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Letícia Gonçalves

Voto RicaNaro: a aposta do "general" de Ricardo para virar o jogo no ES

Governador não declarou voto em nenhum candidato à Presidência da República, nem pretende fazer isso no 2º turno

Publicado em 07 de Outubro de 2026 às 17:45

Públicado em 

07 out 2026 às 17:45
Letícia Gonçalves

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Publicação de Euclério Sampaio no Instagram: voto RicaNaro
Publicação de Euclério Sampaio no Instagram: voto RicaNaro Instagram/@eucleriosampaio
Se dependesse apenas dos eleitores do Espírito Santo, Flávio Bolsonaro (PL) teria sido eleito presidente da República em primeiro turno, no último domingo (4), com 54,78% dos votos. Antes mesmo do resultado das urnas, aliados do governador Ricardo Ferraço (MDB) já adotavam o voto RicaNaro — que é optar por Ricardo para o Palácio Anchieta e Flávio para o Palácio do Planalto, numa dobradinha informal.

Ricardo não declarou voto em nenhum candidato à Presidência da República no primeiro turno nem pretende fazer isso no segundo. Quem está oficialmente no palanque de Flávio é o adversário do emedebista, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Na segunda etapa do pleito, o "general" da campanha de Ricardo, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), decidiu adotar abertamente a estratégia RicaNaro. Em publicação no Instagram nesta quarta-feira (7), o prefeito representou isso graficamente.

Euclério já havia afirmado à coluna, em setembro, que "a tendência é o voto RicaNaro". Agora, foi bem mais enfático.


Aliados de Ricardo correm contra o tempo para tentar virar o jogo. Pazolini foi o mais votado no primeiro turno, quase venceu o emedebista de uma tacada só, o placar foi de 49,65% contra 34,06%.

Uma vantagem de quase 16 pontos percentuais é muita coisa.

Em 2022, o então governador Renato Casagrande (PSB) também foi para o segundo turno contra um candidato bolsonarista, o ex-deputado federal Carlos Manato (na época, filiado ao PL) e o voto CasaNaro o ajudou a vencer o pleito.

Jair Bolsonaro também foi mais votado que Lula no Espírito Santo em 2022 no primeiro turno (52,23% a 40,4%).

Mas há uma diferença de extrema relevância: naquela ocasião, Casagrande foi o mais votado no primeiro turno, teve 46,94% dos votos e Manato, 38,48%.

Ou seja, o socialista não teve que "virar" no segundo turno. Apenas manter ou ampliar a vantagem, e conseguiu.

O desafio de Ricardo é muito maior.

PAZOLINI NA "TROPA DO 22"

No primeiro turno, Pazolini não exibiu a imagem de Flávio Bolsonaro na campanha e nem citou o nome do aliado espontaneamente.

Logo após o resultado da apuração, na noite de domingo, o republicano afirmou que não pretende mudar drasticamente a estratégia e que deve tratar, prioritariamente de temas locais.

Já avisou, porém, que espera a visita de Flávio ao Espírito Santo e, nesse caso, participaria de atos de campanha ao lado do aliado.

Nesta quarta-feira (7), o ex-prefeito de Vitória já se "bolsonarizou" mais: apareceu em Brasília ao lado do deputado federal eleito Lucas Polese (PL) e do deputado federal eleito Coronel Ramalho (Republicanos) e falou em "tropa do 22 e do 10".

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Os dois candidatos ao governo são políticos de centro-direita e seus aliados disputam os votos dos bolsonaristas no estado. Mas e os 323.483 eleitores que optaram por Helder Salomão (PT) no primeiro turno?


Muito provavelmente, estes são eleitores de Lula (PT) para a Presidência da República.

Até agora, nem pazolinistas nem ricardistas fizeram acenos a essa importante parcela.

Questionado, na segunda-feira (5), se pediria o apoio de Helder, Ricardo deu uma resposta um tanto vaga, disse que vai conversar "com todas e todos que desejam conversar, que tenham por propósito manter o Espírito Santo nesse rumo e nesse ritmo".

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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