Com frequência, este jornal noticia que Câmaras Municipais do Espírito Santo aprovam aumentos de diárias para viagens e dos próprios salários, criam benefícios como auxílio-alimentação para os próprios vereadores ou promovem reajustes expressivos nos já existentes, entre outros gastos que vão ter impacto no orçamento.
O bom e velho "não existe almoço grátis", porque alguém paga a conta. E nesses casos todos sabem que o dinheiro sai do bolso do contribuinte.
A radiografia das despesas das 78 câmaras capixabas registrada no anuário Finanças dos Municípios Capixabas 2026 mostrou que os valores para manter as estruturas legislativas cresceram 9,8% em 2025, na comparação com o ano anterior, chegando a R$ 616,7 milhões. O registro foi feito pela colunista Letícia Gonçalves.
A Câmara de Presidente Kennedy, no Sul do Estado, viu as despesas avançarem 75,1%, de R$ 3,3 milhões, em 2024, para R$ 5,7 milhões, em 2025. Foi, assim, o município capixaba com maior crescimento relativo.
No mesmo período, como apontou a coluna de Abdo Filho, as despesas das prefeituras capixabas, no primeiro ano de mandato, ficaram em R$ 26,03 bilhões, 3,6% abaixo dos quase R$ 27 bilhões de 2024. Um freio que ocorreu sobretudo com cortes nos investimentos, também de acordo com o anuário.
Dois mundos bem diferentes, como se vê.
No caso das câmaras, é notório que os gastos são primordialmente com custeio e pessoal. Aquelas movimentações legislativas citadas no início deste texto mostram bem esse destino, e em muitos casos há decisões questionáveis, que escapam do interesse público. O controle social se faz necessário, para que não haja abusos.
O controle dos gastos é a base de uma boa gestão pública. Estar de olhos atentos às decisões dos vereadores no uso dos recursos públicos é uma contribuição substancial do jornalismo profissional. É monitorando as despesas que se protege o dinheiro público.
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