A partir de 8 de agosto, às 9h, e em pelo menos um sábado de cada mês, a Paróquia Santa Rita de Cássia, na Praia do Canto, em Vitória, vai celebrar uma missa inclusiva, destinada a acolher crianças, adolescentes e adultos com deficiências físicas, neurodivergências (como o Transtorno do Espectro Autista - TEA) e suas famílias.
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Celebrada normalmente durante uma hora, a missa inclusiva na Praia do Canto terá duração mais curta, com som e iluminação reduzidos e um ambiente com menos estímulos sensoriais, “favorecendo uma experiência de oração mais tranquila e respeitosa”, segundo a igreja.
Além dessa adaptação na liturgia, uma equipe de fiéis voluntários estará preparada para acolher e acompanhar as crianças durante a missa, oferecendo apoio e segurança para as famílias durante a celebração.
CARACTERÍSTICAS DA CELEBRAÇÃO
Maxwel Calegario Maciel, membro da paróquia participante do projeto da missa inclusiva, explica que o rito dessa celebração é o mesmo de uma missa realizada durante a semana, com uma duração um pouco menor, e, por isso, não há necessidade de uma formação especial para os padres celebrantes.
“O padre só precisa ser aberto a algumas eventuais ações que autistas precisam realizar para se autorregular, como caminhar pela nave da igreja ou até mesmo no altar, dar saltos, flaps com os braços, soltar alguns gritos, ou seja, entender que eles não fazem isto por birra ou má educação”, diz Maciel.
Nesta celebração, estarão presentes profissionais que atuam no tratamento de crianças neurodivergentes para entretê-las enquanto os pais participam da missa. “Haverá crianças neste espaço, outras sentadas com os pais e ainda outras circulando pela igreja. Nosso intuito nesta celebração é oferecer um ambiente acolhedor para as famílias atípicas, para que elas possam voltar para a igreja sem preocupações com julgamentos.”
Maciel destaca que as dores que os paroquianos sofrem com o julgamento em todos os ambientes que frequentam, inclusive nas igrejas, não afetam apenas os neurodivergentes: “Isto acaba os afastando das missas. Observamos também pouca frequência de pessoas com deficiências visuais, auditivas e motoras. Estamos buscando voluntários para serem intérpretes de libras nas celebrações e aquisição da Bíblia em Braile, além de melhorar a acessibilidade da nossa paróquia para os cadeirantes”.
A ORIGEM DA MISSA INCLUSIVA
O Movimento Igreja Inclusiva foi criado na Diocese de Nova Friburgo (RJ) por Ariana do Sacramento Andrade Valadão, professora e mãe de uma criança autista, com o apoio de uma terapeuta ocupacional, e de uma psicopedagoga.
Elas perceberam a necessidade de um ambiente religioso acolhedor para famílias com membros com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras deficiências, e se dedicaram a criar missas acessíveis.
O Movimento não se limita a apoiar apenas pessoas autistas, mas também acolhe indivíduos com outras deficiências e seus familiares. Em Nova Friburgo, o projeto foi estendido a várias paróquias, oferecendo também formações para sacerdotes e leigos, momentos de espiritualidade, espaços de confissão adaptados e orientações específicas.
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