Em outras palavras, creditou a ascensão de Pazolini exclusivamente a uma espécie de onda bolsonarista.
Instado a elencar possíveis erros da própria campanha, voltou a reafirmar a tese da "nacionalização" e de que agora "é uma nova eleição", como se o jogo estivesse zerado.
Não apontou diretamente o que deve mudar ou se algo vai ser alterado.
Voltou a repetir o bordão de que o governo vai continuar "no mesmo rumo e no mesmo ritmo".
Respondendo à coluna, Ricardo afirmou que, assim como no primeiro turno, vai ficar longe da "brigalhada ideológica", sem tomar partido na disputa entre Lula (PT) e Flávio pelo Palácio do Planalto.
Em determinado momento, porém, deu uma dica:
"(Vamos fazer) um debate muito respeitoso, mas um debate muito duro e verdadeiro a respeito das características de um e de outro projeto que estará sendo submetido à população capixaba".
O debate muito duro, "por certo" (outra expressão muito usada por Ricardo), significa subir o tom contra Pazolini, para desconstruir o adversário aos olhos dos eleitores.
É algo até natural, que começou a ocorrer na reta final do primeiro turno.
Ricardo não parece propenso a dar um "cavalo de pau" a esta altura do campeonato, apesar de o resultado das urnas ser bem preocupante para ele.
Na coletiva, o emedebista estava acompanhado do vice, Camilo Neves (PP). Só a vice de Pazolini que quase nunca aparece.
ELEIÇÃO 2022
O governador comparou o pleito de 2026 com o de 2022, quando também houve segundo turno na corrida para o Palácio Anchieta. Quatro anos atrás, uma onda bolsonarista impulsionou Carlos Manato (então filiado ao PL).
Só que, naquele ano, o governador que disputava a reeleição, Renato Casagrande (PSB), foi o mais votado no primeiro turno, teve 8,46 pontos a mais que o adversário, e derrotou Manato na segunda etapa.
A situação de Ricardo agora é muito mais desconfortável.