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As mensagens enviadas pela escolha do vice de Manato

O candidato do PL ao governo do ES apresentou, nesta sexta-feira (5), o companheiro de chapa, um empresário filiado ao PTB

Vitória
Publicado em 06/08/2022 às 02h10
O candidato ao governo do Espírito Santo Carlos Manato (PL) e o vice na chapa, Bruno Lourenço (PTB))
O candidato ao governo do Espírito Santo Carlos Manato e o vice na chapa, Bruno Lourenço (PTB). Crédito: Joka Crespo/Pixel

O vice na chapa do candidato ao governo do Espírito Santo Carlos Manato (PL) foi apresentado, nesta sexta-feira (5), em entrevista coletiva realizada na Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires), em Vitória. Mas o nome anunciado não foi o de um militar e sim o do empresário Bruno Lourenço, presidente do PTB estadual.

Manato estava entre "uma pessoa da segurança pública e um empresário". Ao bater o martelo, quis fazer uma mesura à parte que não foi contemplada. Elogiou os diversos policiais presentes, chamou-os de "porto seguro", agradeceu pela contribuição ao plano de governo e prometeu algo ambicioso: "Com vocês, vamos resolver o problema da segurança pública no Espírito Santo".

A proximidade com as polícias, em especial a militar, é uma marca do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). O candidato do PL ao Palácio Anchieta mimetiza o chefe do Executivo federal, mas, para ganhar terreno para além do bolsonarismo, precisa sinalizar que sabe fazer mais do que isso.

Assim, Bruno Lourenço, de acordo com o próprio Manato, vai ter a função de dialogar com o empresariado. Ele atua na área de comércio exterior há 15 anos.

Em eleições, ao contrário do cabeça de chapa, Lourenço é um estreante. Ele se filiou ao PTB há dois anos, nunca teve outra experiência partidária. Em 2018, militou nas campanhas de Manato, que naquele ano também disputou o governo; Soraya Manato (então filiada ao PSL), eleita deputada federal e Tenente Assis (na época também no PSL), que tentou o Senado.

Foi por meio de Assis que Bruno Lourenço chegou ao PTB. O tenente é miltiar da ativa do Corpo de Bombeiros e, por isso, não pode ser filiado a partido. Ele se soma à agremiação apenas a partir da convenção, que foi realizada no último dia 30. Assis é a figura central da sigla. Ele é candidato a deputado federal.

Lourenço tem 39 anos e pode servir para dar à chapa uma outra temática, mais voltada à área econômica. O governador Renato Casagrande (PSB), candidato à reeleição, por exemplo, também escolheu um vice que tem interlocução com o empresariado, o ex-senador Ricardo Ferraço (PSDB).

O petebista aliado de Manato, no entanto, não foge à cartilha bolsonarista. Apresentou-se como cristão e patriota. E é armamentista.

O fato de o vice vir do PTB também mostra que o candidato ao governo não conseguiu, ao menos até agora, expandir a aliança. O PTB foi o primeiro partido a abrir espaço para Manato concorrer ao Palácio Anchieta, mas ele escolheu se filiar ao PL para ser correligionário de Bolsonaro. Os petebistas, que integram a base de apoio ao presidente da República, seguiram com o candidato.

A prioridade para indicar o vice era deles, mas Assis ressaltou que essa nunca foi uma condição para manter a parceria. Se conseguissem atrair outras siglas, a vaga poderia ser oferecida. Nesta sexta, último dia para realização de convenções partidárias, quando as candidaturas são homologadas, no entanto, PL e PTB ainda contavam apenas um com o outro.

Assim, às 11h dessa mesma sexta-feira, conforme contou Manato, o martelo foi batido e Bruno Lourenço tornou-se o vice.

Manato ainda espera atrair PSC e Patriota, mas garante que não vai mudar a composição da chapa.

"Meu sonho é recuperar o comércio exterior no Espírito Santo, recuperar a economia, acabar com a fome e o desemprego", afirmou Lourenço.

"Vamos fazer o que nunca foi feito no Espírito Santo", complementou.

Manato, por sua vez, fez questão de mencionar que o plano de governo dele tem 120 páginas dedicadas apenas à área da saúde, sem contar os outros assuntos, que têm seu lugar. Disse que vai trabalhar, se eleito, para gerar emprego e renda e "combater a miséria e a fome".

Para completar, o candidato do PL pediu que um pastor fizesse uma oração ao final da entrevista coletiva. Na prece, o religioso pediu a Deus para "nos livrar dessa esquerda maldita que tem como plano a destruição das famílias".

Manato tentou diversificar a agenda, mas o bolsonarismo está tão entranhado nele e nos que o cercam que fica difícil sair do roteiro.

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