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Saúde

Câncer em pessoas jovens: o que está acontecendo?

Muitos cientistas interrogam se o excesso de microplásticos, onipresentes em embalagens de alimentos, podem ter um papel nesse aumento de diagnóstico de neoplasias

Publicado em 19 de Junho de 2025 às 04:00

Públicado em 

19 jun 2025 às 04:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Preta Gil
Preta Gil Crédito: Reprodução @pretagil
A cantora Preta Gil, filha do músico Gilberto Gil, volta e meia expõe corajosamente na imprensa sua luta pela vida. Ela recebeu diagnóstico de câncer de intestino, em janeiro de 2023, aos 48 anos. Após um tratamento com cirurgia e radioterapia, foi declarada em remissão. No entanto, a doença voltou em agosto de 2024, e desde então a artista vem expondo corajosamente sua saga.
Nos EUA, o ator Chadwick Boseman, estrela de Hollywood, astro de Pantera Negra, recebeu diagnóstico também de câncer colorretal em 2016 com 39 anos. Ele gravou seu filme de maior sucesso já com esse diagnóstico, e não conseguiu fazer a continuação, morrendo aos 43 anos em 2020.
Trey Mancini, jogador norte-americano de baseball, perdeu a temporada de 2020, porque teve que se submeter a quimioterapia em razão do diagnóstico de câncer colorretal estágio III, aos 27 anos. O que estará acontecendo?
As taxas de câncer colorretal e de alguns outros tumores malignos estão aumentando em adultos jovens e intrigando pesquisadores. A incidência de alguns outros tumores, por outro lado, tem caído ao longo dos últimos anos, entre pessoas abaixo de 50 anos, como por exemplo, câncer de pulmão e de próstata.
No entanto, o que tem intrigado pesquisadores são os tumores cuja incidência tem aumentado nos últimos anos em pessoas abaixo de 50 anos de idade. Dentre esses, se destacam as neoplasias colorretais (intestino), de corpo do útero, bexiga, rim e pâncreas. Em todos esses o aumento da obesidade — uma epidemia mundial — tem importante papel na causalidade.
A importância de uma dieta equilibrada, como a Dieta Mediterrânea, com vegetais, frutas, peixes e azeite, e uso parcimonioso da carne vermelha, têm um papel importante na promoção da saúde. O excesso de alimentos ultraprocessados tem despertado preocupações dos cientistas, mas é possível que exposição contínua a outros carcinógenos esteja ocorrendo.
Estudos do microbioma intestinal e sua correlação com risco de câncer estão em andamento. Muitos cientistas interrogam se o excesso de microplásticos, onipresentes em embalagens de alimentos, podem ter um papel nesse aumento de diagnóstico de neoplasias.
Sociedades médicas têm alertado para a importância do rastreamento, como a realização de colonoscopias tão cedo como a partir dos 45 anos, ou a simples pesquisa de sangue oculto nas fezes ou rastreio de anemias com deficiência de ferro, já que tumores intestinais com frequência levam à perda de sangue.
Curiosamente, uma pesquisa recente sugere, ao menos em camundongos, que alterações do ritmo circadiano, com distúrbio na exposição à luz e à escuridão, pode levar a um maior risco de câncer de intestino, por acelerar envelhecimento do cólon.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço, reflete sobre saúde e qualidade de vida

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