Os técnicos da Secretaria de Estado da Agricultura consideram que o Espírito Santo já começou a enfrentar os efeitos do El Niño (aquecimento acima do normal das águas do Pacífico, que acaba alterando as condições climáticas de várias partes do planeta, inclusive no Brasil). Os impactos no agronegócio, é claro, estão no horizonte. Os especialistas apontam que deveremos ter um inverno mais quente e com mais chuva e que fenômeno se estenderá até o começo de 2027, com uma primavera mais quente e seca, e chegando ao verão. Há maiores riscos de picos de temperatura e eventos mais severos de seca e de chuva. A quantidade de incêndios deve aumentar.
"Ainda não dá para falar em prejuízos, mas é fato que teremos anomalias climáticas e que a região Sudeste do Brasil será afetada. Podemos ter picos intensos de chuvas, períodos mais longos de seca e temperaturas mais elevadas que o normal. Estamos conversando muito com os produtores sobre os mais variados aspectos. Por exemplo: ao mesmo tempo que temos de estar preocupados com a reserva de água nas barragens, os vertedouros precisam estar funcionando adequadamente para evitarmos rupturas em situações de chuvas intensas. É um momento que se mostra complexo, que pede atenção e trabalho em conjunto", assinalou Enio Bergoli, secretário de Agricultura do Espírito Santo.
A orientação aos produtores é que eles façam seguro de suas lavouras. "Sabemos que ainda é consideravelmente caro, mas precisa entrar na conta, ainda mais com o cenário traçado. Ainda temos, infelizmente, uma parcela muito pequena de propriedades que são seguradas. A nossa orientação é para fazer o seguro. Tem um detalhe importante: no cinturão verde da Região Serrana, que produz muitas verduras, legumes e frutas, o cultivo é protegido, não é a céu aberto. Ameniza muito os efeitos de um evento climático severo", explicou Bergoli.
O secretário chama atenção para o fato de o El Niño se dar em um momento fundamental para a plantação de café. "Nosso foco de atenção está na safra do ano que vem, afinal, o El Niño é no período de floração e enchimento dos grãos, dois momentos fundamentais para que tenhamos boa produção. As temperaturas mais elevadas atrapalham a formação e o peso dos frutos. No Espírito Santo, há compensações, afinal, no Norte e Noroeste, a cafeicultura é quase toda irrigada, mas o efeito na temperatura é até maior do que o na oferta de água".
Há também preocupação com a pecuária de corte e de leite, já que as queimadas, se acontecerem, diminuirão a massa de alimentação do gado. "Tem de ter muita atenção com o início de queima e com o manejo correto dos resíduos. O governo do Estado já possui um centro de comando e controle, com a participação dos mais diversos órgãos, e haverá um trabalho em conjunto, com muita comunicação", finalizou o secretário.
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