A guerra no Oriente Médio, deflagrada no final de fevereiro, acelerou um processo importante que já vinha ganhando corpo, nos últimos anos, dentro da economia: o Brasil como grande exportador de petróleo. A venda de óleo cru já é o maior negócio da balança comercial brasileira e, nos últimos meses, com o fechamento do estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, passagem de 20% da produção mundial, a coisa só fez ganhar tração. A China, maior importador de petróleo do mundo e com grande dependência do que é produzido no Oriente Médio, saiu buscando óleo mundo afora e veio forte para cima do Brasil. Mesmo que a guerra acabe amanhã, segurança energética é algo inegociável, portanto, o Brasil, enquanto fonte segura de petróleo, pode se sair muito bem desse momento. O Espírito Santo, segundo maior produtor brasileiro de óleo, tem tudo para também se beneficiar bastante.
Vamos aos números: entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou US$ 116,5 bilhões, 9,2% a mais que no mesmo período do ano passado. Quem puxou a fila foram as vendas de petróleo, com US$ 17,59 bilhões, 26,3% acima do registrado em 2025. As compras feitas pela China, entre janeiro e abril, avançaram 25,4% (só para efeito de comparação, a dos Estados Unidos, segundo maior comprador dos produtos brasileiros, encolheram 16,7%), sendo que a indústria extrativa (petróleo e minério fundamentalmente) cresceu 47,4%. O Brasil produz pouco mais de 4 milhões de barris de petróleo por dia, mais da metade deste volume é exportado.
Trata-se de um cenário que tem tudo para se manter mesmo com o fim da guerra. O pano de fundo, se bem trabalhado, é a garantia de segurança energética dada pelo Brasil aos seus parceiros. Isso significaria uma aceleração interessante dos investimentos em exploração (que andam capengando no Estado há uma década), em produção (muitas interligações têm sido feitas no mar e a Petrobras analisa mais uma plataforma para o campo de Jubarte) e em logística (aqui está uma enorme oportunidade para o Estado).
O Brasil passou a ser um importante exportador de petróleo há poucos anos, a infraestrutura de despacho de óleo ainda é carente, ainda mais em se tratando de algo em franca expansão. O Espírito Santo, que fica próximo dos grandes campos produtores (quase todos no litoral do Rio de Janeiro) e tem importantes projetos portuários em desenvolvimento, surge como alternativa natural. Seriam milhões de dólares investidos em terminais que podem, lá na frente, virar portos multipropósito (e estratégicos para as pretensões capixabas).
O cavalo está passando selado...
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