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Letícia Gonçalves

Ricardo e Pazolini empatados: o que explica o resultado da pesquisa Quaest

A vantagem do governador do ES para o ex-prefeito de Vitória era de sete pontos e caiu para dois. Cruzamentos de dados feitos pela própria Quaest ajudam a entender o que aconteceu

Publicado em 26 de Setembro de 2026 às 05:00

Públicado em 

26 set 2026 às 05:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
O vice-governador Ricardo Ferraço e o prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini
Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini, candidatos ao governo do Espírito Santo Ricardo Medeiros e TV Gazeta/Reprodução

O governador Ricardo Ferraço (MDB) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) estão tecnicamente empatados na corrida pelo Palácio Anchieta, com 33% e 31% das intenções de voto, respectivamente. 


Esses percentuais são muito próximos, os dois estão no mesmo patamar. O resutado, revelado pela pesquisa Quaest contratada pela TV Gazeta e publicada na sexta-feira (25), é ruim para Ricardo.


O governador ainda está à frente, numericamente. Só que no levantamento anterior da Quaest, divulgado no dia 27 de agosto, a vantagem de Ricardo para Pazolini era de 7 pontos percentuais. Agora, é de 2 pontos.

A margem de erro da pesquisa desta sexta-feira (25) e a de agosto é a mesma: três pontos percentuais para mais ou para menos. A vantagem do governador para o ex-prefeito em agosto "passou raspando", evitando por um triz o empate técnico no extremo da margem. 

Desta vez, Pazolini realmente encostou no emedebista.

De agosto para cá, Ricardo oscilou dois pontos para baixo, passou de 35% para 33%. Enquanto Pazolini oscilou três pontos para cima, de 28% para 31%.

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Reparem que nem o governador sofreu uma queda vertiginosa nem Pazolini "disparou", mas como a distância que os separava era curta, as oscilações foram suficientes para mudar consideravelmente o cenário.

E o que explica esse fenômeno? Cruzamentos feitos pela própria Quaest indicam as prováveis respostas.

IDOSOS SOLTARAM A MÃO DE RICARDO

Ricardo perdeu mais intenções de voto justamente no segmento que lhe era, em agosto, mais favorável: os eleitores de 60 anos ou mais. Nesse recorte, ele caiu de 56% para 43%. 

A queda de 13 pontos percentuais é a mais acentuada entre todos os cruzamentos investigados pela Quaest neste levantamento.

Ao passo que Pazolini subiu de 19% para 28%, nove pontos, entre os eleitores que têm 60 anos ou mais.

Os idosos soltaram a mão de Ricardo, por assim dizer.

Cruzamento faixa etária Quaest 25/09/2026
Gráfico faixa etária Quaest 25/09/2026 Reprodução/Quaest

RICARDO CAI NA ESQUERDA; PAZOLINI CRESCE NA DIREITA


Outro ponto que chama a atenção está no quesito "identificação política". 

Ricardo perdeu seis pontos entre os eleitores que se declaram lulistas (passou de 41% para 35%) e oscilou três pontos para baixo entre os de esquerda não lulista (de 41% para 38%).

Já Pazolini deu um salto de 11 pontos entre os eleitores que dizem ser de direita, mas não bolsonaristas: foi de 42% para 53%.

Entre os bolsonaristas, o ex-prefeito oscilou para baixo, passou de 51% para 49%.

O governador não apoia nenhum candidato à Presidência da República, nem responde se é um político de centro, de esquerda ou direita. Podemos considerá-lo sem medo de errar, contudo, como um homem de centro-direita.

Ricardo fez vários acenos ao eleitorado de direita na pré-campanha e na campanha eleitoral, mas, aparentemente, não está conseguindo empolgar esse segmento. 

Na direita não bolsonarista o emedebista ficou praticamente na mesma: tinha 27% em agosto e tem 26% agora. Entre os bolsonaristas, o governador até oscilou para cima: de 27% a 29%.

Pazolini, por sua vez, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República e aliou-se ao senador Magno Malta, presidente estadual do PL.

Nas peças de campanha e nos discursos, porém, o ex-prefeito nunca cita Flávio nem Magno. E posta-se mais à centro-direita que à direita radical.

O republicano é, historicamente, de centro-direita mesmo.

PAZOLINI CRESCE ENTRE LULISTAS; HELDER CAI

Curiosamente, entre os eleitores lulistas, Pazolini cresceu três pontos, passou de 12% para 15%.

Entre os de esquerda e não lulistas, cresceu mais ainda, foi de 11% para 18%.

O candidato de Lula no Espírito Santo é Helder Salomão (PT), que está em terceiro lugar na corrida, com 12%.

Helder tinha a preferência de 32% dos lulistas em agosto, percentual que agora caiu para 29%.

Na esquerda não lulista, o petista passou de 27% para 28%.

Ou seja, por mais contraditório que pareça, quem mais cresceu entre os eleitores de esquerda (lulistas e não lulistas) foi Pazolini, o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro, principal rival de Lula. 
Gráfico identificação política Quaest 25/09/2026
Gráfico identificação política Quaest 25/09/2026 Reprodução/Quaest
REJEIÇÃO NÃO COLOU

A rejeição a Pazolini não aumentou significativamente de agosto para cá.

Passou de 22% para 24%. Esse é o percentual de entrevistados pela Quaest que disseram que conhecem, mas não votam no ex-prefeito.

Os dois pontos percentuais estão dentro da margem de erro.

A rejeição a Ricardo também não mudou muito, mas segue superior à de Pazolini: foi de 30% para 32%.

O mais rejeitado, numericamente, é Helder, com os mesmos 34% que tinha em agosto. Mas está tecnicamente empatado com Ricardo nesse quesito.

Ao se aliar ao PL de Magno Malta, um dos riscos para Pazolini era justamente sofrer aumento da rejeição. Isso não se confirmou.

Magno tem um eleitorado cativo no estado, tanto que foi eleito em 2022, mas ao mesmo tempo é bastante rejeitado.

Pazolini, como já registrei neste texto, não cita nem exibe as imagens de Magno e Flávio Bolsonaro na campanha.

Não renega a aliança, mas tampouco a enfatiza.

SEGUNDO TURNO

O resultado da pesquisa indica que vai haver segundo turno nas eleições para o governo do Espírito Santo, entre Ricardo e Pazolini.

Para uma eleição ser encerrada em primeiro turno, é preciso que um dos candidatos obtenha 50% dos votos mais um voto.

Hoje, nenhum deles chega a tanto, de acordo com o levantamento.

A simulação de um eventual segundo turno entre o governador e o ex-prefeito de Vitória revela, mais uma vez, uma corrida acirrada.

Ricardo tem 43% e Pazolini, 38%. Considerando a margem de erro, é mais um empate técnico.

Afirmei já no primeiro parágrafo deste texto que o resultado desta pesquisa Quaest é ruim para Ricardo Ferraço. Isso se deve ao fato de que a curva de intenções de voto é levemente descendente para ele e levemente ascendente para Pazolini e também à constatação de que a distância entre os dois diminuiu.

Só que, na prática, cabe ressaltar, ninguém pode cantar vitória antes da hora.

A reta final da campanha promete fortes emoções.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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