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Política

Brasil se torna ambiente propício a um golpe contra a democracia

É assim que agem os governos com veia autoritária: tentam desacreditar a legitimidade do voto popular para minar as bases da democracia

Públicado em 

22 jan 2021 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro repete discurso de fraude usado pelo ex-presidente Donald Trump Crédito: Marcos Correa/PR
Não é preciso forçar a imaginação para se verificar que está sendo armado, de forma explícita, um golpe contra a democracia brasileira. Até porque quem primeiro falou isso foi a maior autoridade do governo. No dia seguinte à invasão do Congresso norte-americano, por uma turba incentivada pelo presidente Trump – episódio condenado pelos mais expressivos líderes mundiais – o presidente brasileiro anunciou que “a mesma coisa” poderá acontecer no Brasil “se tivermos o voto eletrônico”.
As semelhanças entre os episódios que ocorrem nos Estados Unidos e o momento político brasileiro são evidentes. Lá, Trump disse, em 2016, que a eleição que o elegeu tinha sido fraudada, repetindo agora o discurso de fraude como tentativa de melar a sua derrota nas urnas em 2020.
Bolsonaro segue o mesmo script ao sustentar que houve fraude quando venceu em 2018 e ao antever nova fraude em 2022. É assim que agem os governos com veia autoritária: tentam desacreditar a legitimidade do voto popular para minar as bases da democracia.
A declaração de Bolsonaro feita um dia após a invasão do Capitólio é emblemática. Disse que todos sabem que ele é “ligado ao Trump” e que “o que aconteceu nas eleições americanas” foi a “falta de confiança no voto” porque “houve gente que votou três, quatro vezes, mortos votaram, foi uma festa”.
A declaração foi dada mesmo após a Justiça ter rejeitado mais de 60 tentativas de Trump de reverter o resultado das urnas. E mesmo após boa parte das lideranças do Partido Republicano americano – o mesmo partido que elegeu Trump – ter reconhecido a legitimidade do resultado eleitoral.
A invasão do Capitólio por seguidores de Trump – alguns armados e portando bombas – acende a luz de alerta para aquilo que o presidente brasileiro diz que “vamos ter problemas piores do que os Estados Unidos”. Desde que assumiu a presidência, Bolsonaro facilita a aquisição de armas pela população. Em 2020, quase 180 mil novas armas de fogo foram registradas na Polícia Federal, um recorde em relação à série histórica iniciada em 2009. O volume de entrada de armas estrangeiras nos últimos dois anos (177,3 mil revólveres, pistolas, espingardas e carabinas) supera o total acumulado dos 22 anos anteriores, segundo o Siscomex.
À maior quantidade de armas em poder da população acrescente-se a progressiva militarização do governo: são 6,1 mil militares da ativa e da reserva ocupando cargos civis, mais do que o dobro do que havia no governo Temer (2,7 mil). E ainda há o apoio do governo aos dois projetos que tramitam na Câmara Federal que retiram poderes dos governadores sobre as polícias militares.
Mais evidências, impossível. Tudo indica que está em curso, no Brasil, a preparação de um ambiente propício a um golpe contra a democracia. Só não vê quem não quer.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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