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Letícia Gonçalves

Quaest: Direita não bolsonarista e católicos impulsionam Pazolini na reta final

Ex-prefeito assumiu liderança numérica na pesquisa de intenção de votos feita na véspera do pleito. Mas está tecnicamente empatado com Ricardo Ferraço (MDB) na corrida pelo Palácio Anchieta

Publicado em 03 de Outubro de 2026 às 19:34

Públicado em 

03 out 2026 às 19:34
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini em debate realizado por A Gazeta e CBN Vitória
Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini em debate realizado por A Gazeta e CBN Vitória Fernando Madeira
Na véspera da votação no primeiro turno, pesquisa Quaest contratada pela TV Gazeta mostra uma corrida eletrizante pelo governo do Espírito Santo. Ainda há empate técnico entre o governador Ricardo Ferraço (MDB) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), mas a vantagem numérica se inverteu.

No levantamento publicado em 25 de setembro, era o emedebista que estava à frente, com 33% das intenções de voto, ao passo que Pazolini tinha 31%. Agora, o republicano aparece com 34% e Ricardo, com 31%.

Pela letra fria da lei, Pazolini "virou". 


A Quaest fez o cálculo dos votos válidos (descontados brancos, nulos e indecisos), que é como a Justiça Eleitoral calcula o resultado.

O empate técnico fica mantido, com o republicano à frente. Pazolini tem 45% e Ricardo, 41%.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, ou seja, o extremo da margem é de quatro pontos.

Vamos aqui investigar quais segmentos do eleitorado foram responsáveis por essa virada. Mas também fazer um adendo: não há nada decidido ainda. 

Não apenas pelo fato de que quem dá a última palavra são as urnas, mas porque, faltando poucas horas para a votação, 20% dos entrevistados disseram que podem mudar o voto.

Como a distância entre os candidatos não é elástica, muito ao contrário, uma leve oscilação já pode fazer a diferença.

Mas o fato é que a curva de crescimento de Pazolini chama a atenção, principalmente se observarmos, ponto a ponto, as pesquisas de 27 de agosto, 25 de setembro e 3 de outubro:

Esse movimento é até mais relevante que os percentuais em si.

A DIREITA NÃO BOLSONARISTA

Em todos os cruzamentos de dados feitos pela Quaest, Pazolini cresceu ou ficou estável 
Alguns segmentos, entretanto, merecem destaque.

O ex-prefeito ascendeu, principalmente, entre os eleitores que se identificam como "direita não bolsonarista".
Quaest identificação política.jpg

Reprodução/Quaest
Se dependesse apenas desse estrato, Pazolini teria 59% das intenções de voto. E isso representa 17 pontos percentuais a mais do que ele marcou na direita não bolsonarista no final de agosto.

O ex-prefeito é o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro (PL), tem o PL na coligação e até a vice na chapa é do Partido Liberal, a bispa Eliane Leal.

Na campanha do primeiro turno, Pazolini nem citou Flávio e Eliane, de forma espontânea. Deixou-os de lado.

Entre os eleitores bolsonaristas, o ex-prefeito até oscilou para baixo, perdeu um ponto percentual de setembro para cá, mas isso é tão pouco que podemos considerar que o percentual manteve-se estável.

Ricardo fez vários acenos, desde a pré-campanha, aos eleitores de direita e, principalmente, à direita não bolsonarista, já que o governador não declarou voto em nenhum candidato à Presidência da República.

Mesmo assim, não conseguiu empolgar essa parcela do eleitorado. O emedebista foi de 27% das intenções de voto entre os bolsonaristas para 28% agora.

OS CATÓLICOS

No cruzamento de dados sobre religião, Pazolini cresceu significativamente entre os católicos, passou de 24% para 32% de agosto para outubro.

Ricardo caiu de 42% para 35% no mesmo período.
Quaest cruzamento religião

Reprodução/Quaest

Entre os evangélicos, não houve nenhuma mudança brusca, mas Pazolini é o favorito. 

O ex-prefeito tem a preferência de 40% dos evangélicos e Ricardo, de 29%.

A religião, diretamente, não foi tema central da campanha no primeiro turno.

Ricardo fez afagos aos cristãos de modo geral. Citou em discursos, por mais de uma vez, "os valores da família", com palavras calibradas para os eleitores conservadores.

Pazolini é do Republicanos, partido que nasceu pelas mãos da Igreja Universal, e frequentemente se mostra cercado por pastores.

O emedebista e o republicano são católicos.

OS IDOSOS

Ricardo não cresceu significativamente em nenhum segmento estudado pela Quaest. No máximo, ficou estável.

Mas sofreu uma queda brusca mesmo onde era mais forte: entre os eleitores de 60 anos ou mais.
quaest cruzamento idade.jpg

Reprodução/Quaest


Ele tinha 56% das intenções de voto nesse estrato em agosto; caiu para 43% em setembro e, agora, para 34%.

Eu já havia destacado a primeira parte da queda na coluna do dia 26 de setembro. De lá para cá, a coisa piorou.

E O PT, HEIN? E O HELDER?

O deputado federal Helder Salomão (PT) também está na corrida pelo Palácio Anchieta.

Observando as intenções de voto na pesquisa estimulada, o petista não evoluiu muito na medição da Quaest.

Helder segue em terceiro lugar. Tinha 10% em agosto, passou para 12% em setembro e agora voltou aos 10%.

Ainda é um player importante, mas, ao menos de  acordo com o levantamento do instituto, não conseguiu virar votos suficientes para crescer.


Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral

A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral no Espírito Santo, contratada pela TV Gazeta, foi realizada nos dias 2 e 3 de outubro, com 1.800 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa.

As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-09011/2026.

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Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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