Após um primeiro semestre quase todo difícil, a indústria brasileira de rochas, que é muito concentrada no Espírito Santo, deu uma bela respirada em junho, com as melhores vendas da história para fora. As exportações cresceram 34,1% na comparação com o mesmo mês de 2025. No semestre, queda de 4,2%. Os dados são da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas). Quando vamos aos detalhes dos números, um movimento merece atenção: os números positivos do setor vieram da venda de blocos brutos, sem qualquer tipo de manufatura, ou seja, com menos valor agregado e com muito menos consumo de insumos dentro do Brasil. É uma espécie de "brutalização".
No primeiro semestre, a indústria de rochas como um todo vendeu para fora do Brasil US$ 711,1 milhões, 4,2% abaixo do ano anterior. Os produtos manufaturados ainda são os mais comercializados, US$ 514,7 milhões, mas tiveram queda de 11,9% em relação ao mesmo período de 2025. Os blocos brutos, por sua vez, bateram em US$ 197,4 milhões, expansão de 23,8% em relação a 2025.
As idas e vindas das tarifas dos Estados Unidos, que são os grandes importadores das rochas brasileiras e compram com valor agregado, atrapalharam o mercado. Os EUA permaneceram como principal destino das exportações brasileiras, respondendo por 51,2% das vendas externas, com US$ 364,3 milhões, mas reduziram as suas compras em 14,4% no primeiro semestre. A China, grande compradora de blocos, pisou no acelerador e ampliou em 32,8% suas importações, alcançando US$ 147,7 milhões, consolidando-se como principal mercado em expansão para as rochas brasileiras.
É uma mudança bem rápida e que merece ser acompanhada com lupa para ver se se mantém. A China compra o bloco bruto para fazer o beneficiamento por lá. A transformação para chapas e outros tipos de formatos, que hoje é feita no Brasil, destacadamente pela indústria do Espírito Santo - Sul do Estado e Serra -, passa a ser carreada para lá. Trata-se de uma alteração que impacta um negócio bilionário no Espírito Santo e que gera milhares de empregos.
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