Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Leonel Ximenes

O desafio do próximo papa: brindar com Trump e comer com os pobres

Cabe ao sucessor do grande Francisco ter uma postura mais conciliadora, evitando que se aprofundem as divisões que corroem a unidade da Igreja

Publicado em 22 de Abril de 2025 às 03:11

Públicado em 

22 abr 2025 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes Leonel Ximenes
Papa Francisco realiza celebração diante da imensa praça vazia de São Pedro, no Vaticano, nesta sexta-feira, 27.
Papa Francisco realiza celebração diante da imensa praça vazia de São Pedro, no Vaticano, durante a pandemia de Covid Crédito: Vaticano
Não é fácil ser papa. O pontífice romano, apesar de ser um dos homens mais poderosos do mundo, deve saber que o bom senso é o limite do seu pontificado. Ele não pode colocar em risco a unidade da Igreja Católica forjada em mais de dois mil anos de história.
E ainda mais difícil é ser sucessor de Francisco, um papa de gestos e palavras eloquentes, principalmente em favor dos mais desfavorecidos da sociedade, o que naturalmente deveria ser um atributo digno de aplausos em se tratando de um líder cristão de mais de 1 bilhão de almas.
Mas não foi assim, infelizmente. Não obstante suas inúmeras qualidades, o papa que acaba de nos deixar provocou - ainda que involuntariamente - divisões e fissuras na Igreja Católica mundo afora. O fantasma da ruptura ronda as majestosas colunas fincadas por São Pedro, o primeiro papa.
Quero ressaltar esse aspecto: Francisco foi contestado, afrontado e até desrespeitado, por vastos segmentos católicos, por suas virtudes. O pontífice argentino foi “vítima” do seu tempo: como na política, a religião também sofre com a ação de grupos sectários, fundamentalistas e arrogantes.
E na Igreja de Pedro o que não falta é sectarismo, agressividade e até um certo primitivismo em relação ao papel mais contemporâneo da religião e de um líder religioso como o papa.
Esse embate que corrói a unidade da Igreja e cria rachaduras nas dioceses mundo afora, talvez seja o maior desafio do próximo pontífice, seja ele quem for - de linha progressista, moderada ou conservadora.
Papa recebe o presidente dos EUA durante o primeiro mandato de Donald Trump, em maio de 2017
Papa recebe o presidente dos EUA durante o primeiro mandato de Donald Trump, em maio de 2017 Crédito: Vatican/Divulgação
O sucessor de Francisco vai ter que ter a sabedoria de transitar entre todas as vertentes da Igreja, dialogando, abrindo portas e acolhendo os diversos grupos que hoje se digladiam e que muitas vezes se parecem mais como militantes extremistas do que com fiéis de uma religião.
Talvez não seja o momento, por exemplo, de se escolher um papa mais “ideologizado”, seja à direita ou à esquerda. Afinal, o líder católico terá que se equilibrar em posições às vezes antagônicas, em nome da unidade tão duramente conquistada em mais de 20 séculos.
É importante, claro, que o líder romano saiba se articular para manter pelo menos as conquistas atuais, mesmo que à custa de muita conversa e paciência. Não dá para retroceder, mas, tendo em vista ser uma instituição tão antiga e poderosa, as mudanças não podem ser impostas sem convencimento, sem um mínimo de consenso e flexibilidade.
Na Igreja, as transformações são lentas, mas podem e devem ser graduais. Não se trata de um partido político ou de um sindicato. Estamos falando de uma religião e de um Estado (o Vaticano) que tem na tradição um dos seus alicerces.
Lula e Papa Francisco
Papa Francisco abençoa o presidente Lula no Vaticano Crédito: Ricardo Stuckert
A unidade, neste momento, é um bem tão precioso que talvez não seja a ocasião de o futuro pontífice propor, por exemplo, avanços que podem até ser considerados normais para a sociedade moderna, mas que não são tão simples de serem aceitos em uma instituição tão tradicional.
Pautas como o fim de celibato clerical, a ordenação de mulheres, a abertura maior para casais homoafetivos são legítimas e certamente serão implementadas algum dia, mas têm que ser discutidas com muito cuidado pelo sucessor de Francisco.
Ao líder católico cabe a tarefa de conciliar, ser tolerante e ter sabedoria para bem governar. É fundamental (repito, fundamental) que o papa sente-se à mesa para comer com os pobres e excluídos, mas ele não deve recusar também um convite para brindar em torno de um bom vinho californiano (sem tarifas) com Donald Trump na Casa Branca.
Dividir para governar é coisa de imperador romano. Ao pontífice romano cabe construir pontes - para o povo de Cristo atravessar os perigos com segurança e sem divisões.

Leonel Ximenes

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Quase mil pessoas são presas após confrontos em mais um dia de protestos em massa na França
Imagem de destaque
Pesquisa mostra vantagem de Pazolini, mesmo com esforço de Ricardo, diz diretor da Quaest
A Gazeta terá cobertura em tempo real para o segundo turno das Eleições 2026
2º turno das Eleições 2026: acompanhe a votação no ES em tempo real

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.