A montadora chinesa Great Wall Motor (GWM) escolheu o Espírito Santo para instalar a sua segunda fábrica no Brasil. O lançamento da unidade fabril ocorreu nesta terça-feira (30), em cerimônia realizada no próprio terreno onde ficará a instalação, em Barra do Riacho, Aracruz, no Norte capixaba. O evento contou com a presença de vários executivos chineses.
O Espírito Santo concorreu com outros cinco Estados e até com outros países para abrigar a montadora de carros elétricos. Para a escolha do Estado capixaba, pesaram como diferenciais a transparência e o profissionalismo, além da facilidade logística, segundo o diretor de Relações Institucionais da GWM Brasil, Ricardo Bastos.
“Estamos chegando agora como indústria. Queremos chegar aprendendo com vocês, entendendo e participando das prioridades do que for importante para o Estado”, afirmou.
Bastos destacou a seriedade e a logística estratégica do Estado. O diretor ressaltou que a nova unidade em Aracruz estará a apenas 500 metros do Portocel, facilitando a exportação para a América Latina e, futuramente, para a Europa.
“Quando a gente olha do ponto de vista da competitividade, o Espírito Santo entregou esse diferencial para decisão final”, frisou.
O investimento é visto como um marco histórico para a economia capixaba. A expectativa é que a indústria gere até 9 mil postos de trabalho de alta qualidade em seu estágio de maturidade. O foco será em mão de obra qualificada. Para isso, parcerias estão sendo iniciadas com o Senai para capacitar os trabalhadores em tecnologias de automação, eletrônica e controle de qualidade.
De acordo com o diretor da GWM, o perfil do emprego na indústria automotiva mudou: "A mão de obra que trabalha hoje saiu da fase de produção mais difícil de esforço físico para um trabalho intelectual."
Investimentos no ES
Embora a GWM já tenha anunciado, em 2022, um pacote de R$ 10 bilhões em investimentos para o Brasil, os números para a planta de Aracruz estão sendo revisados para cima, pois o projeto atual superou as dimensões inicialmente previstas. A previsão é que a fábrica custe US$ 1 bilhão, o equivalente a R$ 5 bilhões. Mas esse valor ainda pode ser superior.
A previsão é que as obras comecem ainda este ano. A montadora mantém a expectativa de começar a produzir os primeiros veículos no Estado em 2029, embora também pretenda adiantar o início das operações.
O diretor de produção global da GWM, Xiangjun Meng, afirma que a escolha por uma segunda fábrica no Brasil, do tamanho que está sendo planejada em Aracruz, vai ajudar a suprir uma demanda que não está sendo atendida de forma suficiente pela primeira unidade em Iracemápolis, São Paulo. Lá, são produzidos cerca de 40 mil veículos por ano, enquanto a unidade capixaba inicialmente vai fabricar 100 mil unidades anuais, podendo no futuro chegar a 200 mil.
A fábrica da GWM será do tipo multienergia. Assim, produzirá veículos elétricos, híbridos e, possivelmente, a combustão. A intenção é montar, na planta do Estado, os modelos Ora e Haval.
“Aqui vamos produzir plataforma multienergia, com vários tipos de motorização para atender o mercado brasileiro. Com dois turnos de trabalho, essa planta vai abrigar mais de 9 mil funcionários diretos. A intenção é colocar de pé o mais rápido possível, gerando emprego e impacto econômico para retribuir o esforço que o Espírito Santo fez até agora”, anuncia.
Já o governador Ricardo Ferraço, que foi, em janeiro, à China para conhecer a fábrica e firmar um acordo com a montadora, frisou que o Estado está preparado para receber um investimento desse tamanho.
“Nós não concorremos apenas com outros estados brasileiros. Concorremos também com outros países para atrair uma empresa como essa, que, muito mais do que uma indústria, é uma plataforma tecnológica. No ambiente de maturidade, vai gerar até 9 mil empregos. A nossa diretriz sempre foi gerar valor agregado à economia do Espírito Santo. E é isso o que está acontecendo”, detalha Ferraço.