O dia amanhecia quando um grupo invadiu a casa do trabalhador Wilson Couto do Nascimento e o matou com 11 disparos. O crime aconteceu em 22 de janeiro de 2020, em frente à filha da vítima, uma criança de pouco mais de 3 anos.
Logo depois, um vídeo (veja abaixo) registrou os criminosos na rua comemorando a execução com tiros e gritos de “menos um”, conforme descrito na sentença da 3ª Vara Criminal da Serra, responsável pelo Tribunal do Júri.
Das oito pessoas denunciadas pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), sete foram julgadas e condenadas pelo assassinato em sessão que durou dois dias e foi encerrada na última sexta-feira (22).
A soma das penas ultrapassa 225 anos de reclusão. Os que ainda não estavam no sistema penal, já deixaram a corte presos. Confira as condenações:
Kaciano Silva Damasceno - 34 anos e 9 meses
Robson Gomes Realli, "Grampola" - 34 anos e 9 meses
Rodrigo Soares Ferreira, "Kill" - 35 anos e 3 meses
Brendo Nascimento Correa, "Brendinho" - 34 anos e 9 meses
Marcos Vinicius de Almeida Garcia Sepulcro, "Vinicius Gordinho" - 33 anos e 2 meses
Jadson Correia Ferreira, "Tesouro" - 34 anos e 1 meses
Willyani Luciana Claudina Felicino, "Lulu" - 21 anos e 2 meses
Uma outra ré, Sheila Silva Damasceno, conseguiu uma liminar para adiar temporariamente o seu julgamento. Já a defesa de quatro condenados decidiu recorrer contra a sentença (veja abaixo).
Vítima inocente
O crime resultou de uma disputa por uma das mais rentáveis bocas de fumo de Jardim Tropical, na época, envolvendo criminosos de uma região conhecida como "Área Verde". O conflito já tinha ocasionado outras duas mortes de lideranças rivais.
O grupo condenado desconfiava que a vítima estaria colaborando com a gangue inimiga, repassando informações ou escondendo traficantes rivais em sua residência durante ações criminosas. No entanto, as investigações da polícia apontaram que Wilson era inocente.
Na madrugada do crime, foi realizado o chamado “desembolo”, reunião em que os acusados decidiram executar Wilson, que atuava como pedreiro e montador de estruturas elétricas. Segundo a sentença, após o encontro, Kaciano e Jadson disseram aos demais: "Agora vamos lá matar o Wilson, pois ele está demais".
Foram para a casa da vítima portando diversas armas, entre elas pistolas com seletor de rajada, revólveres, metralhadora de fabricação caseira com carregador alongado. Wilson foi acordado com a porta sendo arrombada e assassinado.
Integrava o grupo que invadiu a residência a condenada Willyani, ex-mulher da vítima e mãe da criança de pouco mais de 3 anos. Após o crime, ela entrou na casa, pegou a filha e fugiu com os comparsas.
Imagens anexadas ao processo e apresentadas aos jurados mostram que, logo após o assassinato, os criminosos comemoraram a morte pelas ruas do bairro com tiros e gritos de: "menos um, menos um".
Ao longo de 2020, mesmo em meio à pandemia de covid-19, operações da Polícia Civil na Serra conseguiram prender todos os acusados, sendo o último deles em outubro daquele ano.
O que dizem as defesas
O advogado Charles Boneli, responsável pela defesa de Brendo, informou que vai recorrer da decisão. Ele assinala que as provas produzidas, apresentadas pelo MP e que subsidiaram o entendimento dos jurados são contrárias às normas jurisprudenciais.
“Analisando o processo, não existe prova que possa determinar que Brendo tenha participação nos fatos. Vamos recorrer porque sempre existe a possibilidade de anulação da decisão de pronúncia que o levou ao júri. Estamos confiantes de que vamos rever a decisão e já impetramos o recurso. Vamos trabalhar até nos tribunais superiores para obter a absolvição ou, alternativamente, que ele seja submetido a um novo júri”, informou.
A defesa de Kassiano, Robson e Jadson é realizada pelo advogado Winter Winkley, que informou já ter recorrido contra a decisão de condenação.
Os demais advogados não foram localizados, mas o espaço segue aberto para manifestações.