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Vitor Vogas

Vazamentos na base do governo: ex-prefeito que foi do MDB declara apoio a Pazolini

Ex-prefeito de Ibatiba, Luciano Pingo, e parte de seu grupo político passam para o lado do candidato do Republicanos. Na maior parte de sua trajetória política, Pingo foi filiado ao MDB, sigla de Ricardo, com direito a militância na juventude do partido

Publicado em 14 de Outubro de 2026 às 13:22

Públicado em 

14 out 2026 às 13:22
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Convenção estadual do Pros
Luciano Pingo ao lado de Ricardo Ferraço e Victor Linhalis (eleição de 2022) Rodrigo Gavini

De gota em gota, de pingo em pingo, este 2º turno tem exposto alguns vazamentos na ampla base política erguida pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB) para dar sustentação à candidatura à reeleição do seu sucessor no cargo, Ricardo Ferraço (MDB). Consistente até o 1º turno da votação, no último dia 4, a base tem sofrido focos de dissidência e defecções para o lado de Lorenzo Pazolini (Republicanos), incluindo partidos e líderes locais.

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Nesta quarta-feira (14), quem anunciou apoio a Pazolini no 2º turno, após ter apoiado Ricardo no 1º, foi o ex-prefeito de Ibatiba Luciano Pingo. O que se destaca no caso do ex-prefeito é que, na maior parte de sua trajetória política, ele foi filiado ao MDB, sigla de Ricardo, com direito a militância na juventude do partido.


Até março deste ano, Pingo inclusive estava filiado ao MDB. Em busca de uma chapa mais confortável para sua candidatura à Assembleia Legislativa, trocou de sigla no limite do prazo legal. Foi para o Agir, pequena agremiação que também apoiou Ricardo e faz parte da coligação do governador, “Agora é o Futuro”. O Agir elegeu dois deputados estaduais: Hudson Leal (reeleito) e o ex-prefeito de Águia Branca Brizola Corteletti. Pingo ficou como 4º suplente do Agir, com 9.336 votos.


O ex-prefeito também já presidiu a Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes).

Para presidente da República, Pingo declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL), o candidato de Pazolini.


Em nota, o ex-prefeito de Ibatiba, cidade no Caparaó, justificou assim sua decisão:

“Nossa posição é o voto em Flávio Bolsonaro e Lorenzo Pazolini para selar um compromisso programático. Escolho o caminho que valida a vontade majoritária do nosso povo e garante o Caparaó no centro das grandes decisões”, publicou o ex-prefeito – meio que dando a entender que, para ele, Flávio e Pazolini já levaram as respectivas disputas.


“Não existe um novo caminho, existem novas formas de continuar a mesma luta! Nossa prioridade continua sendo o nosso interior, a valorização dos municípios e a garantia de que o Caparaó tenha voz e protagonismo nas grandes decisões do nosso Estado. Seguimos juntos, com os pés no chão, a consciência tranquila e o compromisso de sempre: o Caparaó em primeiro lugar!”, declarou o ex-prefeito.


Luciano Pingo foi presidente da Juventude Estadual do MDB, vice-presidente nacional da Juventude do partido, presidente da Fundação Ulysses Guimarães (o think tank do MDB) e vereador de Ibatiba pela legenda por um mandato, de 2013 a 2016.


Em 2017, elegeu-se prefeito da cidade pelo MDB. Em 2020, reelegeu-se pelo Republicanos (atual partido de Pazolini). Mas sua passagem pela sigla foi curta. Em 2023, voltou para o MDB, tendo ficado até março deste ano, quando entrou no Agir.


Além da passagem pelo Republicanos, ele mantém boa relação com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, principal articulador político de Pazolini. Em 2022, apoiou Erick para o Senado, em eleição vencida por Magno Malta (PL).


Além do próprio Pingo, três vereadores da base dele em Ibatiba declararam apoio a Pazolini, sendo um do Republicanos e dois também do MDB. 

A questão do STF 

Em sua nota oficial, Pingo também faz menção a excessos praticados pelo Poder Judiciário e à necessidade de conter a atuação de magistrados à margem dos limites constitucionais. Ele não cita diretamente o STF, mas isso fica subentendido.


“Estabilidade só se consolida quando as instituições respeitam seus devidos limites. É urgente caminharmos para uma redução das ingerências do Judiciário sobre a política. A governança deve retornar ao equilíbrio democrático, respeitando a ampla maioria que já se estabeleceu de forma clara e legítima na sociedade e no Poder Legislativo.”


Despejada com força nas urnas, a indignação com o STF foi, sabidamente, um dos principais fatores que levou grande parte do eleitorado brasileiro a votar em peso em candidatos de oposição (notadamente, os do PL), por uma associação de ideias: boa parte da população estabeleceu uma vinculação direta do Poder Executivo (governo Lula) com o Judiciário (Supremo).


Essa percepção de “aliança” entre os Poderes guarda relação com o julgamento da trama golpista e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão por crimes como tentativa de golpe de Estado. À fundada indignação geral com escândalos que vieram à tona envolvendo ministros no caso Master, somou-se um desejo de revanche nutrido (aberta ou silenciosamente) pelos eleitores mais bolsonaristas. 

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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