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No ES, a cerveja que vem da terra volta para a terra

Resíduo da fabricação da bebida está sendo utilizado na preparação de fertilizantes orgânicos

Vitória
Publicado em 05/02/2026 às 17h27
Bagaço de malte utilizado na mistura para fabricação do fertilizante orgânico
Bagaço de malte utilizado na mistura para fabricação do fertilizante orgânico. Crédito: Divulgação

Da terra vieste, à terra voltarás. A expansão das cervejarias artesanais no Espírito Santo tem ampliado a geração de bagaço de malte, um resíduo que pode ser reaproveitado na agricultura. O aproveitamento do resíduo está em pleno desenvolvimento pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em Domingos Martins.

Na Unidade de Referência em Agroecologia (URA) do Incaper, o material é utilizado na preparação de fertilizantes orgânicos, em uma iniciativa que busca ajudar agricultores a produzir com menos custos e de forma mais sustentável, além de garantir uma destinação ambientalmente adequada ao subproduto.

O bagaço de malte, explica o Incaper, tem altos teores de nitrogênio e é um insumo disponível em diversas regiões do país, com custo relativamente baixo. Na URA, o material - doado por uma cervejaria - passa por um processo de fermentação para a produção do composto orgânico conhecido como bokashi, utilizado na adubação de hortaliças, frutíferas e outras culturas conduzidas em sistemas agroecológicos.

“Além de fornecer nitrogênio na forma de matéria orgânica, o bagaço funciona como fonte de energia para os microrganismos responsáveis pela fermentação do composto”, explica o pesquisador Jhonatan Marins, coordenador da unidade, que enfatiza que o bagaço de malte tem papel fundamental na formulação do fertilizante.

MISTURA FÉRTIL

Atualmente, o bagaço de malte é utilizado em misturas que combinam diferentes resíduos orgânicos, como casca de café, casca de banana, folhas de leguminosas e biomassa vegetal triturada. Essa combinação garante a fermentação adequada do material e resulta em um fertilizante estável, eficiente e adaptado às necessidades das culturas.

“O bokashi precisa passar por um processo de acidificação. Sem isso, o material pode apodrecer e perder qualidade. O bagaço de malte ajuda justamente a garantir essa fermentação correta”, destaca o pesquisador.

Além do uso agronômico, o aproveitamento do bagaço de malte permite substituir insumos mais caros, como o farelo de trigo, comumente utilizado nesse tipo de composto. “O bagaço cumpre a mesma função, mas com custo bem menor, o que torna o sistema mais viável para os agricultores”, afirma Marins.

Na unidade, o biofertilizante já vem sendo aplicado em áreas de hortaliças e, mais recentemente, no cultivo de milho. A proposta agora é ampliar a produção do composto e avaliar sua eficiência em diferentes culturas e áreas.

“A ideia é estruturar uma biofábrica de baixo custo, capaz de produzir grandes volumes de fertilizante, tanto para atender a URA quanto para uso em áreas externas”, pontua. Segundo ele, o objetivo é calcular os custos e comprovar a eficiência agronômica do insumo em sistemas orgânicos e agroecológicos.

Ainda de acordo com o pesquisador, em breve será realizado um Dia de Campo sobre o tema. Produtores interessados em aprender o processo de produção do fertilizante com uso de bagaço de malte podem agendar visita à URA pelo e-mail [email protected].

A unidade fica no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), localizado na Fazenda do Estado, em Aracê, Domingos Martins (BR-262, km 94).

Se beber não dirija, mas se produzir cerveja, saiba que o bagaço de malte é muito útil para a agricultura capixaba.

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