"Pode anotar aí: vai ser a fábrica tecnológica do setor automotivo do Brasil". A afirmação é de Márcio Alfonso, um profundo conhecedor da indústria automobilística brasileira. Ele ficou por quase 38 anos na Ford, depois passou pela CAOA e, hoje, é o diretor de Produção e Inovação da Great Wall Motors (GWM) no país. Será o responsável pela implantação da fábrica de Aracruz, um investimento de US$ 1 bilhão (pouco mais de R$ 5 bilhões a preço de hoje) e que vai empregar cerca de 10 mil pessoas diretamente. A capacidade plena, em princípio (ela pode aumentar), será para 200 mil carros por ano. "Não será a maior em volume, mas será a mais tecnológica", arrematou Alfonso.
A ideia da GWM é implantar uma unidade altamente verticalizada em solo capixaba. Isso significa trazer uma série de processos industriais para Aracruz. Estamos falando de estamparia, pintura, injeção de plástico, interiores, motores, baterias e por aí vai. Algumas subsidiárias do conglomerado chinês - são mais de 70 espalhadas pelo mundo - vão se instalar em Aracruz. Para termos ideia do que vem por aí, hoje, em Iracemápolis, interior de São Paulo, onde a GWM inaugurou uma unidade em agosto de 2025, são quatro processos industriais rodando. Na unidade de Aracruz, já estão previstos algo perto de 20 processos logo no início da operação.
É uma injeção pesada de tecnologia e inovação na indústria capixaba. "O foco é na eficiência e na inovação. A fábrica de Aracruz já terá a nova plataforma de veículos da GWM, que possibilitará a fabricação de novas famílias e de várias outras versões. O ponto central é trazer muita tecnologia e vários processos industriais", adiantou Alfonso.
As oportunidades que surgem são grandes. Além de qualificar mão de obra em escala industrial, a GWM vai atrás de bons fornecedores. "Estamos falando de uma enorme plataforma de inovação, que está eletrificando a frota mundial de carros e injetando muita tecnologia, além de produzir baterias para suportar isso tudo e outros vários componentes eletrônicos. A China, há trinta anos, aprendeu a fazer com as outras montadoras, o Brasil e o Espírito Santo podem fazer o mesmo. Uma grande oportunidade de dominar essa produção. A nossa jornada aqui é de longo prazo", disse Ricardo Bastos, diretor de Relações Institucionais e Governamentais na GWM Brasil.
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