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Pandemia

Este não é o Natal que desejamos, é o que temos

Resta a esperança de que governadores e prefeitos se desengatem de vez do negacionismo de uma locomotiva emperrada que, a cada dia, renova a sua face atrasada e, incompetente para enfrentar a maior crise sanitária dos últimos cem anos

Publicado em 25 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

25 dez 2020 às 05:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Natal de 2020 uma comemoração contida, como convém e é possível nestes tempos
Natal de 2020 uma comemoração contida, como convém e é possível nestes tempos Crédito: Kari Shea/ Pixabay
O que desejamos a cada Natal? Uma confraternização ampla, geral e irrestrita, abraços carinhosos nos amigos e familiares e muitos sorrisos de felicidade como é próprio de uma data em que se celebra o nascimento de alguém especial. Lamento dizer – sem querer ser desmancha prazeres – que esse não é o caso do nosso Natal de 2020.
Comemoramos o nascimento de Jesus, é certo. Mas é uma comemoração contida, mais discreta, como convém e é possível nestes tempos de pandemia. Estamos, como estivemos nos últimos dez meses, mais solitários, mais distantes, mais tristes, atormentados por uma ameaça terrível e invisível que vitima tantas pessoas próximas de nós.
Poderíamos, talvez, estar comemorando a luz no fim do túnel representada pelos testes promissores das vacinas desenvolvidas por vários laboratórios espalhados pelo mundo, e pelo início da vacinação em massa. Mas até essa ótima notícia ficou ofuscada no Brasil já que o presidente da República – que deveria ser o líder do combate à pandemia – fez o desfavor de anunciar, na véspera do lançamento do Plano Nacional de Imunização, que não vai tomar a vacina porque já teve Covid-19. Falta de bom senso maior do que essa, impossível.
Resta a esperança de que governadores e prefeitos se desengatem de vez do negacionismo de uma locomotiva emperrada que, a cada dia, renova a sua face atrasada, incompetente e despreparada para enfrentar a maior crise sanitária dos últimos cem anos. Enquanto quase mil pessoas morrem por dia no Brasil, vítimas da Covid-19, o governo federal, infelizmente, se dedica a isentar de impostos a importação de armas, a afrouxar a fiscalização sobre os responsáveis pelo desmatamento da Amazônia e a desestimular a vacinação em massa e as medidas de prevenção à pandemia.
E, precisamos admitir que há muita gente que, influenciada por esses maus exemplos, esteja negligenciando com relação ao uso de máscara e a promoção de aglomerações, o que provocou um sincero desabafo do secretário de Saúde do Espírito Santo na semana passada. Nésio Fernandes fez um apelo às pessoas para que elas não vejam as mortes causadas pelo coronavírus como algo natural. “O crescimento de óbitos não deve ser naturalizado; não podemos nos acostumar com ele”, disse.
O secretário afirmou estar cansado – e o “cansaço é mais esgotador” diante da frequência das aglomerações –, porque, mesmo que todos estejam cansados de conviver com a pandemia, não devemos nos cansar da vida; não podemos nos cansar de proteger os nossos entes queridos.
Diante das circunstâncias, vale o bom conselho da querida amiga Jane Mary: vamos transformar o Natal 2020 “num momento especial de silêncio, fraternidade, amor e paz”, que é a alternativa “que mais agrada o homenageado da noite”. Que assim seja!

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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