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Frente Unificada de Valorização Salarial, integrada por representantes de associações de policiais militares e civis e do Corpo de Bombeiros do Estado, divulgou nesta quarta-feira (3) à noite uma nota de repúdio ao prefeito de
Baixo Guandu, Neto Barros (PCdoB). Durante uma live com a participação da
vice-governadora Jaqueline Moraes (PSB), na terça-feira (2), o dirigente comunista afirmou que alguns policiais militares são
bolsonaristas e que, entre outras atitudes, estimulam o que chamou de “carreatas da morte” em seu município.
Em uma nota de quatro pontos, a Frente Unificada diz que “a crítica do prefeito é gravemente generalizadora, estereotipada, repugnantemente ofensiva e baseada no senso comum em definir a todos policiais como ‘bolsonaristas’”.
“As instituições policiais são apartidárias e heterogêneas. Nelas há uma pluralidade de ideologias, culturas e pensamentos entre cada integrante servidor. Porém, por serem pautados pelos princípios da legalidade e impessoalidade, não há vieses para querelas políticas e eleitorais as quais buscam invocar o referido prefeito em suas lamentáveis manifestações”, diz o documento.
As nove associações que assinam a nota de repúdio consideram que as declarações de Neto Barros contribuem para prejudicar a imagem dos policiais perante a sociedade: “Este debate promovido pelo sr. prefeito de Baixo Guandu gera o pior tipo de cenário e tensão em uma coletividade já conturbada com a pandemia da
Covid-19 e agrava ainda mais o sentimento geral de desprestígio dos policiais no Estado do Espírito Santo”.
Por fim, as entidades dos policiais sugerem que vão acionar o prefeito na
Justiça: “Serão adotadas as providências legais e interpelatórias quanto a estas declarações exorbitantes à livre manifestação de pensamento, posto que difamatórias e atentatórias à honra objetiva dos policiais que trabalham em Baixo Guandu e às unidades policiais ali existentes”.
No vídeo, visto pela coluna, o prefeito diz que, “às vezes”, um policial militar é acionado após denúncia de um cidadão ao
disque-aglomeração, mas no entanto o PM se recusa a atender a ocorrência por ser adepto do
presidente da República, que é contra o isolamento social como forma de enfrentar a pandemia.
Neto Barros, na conversa com a vice-governadora e que contou com a presença também do presidente da Câmara de Vereadores de Baixo Guandu, ressalva que não estava falando de todos os policiais: “É bom ressaltar que não são todos os policiais militares ou integrantes das
Forças Armadas que são bolsonaristas. É uma minoria, eu quero crer que seja uma minoria”.
O prefeito disse que, diante dessa situação de suposta insubordinação de PMs em Baixo Guandu, vai colocar os policiais militares para fiscalizar os decretos emanados do governo do Estado. “A prefeitura estava fazendo a cópia, o que o governo do Estado editava a prefeitura fazia a cópia, mas como está tendo esse choque de fanatismo político, inclusive dentro da Polícia Militar, a gente vai dizer ao governo do Estado que as ordens e os decretos estaduais serão cumpridos pela Polícia Militar”, afirmou Barros.
A nota de repúdio contra o prefeito guanduense é assinada pela: Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires); Associação dos Bombeiros Militares do Estado do Espírito Santo (ABMES); Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Estado do Espírito Santo (ACSPMBM-ES); Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar e do Bombeiro Militar do Estado do Espírito Santo (Asses); Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo (Assomes); Sindicato dos Investigadores de Polícia Civil do Estado do Espírito Santo (Sinpol); Associação dos Investigadores de Polícia do Estado do Espírito Santo (Assinpol); Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Espírito Santo (Sindepes) e Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Espírito Santo (Adepol).