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Pandemia

Repique ou segunda onda, o vírus não foi embora

Governo federal deve sair da sua posição negacionista e coordenar, sem politicagem, um plano nacional de vacinação condizente com a urgência que a situação requer

Públicado em 

11 dez 2020 às 05:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Laboratório
Aquisição de vacinas ainda é um incógnita no Brasil Crédito: Fiocruz/Arquivo
Confesso que não acreditava que a pandemia do coronavírus pudesse ter um repique, ou uma segunda onda como muitos chamam. Não imaginava, também, lá pelos idos de abril e maio, que ela fosse perdurar por mais de três meses. A pandemia não só perdurou muito mais – lá se vão nove meses desde quando as atividades não essenciais foram interrompidas –, como fez retornar o seu poder de disseminação em todo o mundo.
A segunda onda chegou como a primeira, inicialmente na Europa, em seguida nos Estados Unidos e logo após no resto do mundo, inclusive no Brasil. O país, que parecia surfar em uma curva descendente que reduzia a quantidade diária de mortes de 1 mil (registrada entre junho e agosto) para pouco mais de 300 (no início de novembro), volta a ter mais de 600 vítimas fatais por dia (em 7 de dezembro).
Espírito Santo segue a mesma tendência. Das quase 40 mortes diárias (em julho), chegamos a ter, na primeira semana de novembro, uma média de 11 mortos, para retornarmos, no dia 7 de dezembro, a 34 óbitos. A ocupação de leitos de UTI volta ao alarmante índice de 84%, mesmo com a ampliação da quantidade de leitos de UTI de 386 para 478.
Com relação às políticas de governo de combate à pandemia, os contrastes continuam enormes. Enquanto no governo federal o negacionismo continua imperando – com críticas às medidas de distanciamento social, ao uso de máscaras e às restrições às atividades não essenciais –, chegando até mesmo a quase perder o prazo de validade de quase 7 milhões de testes, o governo do Estado serve como referência positiva no combate à pandemia.
O governo do Espírito Santo, graças à competência das autoridades da área de saúde, tem dado um show no gerenciamento dos leitos de UTI. Desde o início da proliferação do vírus, não faltou leito de UTI para quem precisa, algo muito diferente do que ocorre em vários outros Estados da federação. Sabe-se, agora, que o Estado já adquiriu as agulhas e seringas para a vacinação, algo ainda não equacionado no plano de imunização do governo federal.
Resta, agora, esperar que o governo federal saia da sua posição negacionista e passe a coordenar, sem politicagem, um plano nacional de vacinação condizente com a necessidade do país e com a urgência que a situação requer. Essa coordenação, tão solicitada pelos governadores desde o início da pandemia, não ocorreu. E, a julgar pelo que aconteceu na reunião de terça-feira (8) dos governadores com o ministro da Saúde, dificilmente essa coordenação virá, já que o governo federal parece mais preocupado em medir forças com o governador João Doria do que combater a pandemia.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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