O ativista de direita Dárcio Bracarense foi intimado a depor nesta quinta-feira (8), na Polícia Federal do Espírito Santo, em um processo motivo contra ele pelo ex-ministro da Justiça
Flávio Dino. O inquérito policial apura eventual delito contra a honra do agora futuro ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em ofício enviado à direção-geral da
Polícia Federal em 9 de outubro do ano passado, Dino alega ter sido ofendido durante uma live de que participou Bracarense, em julho de 2023.
O então ministro da Justiça afirma na representação que, ao tomar conhecimento do conteúdo do vídeo que circulava em grupos de WhatsApp, constatou ter sido acusado de ser “incompetente, como servidor que atua com desvio de finalidade e em parceria com organizações criminosas”.
Na live, Bracarense debate com o advogado Marcelo Barazal (Dr.Beretta) uma portaria do MJ relativa ao decreto do presidente Lula (PT), publicado em 21 de julho de 2023, sobre a segurança em bancos. Na live, Barazal aponta falha no decreto que, segundo ele, na prática impedia os seguranças de agências bancárias e de carros-fortes de portarem armas calibre 38 Super durante o serviço.
Em um dos trechos da live destacados por Flávio Dino na representação que fez à PF, Bracarense faz duras críticas ao então ministro. O trecho (literal) é o seguinte:
“Aqui você pode desconfiar que o Flávio Dino fez isso pra poder facilitar a vida dos bandidos. E aqui você pode acreditar que Flávio Dino fez isso porque ele é um incompetente. Ele pode escolher... tá aí, como eu não sou nenhum nazista, fasciste, nem, nada iste. Eu vou deixar o Flávio Dino escolher: ou ele é incompetente e ele deveria pedir exoneração do cargo e ele fez um decreto inexequível ou ele é conivente com quem quer assaltar banco e carro forte. Ele pode escolher.”
Em sua defesa, o bolsonarista Dárcio Bracarense, que foi candidato a deputado federal em 2022 pelo PL (16.360 votos), alega que achou bastante desproporcional a medida, uma vez que, segundo ele, sua crítica é um exercício de cidadania, direcionada não à pessoa do Flávio Dino, mas ao cargo de ministro da Justiça.
"Pontuei ainda que é o presidente da República que assina decretos e é de responsabilidade do Parlamento fazer tal crivo. E, para completar, o
Ministério da Justiça reconheceu o erro, tanto que a PF, sob sua administração, editou uma portaria conjunta corrigindo o problema em dezembro de 2023", diz Bracarense.
O depoimento à PF está marcado para o começo da tarde desta quinta (8) e será feito por videoconferência.