De gota em gota, de pingo em pingo, este 2º turno tem
exposto alguns vazamentos na ampla base política erguida pelo ex-governador Renato
Casagrande (PSB) para dar sustentação à candidatura à reeleição do seu sucessor
no cargo, Ricardo Ferraço (MDB). Consistente até o 1º turno da votação, no
último dia 4, a base tem sofrido focos de dissidência e defecções para o lado
de Lorenzo Pazolini (Republicanos), incluindo partidos e líderes locais.
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Nesta quarta-feira (14), quem anunciou apoio a Pazolini no
2º turno, após ter apoiado Ricardo no 1º, foi o ex-prefeito de Ibatiba Luciano
Pingo. O que se destaca no caso do ex-prefeito é que, na maior parte de sua
trajetória política, ele foi filiado ao MDB, sigla de Ricardo, com direito a
militância na juventude do partido.
Até março deste ano, Pingo inclusive estava filiado ao MDB. Em
busca de uma chapa mais confortável para sua candidatura à Assembleia
Legislativa, trocou de sigla no limite do prazo legal. Foi para o Agir, pequena
agremiação que também apoiou Ricardo e faz parte da coligação do governador, “Agora
é o Futuro”. O Agir elegeu dois deputados estaduais: Hudson Leal (reeleito) e o
ex-prefeito de Águia Branca Brizola Corteletti. Pingo ficou como 4º suplente do
Agir, com 9.336 votos.
O ex-prefeito também já presidiu a Associação dos Municípios
do Espírito Santo (Amunes).
Para presidente da República, Pingo declarou apoio a Flávio
Bolsonaro (PL), o candidato de Pazolini.
Em nota, o ex-prefeito de Ibatiba, cidade no Caparaó,
justificou assim sua decisão:
“Nossa posição é o voto em Flávio Bolsonaro e Lorenzo
Pazolini para selar um compromisso programático. Escolho o caminho que valida a
vontade majoritária do nosso povo e garante o Caparaó no centro das grandes
decisões”, publicou o ex-prefeito – meio que dando a entender que, para ele,
Flávio e Pazolini já levaram as respectivas disputas.
“Não existe um novo caminho, existem novas formas de
continuar a mesma luta! Nossa prioridade continua sendo o nosso interior, a
valorização dos municípios e a garantia de que o Caparaó tenha voz e
protagonismo nas grandes decisões do nosso Estado. Seguimos juntos, com os pés
no chão, a consciência tranquila e o compromisso de sempre: o Caparaó em
primeiro lugar!”, declarou o ex-prefeito.
Luciano Pingo foi presidente da Juventude Estadual do MDB,
vice-presidente nacional da Juventude do partido, presidente da Fundação
Ulysses Guimarães (o think tank do
MDB) e vereador de Ibatiba pela legenda por um mandato, de 2013 a 2016.
Em 2017, elegeu-se prefeito da cidade pelo MDB. Em 2020,
reelegeu-se pelo Republicanos (atual partido de Pazolini). Mas sua passagem
pela sigla foi curta. Em 2023, voltou para o MDB, tendo ficado até março deste
ano, quando entrou no Agir.
Além da passagem pelo Republicanos, ele mantém boa relação
com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, principal articulador
político de Pazolini. Em 2022, apoiou Erick para o Senado, em eleição vencida
por Magno Malta (PL).
Além do próprio Pingo, três vereadores da base dele em
Ibatiba declararam apoio a Pazolini, sendo um do Republicanos e dois também do
MDB.
A questão do STF
Em sua nota oficial, Pingo também faz menção a excessos
praticados pelo Poder Judiciário e à necessidade de conter a atuação de
magistrados à margem dos limites constitucionais. Ele não cita diretamente o
STF, mas isso fica subentendido.
“Estabilidade só se consolida quando as instituições
respeitam seus devidos limites. É urgente caminharmos para uma redução das
ingerências do Judiciário sobre a política. A governança deve retornar ao
equilíbrio democrático, respeitando a ampla maioria que já se estabeleceu de
forma clara e legítima na sociedade e no Poder Legislativo.”
Despejada com força nas urnas, a indignação com o STF foi,
sabidamente, um dos principais fatores que levou grande parte do eleitorado
brasileiro a votar em peso em candidatos de oposição (notadamente, os do PL),
por uma associação de ideias: boa parte da população estabeleceu uma vinculação
direta do Poder Executivo (governo Lula) com o Judiciário (Supremo).
Essa percepção de “aliança” entre os Poderes guarda relação
com o julgamento da trama golpista e a condenação do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) à prisão por crimes como tentativa de golpe de Estado. À fundada
indignação geral com escândalos que vieram à tona envolvendo ministros no caso
Master, somou-se um desejo de revanche nutrido (aberta ou silenciosamente)
pelos eleitores mais bolsonaristas.
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