Presente em milhões de lares brasileiros, o gato costuma ser sinônimo de companhia e afeto. Fora do universo dos pets, porém, o nome ganha outro significado, muito menos simpático: fraude no abastecimento de água, popularmente chamado de “gato de água”.
Somente em 2025, a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) estima que cerca de 72 bilhões de litros de água tenham sido desviados por meio de ligações clandestinas. Esse volume seria suficiente para abastecer 1,9 milhão de pessoas durante um ano.
Em razão dessas irregularidades, a empresa deixou de arrecadar aproximadamente R$ 418 milhões, valor que poderia ter sido investido na modernização e ampliação dos sistemas de abastecimento. Na Região Metropolitana, os “felinos” ilegais consumiram cerca de 64 bilhões de litros de água.
O problema é estruturante: os desvios representam mais de 40% do volume produzido para cidades como Guarapari, Fundão, Vitória, Serra, Cariacica, Viana e Vila Velha. Em alguns bairros, cerca de 70% dos imóveis têm ligações irregulares, evidenciando a dimensão da fraude e a urgência de fiscalização e conscientização da população.
PRÁTICA CRIMINOSA
Ágil e silencioso, o “gato de água” desvia um recurso essencial que já foi captado, tratado e distribuído, prejudicando quem paga corretamente e comprometendo investimentos em melhorias do sistema. No Brasil, a prática é crime previsto no artigo 155 do Código Penal, com pena de um a quatro anos de prisão e multa.
Para conter a fraude, a Cesan intensificou o monitoramento, a fiscalização e a regularização das conexões, além de ampliar o uso de tecnologia para identificar e eliminar ligações clandestinas. O objetivo é proteger um bem essencial à vida humana e garantir que a água chegue até quem paga pelo serviço.
Em operações recentes, técnicos retiraram diversas ligações irregulares das tubulações oficiais, mostrando que o problema persiste e exige vigilância constante. E, de acordo com a companhia, ligações clandestinas também são flagradas em condomínios de alto padrão, chácaras, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais, entre outras unidades - também conhecidos como “gatos de raça”.
LIGAÇÕES CLANDESTINAS EM GUARAPARI
Há pouco mais de duas semanas, a Cesan descobriu uma série de ligações clandestinas no bairro Cachoeirinha, em Guarapari. A água era desviada para restaurantes, sítios e até áreas residenciais, prejudicando o abastecimento de clientes regulares e causando desabastecimento na Cidade-Saúde em plena temporada de verão.
A empresa reforça que a colaboração da população é fundamental, porque no fim das contas, enquanto o “gato” bebe água limpa, as torneiras de quem paga ficam secas.
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