O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Paulo Baraona, lamentou a forma como está sendo feito o debate, em Brasília, sobre as mudanças na escala de trabalho no Brasil. Na visão do empresário, vários temas relevantes não estão sendo levados em consideração e a proximidade com as eleições, marcadas para outubro, estão apressando demais as conversas.
"Vejo que a discussão sobre a escala 6x1 virou eleitoreira. Trata-se de um tema sensível, com vários impactos e particularidades, mas estão querendo resolver na pressa e colocar para funcionar o quanto antes. Temos um gravíssimo problema de produtividade no Brasil, mas ninguém fala sobre isso. O objetivo é, por meio de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional), o que também é bem questionável, fazer acontecer logo, não importando o que pode dar logo ali na frente", afirmou o mandatário da Findes.
"Acho fundamental a liberdade de se colocar a discussão na mesa, mas fazer isso em ano eleitoral é complicado. O mercado de trabalho pede um debate, por exemplo, sobre flexibilização, mas seguiremos sob uma única regra, que é a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que já não atende mais. Além disso, o mercado tem uma série de particularidades, caso da escala de quem trabalha em plataformas de produção de petróleo, por exemplo. Tudo que é feito com pressa, ali na frente vai gerar insegurança jurídica", disse Baraona em evento realizado pela federação em comemoração ao Dia da Indústria (25).
Nesta segunda-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, disse que a redução de 44 horas para 40 horas semanais de trabalho prevista na Proposta de Emenda à Constituição da escala 6x1 será aplicada em até um ano. Os dois dias de folga por semana passarão a valer 60 dias após o tema ser aprovado pelo Congresso Nacional. A ideia é votar ainda esta semana no plenário da Câmara. Depois, vai ao Senado, mas ainda sem calendário definido. O governo trata o tema como prioritário e quer uma definição o quanto antes.
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