal. Anadelso e Carol disputaram vagas na Assembleia Legislativa. 

A GOTA D'ÁGUA

Temos ainda o caso do ex-prefeito de Ibatiba Luciano Pingo (Agir), outro que mudou de lado. Muito próximo a Casagrande, já foi até filiado ao MDB de Ricardo e, no primeiro turno, estava com o governador e o ex-governador.

Nesta quarta (14), declarou apoio a Pazolini. "Escolho o caminho que valida a vontade majoritária do nosso povo", justificou Pingo, como registrou o colunista Vitor Vogas.

Em outras palavras, o ex-prefeito de Ibatiba decidiu seguir o caminho que a maior parte dos eleitores percorreu, mas só depois que o resultado já estava consolidado. 

A lealdade dos novos apoiadores de Pazolini, entretanto, é questionável. Nada garante que, se a maré mudar, antes ou depois do dia 25 de outubro, eles não recalculem a rota novamente.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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