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Leonel Ximenes

No dia em que as máscaras caíram, o desabafo do secretário de Saúde do ES

“Se não fosse a contaminação política, estaríamos em outro patamar na pandemia”

Publicado em 06 de Abril de 2022 às 18:44

Públicado em 

06 abr 2022 às 18:44
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes Leonel Ximenes
O momento em que o secretário Nésio Fernandes retira sua máscara, ao lado do governador Casagrande e do subsecretário Reblin
O momento em que o secretário Nésio Fernandes retira sua máscara, ao lado do governador Casagrande e do subsecretário Reblin Crédito: Carlos Alberto Silva
A sensação de alívio não esconde uma certa indignação do secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes, que ao lado do governador Renato Casagrande (PSB), anunciou na tarde desta quarta-feira (6) uma notícia há muito esperada: o uso de máscaras deixa de ser obrigatório no Espírito Santo como instrumento de enfrentamento à pandemia de Covid-19.
“Se não fosse a contaminação política e ideológica, estaríamos em outro patamar na gestão da pandemia no Espírito Santo. Temos em estoque milhões de vacinas, mas houve subestimação sobre a eficácia dos imunizantes”, lamenta o secretário, sem no entanto apontar os responsáveis por essa cruzada contra as decisões de enfrentamento da Covid-19 implementadas pelo governo do Estado.
Segundo a coluna apurou, é voz corrente nas autoridades de saúde pública do Estado que a decisão pela não obrigatoriedade do uso de máscaras poderia ter sido adotada há mais tempo. “Se o combate à pandemia não fosse politizado, teríamos alcançado as metas muito antes”, destaca o secretário, alvo constante de grupos de extrema-direita e de negacionistas de todo tipo, principalmente nas redes sociais.
Mas, mesmo assim, Nésio comemora os resultados alcançados pela gestão da pandemia: “Não nos precipitamos. Adotamos as medidas no tempo certo, com fundamentos científicos, fortalecendo a agenda da saúde pública no Espírito Santo”.
Apesar de não citá-lo nominalmente, Nésio lamenta que o presidente Jair Bolsonaro (PL) não tenha se empenhado no combate à pandemia como deveria. E vaticina: “Se o chefe do executivo federal tivesse estimulado o uso de máscaras e a vacinação, poderia ser eleito no primeiro turno, mas ele revelou ser incapaz de expressar empatia e preferiu menosprezar todos os riscos do vírus e combater todas as medidas adotadas para enfrentá-lo”.
"É preciso reconhecer, como trabalhador do SUS e como governo, o papel da imprensa e dos jornalistas: participaram da linha de frente conosco e foram fundamentais para informar com qualidade o risco e a dimensão da pandemia, assim como, para fortalecer as convicções em torno das vacinas, das máscaras e das evidências científicas. Dividimos dores, dúvidas, energias e lágrimas. Hoje é um dia feliz"
Nésio Fernandes  - Secretário estadual da Saúde
O secretário estadual da Saúde destaca também que a boa relação do governo do Estado com as demais instituições foi fundamental para o sucesso das ações de combate à Covid, diferentemente do que aconteceu em âmbito nacional.
“Aqui não teve relação de beligerância. O distanciamento das instituições não tem sentido e prejudicaria a gestão da pandemia. Diferentemente do cenário federal, no Espírito Santo as instituições, e a qualidade da relação entre elas, chegam mais fortalecidas neste momento da pandemia.”
Nésio recorre aos números para comprovar, na visão dele, que o Estado colheu frutos nestes pouco mais de dois anos de gestão na saúde. “Em 2018, tínhamos a quinta pior cobertura do país em equipes de saúde da família. Hoje temos mais de 900 equipes e vamos chegar às três primeiras posições do Brasil.”
Ele destaca também que o governo do Estado acertou em não investir em hospitais de campanha e colheu bons resultados ao aumentar a capacidade de vacinação: “Atualmente, temos mais de 1.200 leitos de UTI para a regulação e mais de 700 salas de vacinação ativas. Eram 630 leitos de UTI antes da pandemia e menos de 500 salas de vacinação”.
Por fim, se sentindo realizado pelo anúncio da desobrigação do uso de máscaras em todo o território capixaba, ele desabafa e manda um recado aos seus muito detratores: “Minha expectativa é que deixem a gente em paz para mobilizar a sociedade capixaba pela saúde”.

Leonel Ximenes

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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