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Leonel Ximenes

Prefeito comunista diz que alguns PMs são bolsonaristas e recebe nota de repúdio no ES

Frente Unificada de Valorização Salarial, que reúne nove associações de policiais, promete "adotar providências legais" contra Neto Barros, de Baixo Guandu

Publicado em 04 de Junho de 2020 às 10:45

Públicado em 

04 jun 2020 às 10:45
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Neto Barros fez as declarações durante uma live com a vice-governadora Jaqueline Moraes
Neto Barros fez as declarações durante uma live com a vice-governadora Jaqueline Moraes Crédito: Reprodução da internet
Frente Unificada de Valorização Salarial, integrada por representantes de associações de policiais militares e civis e do Corpo de Bombeiros do Estado, divulgou nesta quarta-feira (3) à noite uma nota de repúdio ao prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros (PCdoB). Durante uma live com a participação da vice-governadora Jaqueline Moraes (PSB), na terça-feira (2), o dirigente comunista afirmou que alguns policiais militares são bolsonaristas e que, entre outras atitudes, estimulam o que chamou de “carreatas da morte” em seu município.
Em uma nota de quatro pontos, a Frente Unificada diz que “a crítica do prefeito é gravemente generalizadora, estereotipada, repugnantemente ofensiva e baseada no senso comum em definir a todos policiais como ‘bolsonaristas’”.
“As instituições policiais são apartidárias e heterogêneas. Nelas há uma pluralidade de ideologias, culturas e pensamentos entre cada integrante servidor. Porém, por serem pautados pelos princípios da legalidade e impessoalidade, não há vieses para querelas políticas e eleitorais as quais buscam invocar o referido prefeito em suas lamentáveis manifestações”, diz o documento.
As nove associações que assinam a nota de repúdio consideram que as declarações de Neto Barros contribuem para prejudicar a imagem dos policiais perante a sociedade: “Este debate promovido pelo sr. prefeito de Baixo Guandu gera o pior tipo de cenário e tensão em uma coletividade já conturbada com a pandemia da Covid-19 e agrava ainda mais o sentimento geral de desprestígio dos policiais no Estado do Espírito Santo”.
Por fim, as entidades dos policiais sugerem que vão acionar o prefeito na Justiça: “Serão adotadas as providências legais e interpelatórias quanto a estas declarações exorbitantes à livre manifestação de pensamento, posto que difamatórias e atentatórias à honra objetiva dos policiais que trabalham em Baixo Guandu e às unidades policiais ali existentes”.

O QUE O PREFEITO FALOU NO VÍDEO

No vídeo, visto pela coluna, o prefeito diz que, “às vezes”, um policial militar é acionado após denúncia de um cidadão ao disque-aglomeração, mas no entanto o PM se recusa a atender a ocorrência por ser adepto do presidente da República, que é contra o isolamento social como forma de enfrentar a pandemia.
Neto Barros, na conversa com a vice-governadora e que contou com a presença também do presidente da Câmara de Vereadores de Baixo Guandu, ressalva que não estava falando de todos os policiais: “É bom ressaltar que não são todos os policiais militares ou integrantes das Forças Armadas que são bolsonaristas. É uma minoria, eu quero crer que seja uma minoria”.
O prefeito disse que, diante dessa situação de suposta insubordinação de PMs em Baixo Guandu, vai colocar os policiais militares para fiscalizar os decretos emanados do governo do Estado. “A prefeitura estava fazendo a cópia, o que o governo do Estado editava a prefeitura fazia a cópia, mas como está tendo esse choque de fanatismo político, inclusive dentro da Polícia Militar, a gente vai dizer ao governo do Estado que as ordens e os decretos estaduais serão cumpridos pela Polícia Militar”, afirmou Barros.

QUEM ASSINA A NOTA

A nota de repúdio contra o prefeito guanduense é assinada pela: Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires); Associação dos Bombeiros Militares do Estado do Espírito Santo (ABMES); Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Estado do Espírito Santo (ACSPMBM-ES); Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar e do Bombeiro Militar do Estado do Espírito Santo (Asses); Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo (Assomes); Sindicato dos Investigadores de Polícia Civil do Estado do Espírito Santo (Sinpol); Associação dos Investigadores de Polícia do Estado do Espírito Santo (Assinpol); Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Espírito Santo (Sindepes) e Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Espírito Santo (Adepol).

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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