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Vilmara Fernandes

Mortes no trânsito superam em 37% os casos de homicídio no ES

Dados do Observatório da Segurança Pública do primeiro semestre mostram que as diferenças entre os dois indicadores vêm crescendo desde 2024

Publicado em 03 de Julho de 2026 às 03:30

Públicado em 

03 jul 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Trânsito - acidente - mortes
Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

O recuo histórico na criminalidade letal, que atingiu o menor patamar desde 1996, tem evidenciado uma outra tragédia no Espírito Santo. No primeiro semestre deste ano, o número de pessoas que perderam a vida nas estradas (496) superou em mais de 37% o total de vítimas de assassinatos e feminicídios (361).


Os dados abaixo relativos ao primeiro semestre, obtidos no Observatório da Segurança Pública, mostram que a virada ocorreu em 2024, ano em que a violência nas estradas se tornou ainda mais letal. Uma diferença que vem crescendo. Partiu de 5,67% e já alcançou 37,4%.



Os números mostram um crescimento contínuo das mortes nas estradas, no período analisado, desde 2020, quando o estado registrou 324 vítimas. O total atual, de 496 mortes no primeiro semestre de 2026, é o maior de toda a série apresentada, superando inclusive o índice de 2017 (455 mortes), que era o teto anterior.


Geografia da Letalidade


Um dado que chama a atenção é que a liderança entre as onze cidades que registraram acima de dez mortes em acidentes, ficou com as localizadas no interior. Confira:


  • Linhares - 37

  • Cachoeiro de Itapemirim - 27

  • Colatina - 27

  • Serra - 26

  • Cariacica - 25

  • Vila Velha - 24 

  • São Mateus - 22 mortes

  • Aracruz - 20 

  • Conceição da Barra - 14

  • Guarapari - 12 

  • Vitória - 12 


Vale destacar que os números podem ser ainda maiores nestes municípios e em outros, uma vez que em 24 casos não foi possível identificar as cidades onde os acidentes aconteceram.


A coluna já registrou que o Estado contabilizou mais de 738 mil infrações de trânsito de janeiro até a manhã do último dia 28 e quase metade dos casos de desrespeito as leis (356.748) corresponde a situações de natureza grave ou gravíssima.


Prioridade


Para o advogado especialista em Direito no Trânsito e especialista em segurança pública, Fábio Marçal, os dados demonstram que a violência no trânsito precisa ser tratada com a mesma prioridade dedicada ao enfrentamento dos homicídios.


Destaca que o Estado enfrenta um problema que vai além de uma questão de trânsito, mas que tem consequências na mobilidade urbana e saúde pública e que demanda uma atuação conjunta de todos os segmentos. 


“Preservar vidas exige uma atuação integrada entre os municípios, o Estado e a União. Não basta cada ente agir de forma isolada. É necessária uma política pública coordenada, capaz de reduzir essas mortes que causam indignação."


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Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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