O agronegócio do Espírito Santo exportou US$ 1,52 bilhão (R$ 7,7 bilhões), no primeiro semestre de 2026. Uma redução de 2,3% na comparação com o mesmo período de 2025 e na contramão do Brasil, que cresceu 6,2% nos primeiros seis meses do ano. O forte avanço da pimenta-do-reino (15,2%) e o crescimento do complexo do café - soma de arábica, conilon e solúvel - (6,7%), não foram suficientes para conter as perdas puxadas principalmente pela venda de celulose, que, até agora, caiu 18,6%, em 2026. Esses três produtos respondem por mais de 90% das vendas do agro do Estado para o exterior. Os dados são da Secretaria de Estado da Agricultura.
Dentro do complexo do café, responsável por 54,2% das exportações, cabe um detalhamento. As vendas de café verde (arábica e conilon sem qualquer tipo de beneficiamento) subiram 10,4% no semestre, chegando a US$ 658,3 milhões. No entanto, as negociações de solúvel, e o Espírito Santo tem um dos maiores complexos desta agroindústria do Brasil, encolheram 18,3%, ficando em US$ 93,1 milhões. As vendas de solúvel vem sendo muito prejudicadas pelas idas e vindas das tarifas dos Estados Unidos, que é um grande comprador do produto. "Os valores obtidos com a venda foram maiores mesmo com a queda nos preços, isso significa que o mercado aumentou lá fora. Sobre o solúvel, sofreu muito com a tarifação, mas a nossa expectativa é de melhora", explicou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.
A celulose, outro produto muito forte dentro da agroindústria capixaba, caiu dos US$ 492,06 milhões comercializados, no primeiro semestre de 2025, para US$ 400,7 milhões, em 2026. "Tivemos aqui uma série de questões, como preços mais baixos no mercado internacional e um ajuste feito pela Suzano por causa da falta de madeira. A matéria-prima vinda de Minas Gerais estava com a logística muito cara, assim, houve uma redução na produção e nas divisas que entraram", disse Bergoli.
O que também chamou a atenção foi a vertiginosa queda das exportações de carne pelo Espírito Santo: -95,5%. "O Frisa, de Colatina, vem sofrendo com falta de mão-de-obra. Diante do cenário, eles levaram a produção voltada para o exterior para a operação que eles têm em Nanuque, Minas Gerais. A explicação é essa".
A grande notícia ficou por conta da pimenta-do-reino. Despois do histórico ano de 2025, as vendas seguem muito fortes, alcançando US$ 232,5 milhões no primeiro semestre. "É um marco muito importante para o agro do Espírito Santo, a pimenta se consolidou como o terceiro produto mais vendido pelo Estado e está entregando um resultado formidável", comemorou o secretário.
Variações no valor exportado:
Em alta:
Pimenta-do-reino (+15,2%)
Café verde (+10,4%)
Chocolate e preparado de cacau (+15,3%)
Complexo café (+6,7%)
Em baixa:
Café Solúvel (-18,3%)
Celulose (-18,6%)
Carne Bovina (-95,5%)
Pescado (-69,7%)
Gengibre (-11,6%)
Mamão (-1,6%)
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