A economia do Espírito Santo cresceu 2,2% no primeiro trimestre de 2026. O dado é do Indicador de Atividade Econômica da Federação das Indústrias do Espírito Santo. O que puxou a alta foi a indústria, com avanço de relevantes 11,2%. A indústria extrativa (leia-se petróleo e mineração), a maior do Estado, cresceu 35% nos primeiros três meses do ano: 40,8% petróleo e gás e 26,7% pelotização.
Números de fato muito fortes, mas precisamos olhar para o filme. De fato estamos em uma trajetória firme de expansão? Os dados do mesmo Indicador de Atividade Econômica mostram que não. No melhor dos cenários poderíamos falar no início de uma retomada da indústria extrativa capixaba. Vamos aos dados:
No primeiro trimestre de 2015, auge do pré-sal no Espírito Santo, a produção de petróleo e gás natural no Espírito Santo chegou a superar os 500 mil barris por dia. Em 2022, chegou a ficar abaixo dos 200 mil barris por dia e, agora, no primeiro trimestre, se aproximou dos 300 mil barris/dia. Bem melhor que 2022, mas muito abaixo do registrado há onze anos. O início das operações da nova plataforma da Petrobras, Maria Quitéria, e do campo de Wahoo, da Prio, no litoral Sul, empurraram o avanço recente.
Quando olhamos para a produção capixaba de pelotas de minério de ferro, movimento bastante semelhante. No primeiro trimestre de 2015, a produção chegou a superar 14 milhões de toneladas. O rompimento das barragens da Samarco, em Mariana, e da Vale, em Brumadinho, jogaram a produção para abaixo de 4 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2020. Agora, com a Samarco funcionando com 60% da capacidade e com a Vale, por causa da guerra no Oriente Médio direcionando a produção de Omã para Vitória, a fabricação trimestral está na casa dos 8 milhões de toneladas. O dobro do registrado em 2020, mas perto da metade do que foi produzido em 2015.
A Samarco vai voltar e a Vale deve recuperar a sua produção. O cenário para petróleo não é tão claro assim. O Espírito Santo, por tudo isso, deve estar de olhos cada vez mais abertos para a sua base industrial e intensificar a busca por alternativas. A confirmação da GWM é um bom começo.
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