Divulgação/Prefeitura de Aracruz
Os deputados estaduais aprovaram, em sessão virtual na Assembleia Legislativa, na manhã desta segunda-feira (29), a doação de uma área de 1,74 milhão de metros quadrados em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, para a instalação da fábrica da montadora chinesa Great Wall Motors (GWM).
A área cedida pelo Estado equivale a dez estádios do Maracanã inteiros, colocados lado a lado, ou a cerca de 240 campos de futebol, conforme o tamanho padrão adotado na Copa do Mundo deste ano (105x68m). A aprovação ocorreu na véspera da cerimônia marcada pelo governo do Espírito Santo para entregar aos executivos chineses a autorização para que o complexo industrial seja erguido na área.
O evento de entrega está marcado para as 10 horas de terça-feira (30), em Barra do Riacho, no terreno onde será construída a fábrica. E vai contar com nomes importantes da liderança da montadora. Vêm ao Estado Xiangjun Meng, CPO (Chief Product Officer) da GWM global, responsável pela estratégia de produto, entre outros.
A proposta apreciada na Assembleia Legislativa recebeu parecer favorável das comissões reunidas de Justiça, de Infraestrutura e de Finanças, sob a relatoria do deputado Alcântaro Filho (Republicanos), mesmo tendo manifestações contrárias.
“Esse projeto, colocando as questões ideológicas à parte, tende a fomentar o nosso desenvolvimento econômico, não só de Aracruz, da região, mas de todo o Espírito Santo, consolidando ainda mais o nosso Estado no mapa do Brasil e no mapa do desenvolvimento econômico do mundo”, afirmou.
Mazinho dos Anjos (MDB) lembrou que outros estados, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, tinham interesse em trazer a indústria automotiva, mas o Espírito Santo venceu essa concorrência. “Esse investimento vai transformar não só aquela região, mas todo o Estado do Espírito Santo”, afirmou.
Thiago Hoffmann (PSB), Lucas Polese (PL) e Capitão Assumção (PL) também se manifestaram em prol do projeto de lei. Outro que defendeu a proposta do Estado foi o deputado João Coser (PT).
“Quando você traz uma indústria automobilística, você gera um desenvolvimento no entorno muito grande”, observou.
O posicionamento do petista contrastou com o entendimento da colega de partido Iriny Lopes (PT). Ela avaliou que o projeto de lei não leva em consideração outros aspectos que não sejam econômicos. “São requisitos ambientais, são requisitos de proteção de população tradicional e requisitos de mão de obra”, ressalvou.
Já Camila Valadão (Psol) lembrou que a fábrica da mesma empresa no Estado de São Paulo foi instalada via compra de terreno e não de doação. E cobrou ainda mecanismos de fiscalização e prestação de contas das contrapartidas assumidas pela empresa de forma clara e objetiva.
O projeto
A previsão é que a área fique próxima à planta industrial da Suzano, em Barra do Riacho, e também dentro da área do Parklog/ES. O projeto de lei autorizando a doação – que também inclui a transmissão de uma área de 79,5 mil metros quadrados doada ao município de Aracruz para a implantação de estruturas públicas ligadas ao Parklog/ES – começou a tramitar na Casa de Leis no último dia 22, tendo o regime de urgência aprovado.
De acordo com informações do projeto, o terreno para a montadora chinesa vai ser destinado a unidades produtivas, áreas logísticas, infraestrutura associada e futuras expansões.
A futura fábrica da GWM prevê capacidade produtiva de até 200 mil veículos por ano, investimentos estimados em R$ 4,6 bilhões e potencial para gerar até 10 mil empregos diretos e indiretos.
A primeira fase do empreendimento, prevista para começar este ano, contempla a produção de até 100 mil veículos anuais, investimentos entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,9 bilhões e geração de até 5 mil empregos. As etapas seguintes poderão ampliar a capacidade para 200 mil veículos por ano a partir de 2030.
Ainda na justificativa para a cessão da área, o governador Ricardo Ferraço (MDB) afirma que a destinação do imóvel constitui um instrumento de fomento vinculado que envolve expressivos investimentos privados, implantação de unidades produtivas, geração de empregos diretos e indiretos, transferência de tecnologia, qualificação de mão de obra local, incremento da arrecadação tributária e indução ao desenvolvimento da cadeia produtiva regional.