O fundador e proprietário da Great Wall Motors (GWM), Jack Wey, não veio ao Espírito Santo participar da cerimônia, desta terça-feira (30), em Aracruz, no terreno onde o conglomerado construirá uma fábrica de US$ 1 bilhão (pouco mais de R$ 5 bi), mas mandou o seu recado: quer a unidade funcionando o quanto antes, se possível, ainda em 2027. O cronograma que está sendo divulgado é de primeiro carro saindo da linha de montagem em 2029. Mas, no que depender da pressão de Wey, será bem antes.
A pressa tem explicação. A fábrica de Iracemápolis, interior de São Paulo, inaugurada em agosto passado pela GWM, produz 40 mil veículos por ano. Em 2026, a companhia vai vender mais de 100 mil carros no Brasil e a tendência é de alta. Portanto, aumentar a oferta a preços competitivos é fundamental em um mercado cada vez mais aberto para as montadoras chinesas.
Os executivos da GWM, claro, receberam o recado do chefe, mas sabem que os desafios burocráticos e de engenharia não são simples de serem resolvidos. Do ponto de vista da burocracia, os chineses ainda não deram entrada no licenciamento ambiental junto ao Iema (Instituto Estadual do Meio Ambiente). Muito embora o governo do Estado já tenha prometido acompanhar o andamento do processo de perto, para evitar tropeços (promessa refeita pelo governador Ricardo Ferraço em seu discurso desta terça), é difícil imaginar que tudo esteja autorizado em menos de seis meses. Diante dos prazos apertados, entra o desafio da engenharia: colocar uma linha de montagem em operação em tão pouco tempo.
Os executivos estão quebrando a cabeça. Eles acreditam ser possível colocar para rodar uma fábrica modular, com capacidade reduzida (menos de 100 mil carros por ano), no primeiro semestre de 2028.
O primeiro desafio para os chineses da GWM, em solo capixaba, já está dado.
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