Até Sísifo se compadeceria do Brasil diante da iminência de mais um tarifaço de Donald Trump. Se na mitologia grega o personagem foi castigado a levar pela eternidade uma pedra ao alto da montanha só para vê-la rolar novamente, o país sente frustração parecida ao ter que encarar mais uma vez negociações para impedir a imposição de novas tarifas aos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.
Não há outra saída diante de uma insanidade: munir-se da razão para tentar evitar o pior para os setores econômicos ameaçados.
Na audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) nesta semana, foi a principal entidade representativa do setor de rochas nos EUA, a Natural Stone Institute (NSI), que saiu em defesa do produto brasileiro, ao reforçar a necessidade de "preservar uma cadeia de suprimentos estável e competitiva", como relatado por Abdo Filho em sua coluna.
Como se vê, a sensatez dentro das audiências públicas que poderão definir o futuro das novas tarifas, no próximo dia 15, vem tanto do empresariado brasileiro quanto de seus parceiros norte-americanos. O que se espera é que a decisão seja técnica, embora as motivações políticas continuem a assombrar. E deve ser assim por algum tempo.
O Espírito Santo, que tem os Estados Unidos como principal destino de suas exportações, vai sentir os impactos. Levantamento realizado pelo Observatório da Findes mostra que são mais de 500 produtos que saem do território capixaba a serem afetados, caso o novo tarifaço se confirme.
Os anúncios de novas tarifas fundamentadas naquilo que a Casa Branca considera práticas prejudiciais aos Estados Unidos são decisões arbitrárias que estão fazendo mal à economia brasileira pela permanente instabilidade. No caso do Espírito Santo, a perda de competitividade é intensificada.
Além de lutar dentro das instâncias legais dos Estados Unidos para não ser injustiçado, o Brasil sabe que um recuo da decisão agora não significa uma vitória permanente, diante de um governo norte-americano tão movediço. E, assim, carrega a pedra para o topo mais uma vez.
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