O estúdio em que foi realizado o debate entre os candidatos ao governo do Espírito Santo, na noite de terça-feira (29), na TV Gazeta, estava bem frio. O ar-condicionado é potente.
Perdão pelo trocadilho óbvio, mas o clima entre Ricardo Ferraço (MDB), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Helder Salomão (PT), porém, esquentou.
Foi o último embate entre os três antes da votação no primeiro turno. Assim, as fichas guardadas foram jogadas.
Nada bombástico, mas ao menos as interações entre eles foram mais interessantes, em comparação a debates anteriores.
E ainda teve "participação especial" do Véio da Havan.
Seria algo arriscado também, poderiam soar apáticos.
Mas, ao contrário, optaram por fustigar um ao outro.
Helder Salomão (PT) está em terceiro lugar na corrida.
Não é uma posição exatamente confortável, mas ao mesmo tempo isso o deixa mais solto e sob menos pressão.
Assim, saiu-se melhor que os outros dois. Em minha humilde opinião.
O petista é um orador superior aos adversários e estava afiado.
Distribuiu petardos contra Pazolini e Ricardo, com destaque para o emedebista.
Se o desempenho no debate vai angariar votos ... bem, aí é outra história.
PAZOLINI NA DEFENSIVA
Neste debate, também chamaram a atenção os vários momentos em que Pazolini ficou na defensiva.
É que Ricardo partiu para o ataque, o que faz sentido, considerando que o republicano
empatou tecnicamente com o emedebista na pesquisa Quaest publicada no último dia 25.
O ex-prefeito de Vitória usa a administração municipal como vitrine durante toda a campanha.
No debate, contudo, Ricardo e Helder citaram dados não tão positivos da gestão.
O candidato do Republicanos retrucou: "Estamos debatendo o futuro do Espírito Santo, não Vitória".
É algo contraditório, uma vez que, quando o recorte interessa ao ex-prefeito, ele não vê problema em colocar a Capital no centro da discussão.
Ricardo disse que o ex-prefeito vive na "Pazolândia", ou seja, que apresenta aos eleitores uma realidade alternativa.
E ainda afirmou, ao menos três vezes, que o ex-prefeito é "autoritário", adjetivo que, tempos atrás, Helder já havia usado para descrever o republicano.
CRIS SAMORINI "ESQUECIDA"
Em determinado momento, Ricardo criticou o fato de Vitória não ter uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), ao passo que a Serra, município maior e com menor renda per capita, tem três.
Ele lembrou que, recentemente, foi feita uma visita às obras, no bairro Forte São João.
Mas citou apenas que lideranças comunitárias estiveram lá.
"CARONEIRO"
Mas Pazolini não ficou o tempo todo se defendendo. Também distribuiu farpas.
Foi chamado de "caroneiro" por Ricardo. De acordo com o governador, o ex-prefeito "surfa na onda" das realizações de gestores que o antecederam.
O republicano deu uma invertida em Ricardo ao apontar que o emedebista é que "pega carona" nos feitos de outros governadores.
O principal apoiador de Ricardo é o ex-governador Renato Casagrande (PSB).
Helder não se fez de rogado e concordou. Chamou os dois de "caroneiros".