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Letícia Gonçalves

2º turno: Pazolini pode manter o rumo; Ricardo ainda não mudou o ritmo

Republicano larga na frente e sinaliza continuidade da estratégia, enquanto governador busca uma reação sem indicar grandes mudanças

Publicado em 06 de Outubro de 2026 às 06:00

Públicado em 

06 out 2026 às 06:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço
Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço Fotomontagem
Como diz o ditado, em time que está ganhando não se mexe. O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) foi o mais votado na disputa pelo governo do Espírito Santo no primeiro turno, quase liquidou o pleito no domingo (4) mesmo, recebeu 49,65% dos votos.

Logo, não deve alterar muito o roteiro no segundo turno, em que concorre contra o governador Ricardo Ferraço (MDB).

O emedebista, por sua vez, apesar de dizer que agora é uma "nova eleição", vai ter que provocar uma reviravolta no cenário para poder se reeleger. Ele está 15,59 pontos percentuais atrás do republicano.

Pouco após a divulgação do resultado da apuração, Pazolini afirmou, em entrevista durante a Superlive realizada por A Gazeta e CBN Vitória, que vai continuar a tratar prioritariamente ou tão somente de temas estaduais.

Ou seja, não vai bolsonarizar a campanha.


Podemos concluir assim que o candidato a presidente apoiado pelo ex-prefeito, Flávio Bolsonaro (PL), não vai ter a imagem explorada, assim como a própria vice de Pazolini, a bispa Eliane Leal (PL). E muito menos o apoio do senador Magno Malta.

Mas pode haver ao menos uma parceria pontual: o republicano afirmou que Flávio deve vir ao Espírito Santo e, nesse caso, Pazolini vai, sim, surgir ao lado dele, como já fez em julho, em Vitória.

Ricardo, por sua vez, nem apareceu no próprio comitê na noite de domingo e tampouco concedeu entrevistas. Manifestou-se por meio de uma nota de tom ambíguo.

Nos primeiros parágrafos do texto, soou até como alguém que estava admitindo uma derrota eleitoral, com "respeito à soberania popular" e "serenidade". Já na última frase, cravou: "A caminhada continua com muita energia, diálogo e determinação. Vamos à vitória!".

Na tarde de segunda-feira (5), Ricardo atendeu a imprensa em frente ao Parque Cultural Casa do Governador (na rua, não dentro do espaço público) e avaliou que o resultado do primeiro turno para o governo estadual foi como foi devido "a uma nacionalização no processo de decisão".

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Em outras palavras, creditou a ascensão de Pazolini exclusivamente a uma espécie de onda bolsonarista.

Instado a elencar possíveis erros da própria campanha, voltou a reafirmar a tese da "nacionalização" e de que agora "é uma nova eleição", como se o jogo estivesse zerado.

Não apontou diretamente o que deve mudar ou se algo vai ser alterado.

Voltou a repetir o bordão de que o governo vai continuar "no mesmo rumo e no mesmo ritmo".

Respondendo à coluna, Ricardo afirmou que, assim como no primeiro turno, vai ficar longe da "brigalhada ideológica", sem tomar partido na disputa entre Lula (PT) e Flávio pelo Palácio do Planalto.

Em determinado momento, porém, deu uma dica:

"(Vamos fazer) um debate muito respeitoso, mas um debate muito duro e verdadeiro a respeito das características de um e de outro projeto que estará sendo submetido à população capixaba".

O debate muito duro, "por certo" (outra expressão muito usada por Ricardo), significa subir o tom contra Pazolini, para desconstruir o adversário aos olhos dos eleitores.

É algo até natural, que começou a ocorrer na reta final do primeiro turno.

Ricardo não parece propenso a dar um "cavalo de pau" a esta altura do campeonato, apesar de o resultado das urnas ser bem preocupante para ele.

Na coletiva, o emedebista estava acompanhado do vice, Camilo Neves (PP). Só a vice de Pazolini que quase nunca aparece.

ELEIÇÃO 2022

O governador comparou o pleito de 2026 com o de 2022, quando também houve segundo turno na corrida para o Palácio Anchieta. Quatro anos atrás, uma onda bolsonarista impulsionou Carlos Manato (então filiado ao PL).

Só que, naquele ano, o governador que disputava a reeleição, Renato Casagrande (PSB), foi o mais votado no primeiro turno, teve 8,46 pontos a mais que o adversário, e derrotou Manato na segunda etapa.

A situação de Ricardo agora é muito mais desconfortável.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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