Sair
Assine
Entrar

Vilmara Fernandes

Justiça do ES condena grupo que matou trabalhador e foi para a rua comemorar

Sete pessoas receberam penas do júri popular da Serra que somam mais de 225 anos; defesas recorreram contra sentença

Publicado em 25 de Maio de 2026 às 03:30

Públicado em 

25 mai 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Assassinato de Wilson Couto do Nascimento, em Jardim Tropical, Serra, em 22 de janeiro de 2020. Sete pessoas foram condenadas pelo crime
Arte - Camilly Caladão com Adobe Firefly

O dia amanhecia quando um grupo invadiu a casa do trabalhador Wilson Couto do Nascimento e o matou com 11 disparos. O crime aconteceu em 22 de janeiro de 2020, em frente à filha da vítima, uma criança de pouco mais de 3 anos.


Logo depois, um vídeo (veja abaixo) registrou os criminosos na rua comemorando a execução com tiros e gritos de “menos um”, conforme descrito na sentença da 3ª Vara Criminal da Serra, responsável pelo Tribunal do Júri.


Das oito pessoas denunciadas pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), sete foram julgadas e condenadas pelo assassinato em sessão que durou dois dias e foi encerrada na última sexta-feira (22).


A soma das penas ultrapassa 225 anos de reclusão. Os que ainda não estavam no sistema penal,  já deixaram a corte presos. Confira as condenações:


  • Kaciano Silva Damasceno - 34 anos e 9 meses

  • Robson Gomes Realli, "Grampola" - 34 anos e 9 meses

  • Rodrigo Soares Ferreira, "Kill" - 35 anos e 3 meses

  • Brendo Nascimento Correa, "Brendinho" - 34 anos e 9 meses

  • Marcos Vinicius de Almeida Garcia Sepulcro, "Vinicius Gordinho" - 33 anos e 2 meses

  • Jadson Correia Ferreira, "Tesouro" - 34 anos e 1 meses

  • Willyani Luciana Claudina Felicino, "Lulu" - 21 anos e 2 meses


Uma outra ré, Sheila Silva Damasceno, conseguiu uma liminar para adiar temporariamente o seu julgamento. Já a defesa de quatro condenados decidiu recorrer contra a sentença (veja abaixo).


Vítima inocente


O crime resultou de uma disputa por uma das mais rentáveis bocas de fumo de Jardim Tropical, na época, envolvendo criminosos de uma região conhecida como "Área Verde". O conflito já tinha ocasionado outras duas mortes de lideranças rivais.


O grupo condenado desconfiava que a vítima estaria colaborando com a gangue inimiga, repassando informações ou escondendo traficantes rivais em sua residência durante ações criminosas. No entanto, as investigações da polícia apontaram que Wilson era inocente.


Na madrugada do crime, foi realizado o chamado “desembolo”, reunião em que os acusados  decidiram executar Wilson, que atuava como pedreiro e montador de estruturas elétricas. Segundo a sentença, após o encontro, Kaciano e Jadson disseram aos demais: "Agora vamos lá matar o Wilson, pois ele está demais".


Foram para a casa da vítima portando diversas armas, entre elas pistolas com seletor de rajada, revólveres, metralhadora de fabricação caseira com carregador alongado. Wilson foi acordado com a porta sendo arrombada e assassinado.


Integrava o grupo que invadiu a residência a condenada Willyani, ex-mulher da vítima e mãe da criança de pouco mais de 3 anos. Após o crime, ela entrou na casa,  pegou a filha e fugiu com os comparsas.


Imagens anexadas ao processo e apresentadas aos jurados mostram que, logo após o assassinato, os criminosos comemoraram a morte pelas ruas do bairro com tiros e gritos de: "menos um, menos um".


Ao longo de 2020, mesmo em meio à pandemia de covid-19, operações da Polícia Civil na Serra conseguiram prender todos os acusados, sendo o último deles em outubro daquele ano.


O que dizem as defesas


O advogado Charles Boneli, responsável pela defesa de Brendo, informou que vai recorrer da decisão. Ele assinala que as provas produzidas, apresentadas pelo MP e que subsidiaram o entendimento dos jurados são contrárias às normas jurisprudenciais.


“Analisando o processo, não existe prova que possa determinar que Brendo tenha participação nos fatos. Vamos recorrer porque sempre existe a possibilidade de anulação da decisão de pronúncia que o levou ao júri. Estamos confiantes de que vamos rever a decisão e já impetramos o recurso. Vamos trabalhar até nos tribunais superiores para obter a absolvição ou, alternativamente, que ele seja submetido a um novo júri”, informou.


A defesa de Kassiano, Robson e Jadson é realizada pelo advogado Winter Winkley, que informou já ter recorrido contra a decisão de condenação.


Os demais advogados não foram localizados, mas o espaço segue aberto para manifestações.


MAIS COLUNAS DE VILMARA FERNANDES

Justiça do ES condena grupo que matou trabalhador e foi para a rua comemorar

Justiça marca depoimento de acusado de matar dono de bar em Vila Velha

Pena de 32 anos de prisão para ex-PM pelo assassinato de músico no ES

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

O casal Valdecir e Geise Torezani prestigiando Jocenil Smarçaro
Jocenil Smarçaro inaugura nova loja de móveis em Vila Velha
Indústria
Um debate sobre a política industrial no século XXI
Escorpiões podem ser mais facilmente encontrados durante clima quente de agosto e setembro
Cidade no ES captura centenas de escorpiões e emite alerta vermelho

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados