Os números das exportações do agronegócio do Espírito Santo, no primeiro quadrimestre de 2026, confirmam que a pimenta-do-reino capixaba realmente mudou de patamar. Após um 2025 histórico, as vendas do produto para fora do Brasil começaram o ano de maneira acelerada, com uma expansão de 17,4%, batendo em US$ 158,8 milhões (quase R$ 800 milhões em apenas quatro meses). Os dados são do Ministério da Agricultura e foram compilados pela Gerência de Dados e Análises da Secretaria de Estado da Agricultura.
Assim, a pimenta deixa para trás produtos como mamão e gengibre, que até pouco tempo rivalizavam com ela quando o assunto era vendas do agro para o exterior, e se aproxima dos poderosos celulose e café. Entre janeiro e abril, as exportações de celulose ficaram em US$ 243 milhões (queda de 22,1% em relação a 2025) e o complexo do café (solúvel, conilon e arábica verdes) ficou em US$ 464 milhões. Em 2024, a pimenta respondeu por 5,84% das exportações do agro capixaba, nos primeiros meses de 2026, bateu em 17,49%.
Importante frisar que, em 2025, a pimenta-do-reino bateu recorde de exportações, alcançando US$ 347,22 milhões e 56,1 mil toneladas, com crescimento de 112,9% em valor e de 58% na comparação com 2024. Ou seja, a expansão atual parte de uma base que já é alta.
"É um começo de ano extraordinário, que traduz todo o bom trabalho que vem sendo feito pela cadeia da pimenta nos últimos anos. Temos oportunidades interessantes pela frente. Quando olhamos para onde exportamos a pimenta, vemos que 27% vai para o Vietnã, que não é o consumidor final. Lá eles têm tecnologia e produção de qualidade, como querem europeus e norte-americanos, donos dos mercados que pagam mais. É possível fazer esse beneficiamento aqui. Precisamos também melhorar a qualidade da nossa produção para acessarmos esses mercados com maior margem. Temos que evoluir na escala de secagem e nos métodos, usando, por exemplo, mais gás. Também é importante observar os resíduos químicos ao longo do processo, Europa e Estados Unidos têm exigências altas em relação a isso", analisa Enio Bergoli, secretário de Agricultura do Espírito Santo.
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