A taxa de homicídios relaciona o número absoluto de mortes violentas com o tamanho da população e assim consegue dimensionar a violência em um território com mais precisão. No Espírito Santo, como mostrado pela colunista Vilmara Fernandes, as maiores taxas estão em cidades com menos habitantes, e isso precisa mobilizar as autoridades na busca por pacificação.
Pancas, com seus 19.120 habitantes, teve oito mortes em 2026 até o dia 12 de julho, uma taxa de 42 por 100 mil habitantes. Há exemplos recentes da violência no município, como em 2 de julho, quando um homem foi morto a facadas após um desentendimento.
Sooretama, logo atrás, tem uma taxa de 35 por 100 mil habitantes. Na semana passada, um adolescente foi morto a tiros no quintal de casa. Ibatiba e Jaguaré seguem na sequência, ambos com taxa de 29 por 100 mil. No primeiro município, um dono de pastelaria foi executado dentro do próprio estabelecimento em maio; no segundo, dois jovens foram mortos a tiros em um bar no início de julho.
A criminalidade no interior tem sido, em muitos casos, um desdobramento da expansão do tráfico em busca de novos mercados. Não se pode dar espaço para a criminalidade, sob o risco de ela se fixar e criar raízes. É nesse momento que as coisas podem sair do controle.
Mas também há os desafios relacionados aos crimes de proximidade, bastante comuns nessas cidades menores. Desavenças que são resolvidas com violência acabam sendo imprevisíveis, mas a percepção de que não são crimes que ficam impunes pode ajudar a reduzi-los. Investigação rigorosa é, portanto, crucial.
Não se pode minimizar o caso. Somente as quatro cidades citadas anteriormente têm taxas bem acima da média nacional: o Atlas da Violência 2026 mostrou que o Brasil atingiu a menor taxa de homicídios em 11 anos, de 20,1 assassinatos a cada 100 mil habitantes. E a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera endêmicas ou epidêmicas taxas de homicídio acima de 10 mortes por 100 mil.
Cidades pequenas tão violentas assim são um contrassenso. E justamente por isso é perfeitamente possível mudar essa realidade, com ações bem planejadas.
LEIA MAIS EDITORIAIS