Colatina está gritando por socorro.
Como mostrou a coluna, a principal cidade do Noroeste do Estado começou 2023 convivendo com índices intoleráveis de violência, incluindo homicídios e crimes contra o patrimônio. Nos três primeiros meses do ano, já foram registrados 10 crimes contra a vida, ante os sete do primeiro trimestre deste ano. A reação talvez tenha demorado a começar. Mas começou, e isso tem que ser exaltado. Foi nesta quarta-feira (5) da Semana Santa. Aos fatos.
Uma grande operação policial foi deflagrada na manhã de quarta, acompanhada pessoalmente pelo coronel Alexandre Ramalho, secretário estadual de Segurança Pública. Segundo informações da polícia, os alvos eram ligados a uma organização criminosa que atua no tráfico de drogas e é envolvida em homicídios no município.
"Os alvos estão ligados ao tráfico de entorpecentes. Hoje, quem mais mata e morre, cerca de 80%, está envolvido no tráfico, cometido por arma de fogo em uma faixa etária de 14 a 29 anos”, analisou Ramalho.
No total, cerca de 160 policiais de diversas unidades especializadas das
Polícias Civil e
Militar participaram da ação, inclusive com apoio da Core, BME e BAC. O helicóptero do Notaer também prestou apoio. Foram presas 24 pessoas, sendo 21 por cumprimento de mandado judicial e outras três detidas em flagrante.
Foram tiradas das ruas uma submetralhadora de fabricação artesanal, calibre .380, além de um revólver calibre .38, uma pistola calibre .380 e 70 munições de arma de fogo. O arsenal criminoso em poder dos bandidos sofreria outras baixas relevantes.
A megaoperação ainda apreendeu R$ 7.635,00 em espécie, cinco balanças de precisão, 158 porções de cocaína, 60g de cocaína, 662 porções de maconha, 556g de maconha, 310 porções de crack, 5g de crack, além de vasto material para fracionamento e embalo de drogas.
Na semana passada, a Comissão de Segurança da
Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Delegado Danilo Bahiense (PL), realizou audiência pública que debateu justamente a violência em Colatina, na Câmara dos Vereados do município. À ocasião, moradores pediram por intensificação da vigilância, por meio do Cerco Eletrônico, e melhor monitoramento das divisas do Noroeste capixaba.
Agora fica o desafio: as forças de segurança do Estado devem ser menos reativas e se antecipar à ação dos criminosos. Agindo preventivamente, e de forma constante, os índices de violência certamente vão cair.
Colatina deve continuar famosa não pela criminalidade que maltrata e oprime a população, mas sim pelo mais belo pôr do sol do Estado. É o brilho que orgulha e não faz mal a ninguém.