O Espírito Santo registrou, até o momento, 830.776 infrações de trânsito em 2026. Os números, extraídos dos observatórios de Segurança Pública e do Trânsito, indicam uma tendência de redução ao longo dos meses: em janeiro foram contabilizadas 144.855 autuações, enquanto em junho esse total caiu para 116.649, uma diminuição de 19,47%.
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Apesar desse comportamento aparentemente positivo nos registros de infrações, a realidade das rodovias e vias urbanas segue preocupante. Até o último dia 18 de julho, o Estado já contabilizava 554 mortes no trânsito.
O dado chama ainda mais atenção quando comparado aos índices da criminalidade violenta. No mesmo período, o Espírito Santo registrou 368 homicídios dolosos. Isso significa que o número de pessoas mortas em acidentes de trânsito é 50,54% maior do que o de vítimas de assassinato.
MAIS LETALIDADE
Para o advogado especialista em Direito no Trânsito e especialista em Segurança Pública Fábio Marçal, os números revelam que a redução das infrações registradas, por si só, não tem sido suficiente para diminuir a letalidade no trânsito.
"É um cenário extremamente preocupante. Embora haja uma redução gradual nas infrações registradas ao longo dos meses, esse movimento não está sendo acompanhado por uma queda nas mortes. Isso demonstra que apenas fiscalizar e autuar não basta. É preciso compreender quais condutas continuam produzindo acidentes fatais e agir de forma mais estratégica", sugere.
A sociedade deve cobrar dos candidatos propostas concretas para reduzir essas mortes. Não podemos naturalizar que centenas de pessoas continuem perdendo a vida todos os anos no trânsito capixaba
Fábio Marçal Especialista em Direito no Trânsito e em Segurança Pública
Segundo Marçal, o trânsito deve ser tratado como uma pauta permanente de saúde pública e de segurança pública: “Cada uma dessas mortes representa uma vida interrompida precocemente, famílias destruídas e um enorme impacto social e econômico. Estamos falando de um problema que mata mais do que os homicídios dolosos no Espírito Santo. Isso exige políticas públicas consistentes, com investimentos em educação para o trânsito, engenharia viária, fiscalização inteligente e ações integradas entre os órgãos responsáveis."
Para o especialista, o tema também precisa ganhar espaço no debate público. "Estamos diante de uma tragédia silenciosa. O enfrentamento dessa realidade precisa fazer parte das prioridades do Estado e também entrar na pauta das próximas eleições. A sociedade deve cobrar dos candidatos propostas concretas para reduzir essas mortes. Não podemos naturalizar que centenas de pessoas continuem perdendo a vida todos os anos no trânsito capixaba."
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